Desmatamento no mundo caiu 15% em 2025, puxado pela América Latina e pela Amazônia brasileira, mas a Bacia do Congo quase empatou com a Amazônia pela primeira vez

Desmatamento no mundo caiu 15% em 2025, puxado pela América Latina e pela Amazônia brasileira, mas a Bacia do Congo quase empatou com a Amazônia pela primeira vez
Floresta tropical às margens do rio Likouala-aux-Herbes, na Bacia do Congo. Foto: JosepMGracia, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

O mundo perdeu de forma permanente cerca de 7 milhões de hectares de floresta em 2025, uma área do tamanho da Irlanda. O número representa uma queda de 15% em relação ao ano anterior, segundo a Avaliação da Declaração das Florestas, relatório anual produzido por uma coalizão de grupos de pesquisa e organizações não governamentais.

Destaque para a Amazônia

A melhora veio em boa parte da América Latina, historicamente o maior foco de desmatamento do planeta, onde a destruição caiu 33%. Os autores destacam o plano brasileiro de combate ao desmatamento e o reforço da fiscalização na Amazônia.

O relatório alerta, porém, que o avanço na região depende muito das escolhas de um pequeno número de governos e continua vulnerável a mudanças políticas nos países da bacia amazônica.

Longe da meta

Mesmo com a queda, o mundo segue fora do caminho para cumprir a promessa de acabar com o desmatamento até 2030, assumida na conferência do clima COP26, em 2021. Para chegar lá, a perda teria de cair cerca de um milhão de hectares por ano.

Segundo Erin Matson, coautora do relatório e consultora do grupo Climate Focus, o resultado de 2025 é encorajador, mas por enquanto é exceção, e não uma nova trajetória. A derrubada para agricultura e mineração continua sendo a principal causa.

O Congo dispara

Do outro lado do Atlântico, a situação piorou. Na Bacia do Congo, segunda maior floresta tropical do mundo, a perda chegou a 2,4 milhões de hectares, praticamente o mesmo nível da Amazônia pela primeira vez.

Para o advogado Sam Nguiffo, fundador do Centro de Meio Ambiente e Desenvolvimento, em Camarões, perder uma área desse tamanho todo ano é um desastre irreversível. A exploração de madeira e a derrubada para agricultura e mineração predominam na região, com impacto enorme sobre a identidade cultural e o sustento de comunidades locais e indígenas.

A ameaça do super El Niño

O El Niño atual, que surgiu em junho, deve atingir o pico no fim do ano e já se desenha como o mais forte já observado. O fenômeno traz secas que favorecem incêndios. Na Indonésia, florestas e plantações queimam há meses em Bornéu e Sumatra.

O relatório lembra que houve um enorme salto na perda de árvores no último super El Niño, em 2015 e 2016. Para Matson, é improvável que 2026 repita as reduções vistas em 2025. Na Amazônia, a seca também aumenta o risco de queimadas, como se viu em 2023 e 2024.

Florestas e clima

As florestas tropicais guardam enormes quantidades de carbono e regulam as chuvas. Na COP30, realizada em Belém em 2025, o Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que propõe pagar países pela floresta mantida em pé. Para os especialistas, manter a queda do desmatamento exige fiscalização contínua, alternativas econômicas para quem vive na floresta e proteção dos territórios indígenas.

Perguntas frequentes

O desmatamento caiu no mundo em 2025?

Sim, cerca de 15%, segundo o relatório, com queda de 33% na América Latina.

Onde o desmatamento aumentou?

Na Bacia do Congo, na África, que perdeu 2,4 milhões de hectares, quase o mesmo que a Amazônia.

Com informações da Avaliação da Declaração das Florestas.

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