
Nível do rio caiu após uma estação chuvosa abaixo da média, afetando navegação, pesca, turismo e comunidades ribeirinhas.
Rio Paraguai chega ao menor nível já registrado
O Rio Paraguai atingiu uma mínima histórica em Ladário, no Mato Grosso do Sul, depois de meses com chuvas abaixo do normal em toda a bacia. A queda foi acompanhada pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, o Imasul, que já havia emitido um alerta na quarta-feira, 9 de outubro de 2024, sobre a possibilidade de o rio alcançar o menor nível observado na série de medições. A estação de Ladário é usada como referência pela Marinha para avaliar as condições de navegação e definir eventuais medidas de restrição.
A cota padrão considerada pelo Imasul é de 5 metros de profundidade média. O dado ajuda a dimensionar a diferença entre o funcionamento esperado do trecho e a situação registrada no ano de 2024, marcado por uma seca histórica no Pantanal. O Rio Paraguai nasce em Mato Grosso, atravessa Mato Grosso do Sul e segue para o Paraguai e a Argentina. A bacia reúne águas que chegam de áreas ligadas à Amazônia, incluindo contribuições do Rio Negro, e sustenta uma rede de rios que atravessa a maior área úmida contínua do planeta.
Chuva insuficiente acumulou déficit desde outubro de 2023
Para o Serviço Geológico do Brasil, a mínima não ocorreu sem sinais anteriores. Pesquisadores já alertavam desde fevereiro de 2024 para a possibilidade de o Rio Paraguai alcançar um recorde de baixa, porque a estação chuvosa iniciada em outubro de 2023 vinha registrando precipitações inferiores ao padrão. O pesquisador Marcus Suassuna explicou que a seca era observada desde o começo do período chuvoso e que os avisos buscavam antecipar o comportamento da bacia.
Entre outubro de 2023 e o período analisado, a precipitação acumulada chegou a 702 milímetros, enquanto a média esperada era de 1.097 milímetros. O déficit foi de 395 milímetros. Considerando o acumulado entre 2020 e 2024, a diferença chegou a aproximadamente 1.020 milímetros, volume equivalente ao total esperado para um ano hidrológico. Na semana anterior ao relatório, a Bacia do Rio Paraguai recebeu apenas 3 milímetros de chuva, enquanto os rios da região permaneceram abaixo do nível normal para aquela época do ano.
Primeiras chuvas reduzem a velocidade da queda
O nível do Rio Paraguai começou a mostrar uma mudança no ritmo de descida com as primeiras chuvas da estação chuvosa. Segundo o SGB, a cota estava estabilizada desde a segunda-feira, 7 de outubro, e a velocidade da redução havia diminuído consideravelmente. Essa estabilização, porém, não significava uma recuperação rápida. As precipitações previstas poderiam continuar, mas não em intensidade suficiente para provocar uma elevação acelerada no trecho de Ladário ou em toda a bacia.
As projeções indicavam que a recuperação seria lenta e que o nível em Ladário permaneceria abaixo da cota de referência até a segunda quinzena de novembro. O Rio Cuiabá era a exceção entre os principais rios acompanhados, com nível dentro do esperado para o período. Essa condição estava associada à regularização das vazões provocada pela operação da Usina Hidrelétrica de Manso. O comportamento do Cuiabá, portanto, não representava a situação predominante no conjunto da Bacia do Rio Paraguai.
Seca altera navegação, pesca e rotina das comunidades
A redução da água tem efeitos diretos sobre atividades que dependem do rio e sobre a vida das comunidades ribeirinhas. O Imasul apontou impactos para a navegação, o turismo, a pesca e o abastecimento. Como a estação de Ladário é uma referência para a Marinha, a baixa cota também orienta a análise das condições de circulação de embarcações e a adoção de medidas de restrição quando necessário.
O instituto relacionou a redução do nível à variabilidade climática e à escassez de chuvas na bacia, destacando a vulnerabilidade do Pantanal e de sua biodiversidade. A região hidrográfica do Paraguai ocupa 4,3% do território brasileiro e inclui partes de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da maior parte do Pantanal mato-grossense. A dimensão da área ajuda a mostrar por que uma sequência de estações chuvosas insuficientes ultrapassa o leito do rio e alcança a economia, os serviços essenciais e a dinâmica de um bioma inteiro.
Com informações da Agência Brasil.
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