
Um filhote de tamanduá-bandeira caminha atrás de uma pessoa, colado a ela, como faria com a mãe. A cena rendeu ao fotógrafo brasileiro Fernando Faciole o primeiro lugar na categoria Humanos e Natureza do BigPicture 2026, um dos principais concursos de fotografia de natureza do mundo, organizado pela Academia de Ciências da Califórnia, nos Estados Unidos.
A foto, chamada Órfão da Estrada, mostra o filhote seguindo o cuidador em busca de um substituto para a mãe, que ele perdeu nas rodovias perigosas do Brasil.
A mãe atropelada
A mãe do filhote foi morta por um veículo. O animal foi levado a um centro de reabilitação, onde cuidadores o ensinam a sobreviver para que possa voltar à natureza. A imagem foi feita no Centro de Triagem de Animais Silvestres de Belo Horizonte, em Minas Gerais, ligado ao trabalho do projeto Bandeiras e Rodovias, do Instituto de Conservação de Animais Silvestres, o ICAS.
Os atropelamentos estão entre as principais causas de declínio do tamanduá-bandeira no Brasil. O animal é lento, enxerga mal e costuma atravessar estradas que cortam seu habitat, principalmente no Cerrado e no Pantanal.
Uma foto já premiada
A mesma história já tinha rendido a Faciole o Prêmio de Impacto do Wildlife Photographer of the Year de 2024, organizado pelo Museu de História Natural de Londres, considerado o mais prestigiado concurso de fotografia de natureza. Ele também produziu um curta-metragem com o mesmo nome, exibido no museu.
Faciole acompanha os projetos do ICAS com tamanduás desde 2023. Uma outra foto dele, de uma onça-pintada diante da toca de um tatu-canastra no Parque Estadual do Rio Doce, em Minas Gerais, foi escolhida pela National Geographic entre as 25 melhores imagens de 2025.
Os outros vencedores
O grande prêmio do BigPicture 2026 ficou com o norueguês Audun Rikardsen, com a foto de um urso-polar espiando através do gelo. Entre os vencedores das outras categorias estão imagens de um gelada, um tipo de macaco da Etiópia, de filhotes de bufo-real e de pandas-gigantes na natureza chinesa.
O tamanduá-bandeira
O tamanduá-bandeira é o maior tamanduá do mundo e pode passar de 2 metros com a cauda. Não tem dentes e usa a língua longa e pegajosa para comer formigas e cupins, milhares por dia. A fêmea tem um filhote por vez, que viaja nas costas da mãe por meses, protegido pela pelagem listrada que o camufla.
A espécie está classificada como vulnerável à extinção. Além dos atropelamentos, sofre com incêndios, perda de habitat para a agropecuária e ataques de cães. O ICAS e outras instituições trabalham com governos e concessionárias para instalar passagens de fauna e sinalização nas estradas.
O que fazer ao ver um tamanduá na estrada
Reduza a velocidade, especialmente ao amanhecer e ao entardecer, quando a fauna está mais ativa. Não tente pegar o animal, que tem garras fortes. Se encontrar um tamanduá ferido ou um filhote sozinho, avise a Polícia Militar Ambiental, os bombeiros ou o órgão ambiental do estado.
Perguntas frequentes
Quem é Fernando Faciole?
Fotógrafo brasileiro de natureza, premiado no BigPicture 2026 e no Wildlife Photographer of the Year de 2024.
O tamanduá-bandeira está ameaçado?
Sim, é classificado como vulnerável. Atropelamentos, queimadas e perda de habitat são as principais ameaças.
Com informações da Academia de Ciências da Califórnia e do Museu de História Natural de Londres.
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