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Rocha achada em riacho da Califórnia revela molar de mastodonte com pelo menos 10 mil anos

Rocha achada em riacho da Califórnia revela molar de mastodonte com pelo menos 10 mil anos
Foto: Balance Hydrologics

Fóssil encontrado durante um projeto para proteger uma rã ameaçada será datado e transformado em cópia 3D.

O que parecia apenas uma pedra de formato estranho escondia uma peça rara da fauna que caminhou pela América do Norte durante a última Era do Gelo. Um molar fossilizado de um mastodonte adulto foi encontrado neste verão no leito de um riacho da reserva natural administrada pela Midpeninsula Regional Open Space, no condado de San Mateo, perto de São Francisco, na Califórnia.

A descoberta ocorreu durante um trabalho de campo voltado à melhoria do habitat da rã-de-pernas-vermelhas-da-Califórnia, espécie ameaçada. A geóloga Brigid Lynch, da empresa Balance Hydrologics, localizou o objeto enquanto sua equipe fazia o levantamento necessário ao projeto. A análise preliminar mostrou que não se tratava de uma rocha comum, mas de um dente excepcionalmente preservado.

O dente que resistiu ao tempo

O fóssil pertence ao mastodonte do Pacífico, Mammut pacificus, um animal parecido com os elefantes atuais e adaptado a ambientes do oeste da América do Norte. O exemplar tem pelo menos 10 mil anos, período próximo da extinção atribuída à espécie.

Segundo a Midpeninsula Regional Open Space, o molar encontrado em San Mateo County, Califórnia, é um fóssil de mastodonte do Pacífico com pelo menos 10 mil anos, localizado durante um projeto de recuperação de habitat realizado no verão de 2026.

O paleontólogo Wayne Thompson, responsável pela avaliação inicial e CEO da Pacific Paleontology, descreveu a peça como o molar de mastodonte mais completo já identificado na região. “O dente em si está em condições imaculadas”, afirmou Thompson. “É o molar de mastodonte mais completo da nossa área e o molar de mastodonte mais espetacular que já vi. Senti calafrios e arrepios por todo o corpo.”

Lynch também destacou o caráter inesperado do achado. “Como geóloga, já saí a campo e vi muitas coisas, mas definitivamente nada tão emocionante quanto isso”, disse, segundo a Midpen. A equipe não procurava fósseis. O objetivo era melhorar as condições ambientais para a rã, o que tornou a descoberta uma consequência não planejada do trabalho de recuperação.

Uma espécie reconhecida há poucos anos

A identificação do animal ganha importância porque o mastodonte do Pacífico só foi reconhecido como espécie independente em 2019. Antes disso, seus restos eram associados ao mastodonte-americano, Mammut americanum, espécie mais conhecida pelos registros do leste da América do Norte.

Os dois animais viveram durante o Pleistoceno, intervalo que começou há cerca de 2,6 milhões de anos e terminou há aproximadamente 11.700 anos. O mastodonte do Pacífico ocupava áreas mais ocidentais, incluindo partes do México atual, da Califórnia, do Oregon e das Montanhas Rochosas do norte dos Estados Unidos.

A distinção entre as espécies não depende apenas do local onde o fóssil aparece. Pesquisadores também observam características anatômicas, como a largura do terceiro molar, a espessura dos ossos das pernas traseiras e a presença ou ausência de presas na mandíbula inferior. O dente recém-encontrado poderá contribuir para esse conjunto de evidências, embora a confirmação dependa das análises científicas.

Rocha achada em riacho da Califórnia revela molar de mastodonte com pelo menos 10 mil anos
Foto: Balance Hydrologics

Para conhecer melhor a classificação do animal, consulte o estudo sobre o reconhecimento do mastodonte do Pacífico como espécie. A descoberta também ajuda a visualizar a escala temporal do Pleistoceno, período explicado neste guia sobre a Era do Gelo.

Da reserva natural para o laboratório

Depois de ser retirado do riacho, o molar foi doado pela Midpen à Doerr School of Sustainability, da Universidade Stanford, em julho de 2026. A instituição deverá realizar a datação por carbono, procedimento usado para estimar com maior precisão a idade de materiais orgânicos preservados.

A indicação de pelo menos 10 mil anos ainda é uma referência inicial. O resultado laboratorial poderá esclarecer quando o animal viveu e ajudar os pesquisadores a comparar o fóssil com outros restos de mastodontes encontrados no oeste norte-americano. Essa etapa é importante porque o fim do Pleistoceno foi marcado por mudanças ambientais e pelo desaparecimento de grandes mamíferos em várias partes do continente.

O estado de conservação é outro ponto central. Um molar completo preserva mais informações do que fragmentos dispersos e pode ser medido, fotografado e comparado com outros exemplares. Ainda assim, um único dente não resolve sozinho questões como dieta, causa da morte ou o motivo pelo qual o mastodonte do Pacífico desapareceu.

Após a análise, a reserva planeja produzir uma réplica tridimensional do molar para atividades de divulgação e educação. A cópia permitirá que estudantes e visitantes conheçam o achado sem que o original precise ser manuseado repetidamente, reduzindo o risco de danos a uma peça que atravessou milhares de anos.

O que a descoberta ensina fora da Califórnia

Para quem acompanha ciência e biodiversidade na Amazônia, o episódio mostra como projetos de conservação podem revelar informações que não estavam no objetivo inicial da pesquisa. O trabalho começou com uma espécie viva ameaçada, a rã-de-pernas-vermelhas-da-Califórnia, e acabou recuperando evidências de uma fauna extinta.

Não há, no material divulgado, indicação de que o mastodonte do Pacífico tenha vivido na Amazônia. A conexão com a região está no método: levantamentos de campo, recuperação de áreas e preservação de exemplares podem ampliar o conhecimento sobre a história natural de diferentes territórios, inclusive quando o resultado aparece fora do planejamento original.

O achado também reforça a importância de não remover objetos potencialmente fósseis sem avaliação especializada. No caso californiano, a identificação veio de profissionais que reconheceram o formato e encaminharam a peça para instituições capazes de estudá-la, datá-la e conservar seus dados.

A próxima etapa será o trabalho da Universidade Stanford, que deverá estabelecer uma idade mais precisa para o molar. Depois disso, a réplica 3D prevista pela Midpen poderá levar o fóssil ao público e transformar uma descoberta casual em material permanente de educação científica.

Com informações de Midpeninsula Regional Open Space.

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