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NASA reúne 16 galáxias em nova galeria de raios X e revela jatos, colisões e ventos de milhões de graus

NASA reúne 16 galáxias em nova galeria de raios X e revela jatos, colisões e ventos de milhões de graus
Foto: phys.org

Imagens combinam dados do Chandra com observações de telescópios espaciais e terrestres para mostrar como as galáxias evoluem.

Algumas galáxias parecem joias tranquilas quando vistas no céu, mas uma nova galeria da NASA revela que muitas delas escondem explosões, colisões e jatos capazes de atravessar milhares de anos-luz. Divulgado em 25 de agosto de 2026 pelo Chandra X-ray Center, o conjunto reúne 16 imagens produzidas com dados do Observatório de Raios X Chandra e de outros telescópios, como James Webb, Hubble, IXPE, Swift e NuSTAR.

As imagens mostram galáxias espirais, elípticas, irregulares e sistemas em interação. Juntas, elas ajudam astrônomos a investigar como esses grandes conjuntos de estrelas nascem, envelhecem, formam novos astros, absorvem gás e mudam depois de encontros gravitacionais.

O que os raios X revelam sobre as galáxias

Quando uma galáxia é observada apenas na luz visível, parte importante de sua atividade permanece escondida. Os raios X permitem enxergar regiões extremamente energéticas, como gases aquecidos a milhões de graus, restos de estrelas que explodiram e partículas aceleradas por buracos negros.

Segundo o Chandra X-ray Center, a galeria divulgada em 25 de agosto de 2026 reúne 16 imagens de galáxias construídas com dados acumulados pelo observatório ao longo de décadas no espaço. A combinação com outros comprimentos de onda produz uma visão mais completa dos fenômenos que moldam esses sistemas.

Esse tipo de observação também ajuda a explicar a origem de elementos químicos presentes na Terra. Ventos produzidos por estrelas massivas, explosões estelares e jatos de buracos negros espalham material pelo espaço. Parte desses elementos pode, ao longo de bilhões de anos, participar da formação de novas estrelas, planetas e dos componentes encontrados nos seres vivos.

Espirais mostram nascimento e destruição de estrelas

Entre os destaques estão as galáxias espirais Messier 33 e NGC 3938, observadas de frente. Essa posição oferece uma visão ampla dos braços espirais, regiões onde aparecem pares de estrelas energéticas e áreas marcadas por explosões cósmicas.

As espirais barradas NGC 1672 e NGC 1385 apresentam estruturas alongadas no centro, formadas por estrelas, gás e poeira. Essas barras funcionam como caminhos gravitacionais que conduzem material para as regiões internas da galáxia, alimentando episódios de formação estelar.

A NGC 4725 acrescenta outra pista sobre a transformação das galáxias. Seus processos de formação de estrelas podem estar relacionados a uma colisão anterior com outra galáxia. O encontro não precisa destruir completamente os sistemas para alterar sua estrutura e despertar novas regiões de nascimento estelar.

Já a NGC 4631, conhecida como Galáxia da Baleia, e a Messier 82, chamada Galáxia do Cigarro, aparecem em uma posição lateral. As imagens revelam halos gigantes e superventos de gás com milhões de graus, lançados a milhares de anos-luz por explosões intensas de estrelas.

Buracos negros lançam energia para muito longe

O centro de algumas galáxias abriga buracos negros supermassivos em crescimento. Embora não possam ser vistos diretamente, eles denunciam sua presença ao liberar energia, formar jatos de partículas e alterar o gás ao redor.

Na galáxia Centaurus A, os dados do Chandra e do IXPE mostram um jato de partículas de alta energia que se estende por dezenas de milhares de anos-luz a partir do núcleo. É uma estrutura capaz de influenciar regiões muito distantes do centro galáctico.

Na Messier 106, os jatos associados ao buraco negro central aquecem o gás circundante e ajudam a formar braços espirais diferentes daqueles encontrados em galáxias espirais comuns. O caso mostra que a aparência de uma galáxia pode ser resultado da ação combinada de estrelas, gás, poeira e atividade do seu núcleo.

A famosa Galáxia do Sombrero, ou Messier 104, também aparece na seleção. Ela possui uma grande concentração de estrelas no centro, faixas de poeira e um halo difuso de gás muito quente. Os raios X ainda identificam restos estelares quentes espalhados pela região.

Colisões transformam a paisagem cósmica

Outra parte da galeria acompanha galáxias submetidas a grandes perturbações gravitacionais. Na Arp 143, o impacto direto entre galáxias produz uma estrutura em forma de anel e desencadeia ondas de nascimento de estrelas, como se uma colisão cósmica tivesse deixado marcas visíveis em toda a paisagem.

As galáxias NGC 3256 e II Zw 096 revelam fusões violentas e regiões de formação estelar escondidas por poeira. Esses sistemas oferecem aos astrônomos uma oportunidade de estudar processos semelhantes aos que eram mais comuns no universo primitivo.

A seleção inclui ainda a NGC 1569, usada como laboratório relativamente próximo para investigar surtos de formação de estrelas parecidos com os ocorridos no universo jovem. A NGC 660 chama atenção por possuir um raro anel polar, no qual um conjunto de estrelas orbita em uma direção diferente da estrutura principal da galáxia.

Na Messier 90, a galáxia espiral atravessa o aglomerado de Virgem. Durante esse movimento, o gás necessário para formar estrelas é arrancado de sua estrutura pela pressão do ambiente, um processo que pode reduzir sua capacidade de produzir novos astros.

O que a galeria ensina sobre a Via Láctea

Observar outras galáxias é também uma maneira de estudar a história da Via Láctea. Cada sistema funciona como um exemplo de uma etapa possível: crescimento, formação estelar, interação com vizinhas, envelhecimento ou transformação provocada por um buraco negro central.

As colisões retratadas na galeria também ajudam a visualizar o futuro distante da nossa galáxia. A Via Láctea deverá se fundir com a galáxia de Andrômeda em uma escala de tempo cósmica, embora o processo esteja muito distante da experiência humana cotidiana.

Para quem observa o céu na Amazônia, seja no Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima ou Tocantins, a galeria oferece uma nova forma de interpretar os pontos luminosos visíveis em noites de pouca nebulosidade. A Via Láctea deixa de ser apenas uma faixa esbranquiçada no céu e passa a ser entendida como uma estrutura dinâmica, feita de estrelas, gás, poeira, campos de energia e movimentos que continuam por bilhões de anos.

A galeria completa pode ser consultada na página oficial do Chandra X-ray Center, que reúne informações sobre as observações em raios X e os projetos do observatório. A divulgação das imagens amplia o acesso a dados que serão usados em novos estudos sobre formação estelar, buracos negros e evolução galáctica.

O próximo passo é comparar essas observações com dados de outros telescópios e aprofundar a investigação sobre como as galáxias mudam ao longo do tempo.

Com informações de Chandra X-ray Center.

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