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Setembro reúne nove encontros no céu, leva Venus ao brilho máximo e encerra a melhor temporada da Via Láctea

Setembro reúne nove encontros no céu, leva Venus ao brilho máximo e encerra a melhor temporada da Via Láctea
Foto: Divulgação

A agenda astronômica de setembro de 2026 combina conjunções entre Lua e planetas, galáxias e chance maior de auroras.

Quem olhar para o céu em setembro de 2026 poderá acompanhar uma espécie de coreografia cósmica: a Lua passará perto de Marte e Júpiter, Vênus aparecerá em seu ponto mais luminoso do ano e Saturno acompanhará a Lua cheia. O mês ainda reserva uma das últimas oportunidades de observar o centro da Via Láctea no Hemisfério Norte e mantém Andrômeda como alvo durante todas as noites.

A programação foi reunida pela National Geographic e inclui nove momentos de observação. As datas servem como referência para observadores de diferentes regiões, mas o horário exato depende do local, do horizonte disponível e das condições meteorológicas. No Brasil, inclusive nos estados da Amazônia, a recomendação é conferir o céu na direção indicada e adaptar os horários à realidade da cidade ou comunidade onde a pessoa estiver.

A primeira semana começa antes do amanhecer

Nos dias 6 e 7 de setembro, a Lua crescente e Marte estarão separados por aproximadamente três graus no céu. A dupla deverá surgir sobre o horizonte leste por volta das 3h, no horário local. Cerca de 90 minutos depois, Júpiter aparecerá formando uma linha diagonal atrás dos dois astros. Saturno também poderá ser visto na direção sudoeste antes do nascer do Sol.

No dia 8, será a vez de a Lua se aproximar de Júpiter. O melhor momento para procurar os dois será por volta das 4h, novamente acima do horizonte leste. Eles continuarão visíveis até a chegada da luz solar, que pouco a pouco reduz o contraste do céu e apaga os objetos mais fracos.

Esses encontros são chamados de conjunções aparentes. Lua e planetas não ficam realmente próximos uns dos outros no espaço. O efeito acontece porque, vistos da Terra, eles parecem ocupar regiões vizinhas do céu. É justamente essa perspectiva que cria desenhos fáceis de reconhecer, mesmo para quem não costuma observar astronomia.

A escuridão abre caminho para a Via Láctea

Entre 11 e 12 de setembro, a Lua nova deixará as noites praticamente sem claridade lunar. Essa é uma das melhores fases para observar estrelas, nebulosas e galáxias, principalmente longe da iluminação artificial. Em áreas rurais, unidades de conservação e comunidades afastadas dos grandes centros, o céu escuro pode revelar estruturas que ficam escondidas nas cidades.

O período também marca uma das últimas boas janelas de 2026 para observar o centro da Via Láctea no Hemisfério Norte. Depois de novembro, essa região da nossa galáxia deixará de aparecer novamente até a primavera. Para o leitor da Amazônia, a experiência dependerá da latitude e da posição do horizonte, mas a regra continua útil: quanto menor a poluição luminosa e mais limpo o tempo, maior a chance de enxergar a faixa esbranquiçada da galáxia.

Lua e Vênus mudam o horário do passeio

Em 14 de setembro, a observação não exigirá madrugada. Pouco depois do pôr do Sol, uma fina Lua crescente ficará a cerca de cinco graus de Vênus sobre o horizonte oeste. Os dois astros permanecerão visíveis por aproximadamente uma hora, antes de desaparecerem abaixo da linha do horizonte.

Quatro dias depois, em 18 de setembro, Vênus atingirá magnitude de -4,8, o ponto mais brilhante de sua aparição vespertina em 2026. A escala astronômica usa números menores para representar objetos mais luminosos. A Lua cheia, por exemplo, chega a cerca de -12. Mesmo sem equipamentos, Vênus costuma ser fácil de localizar, inclusive em áreas urbanas. Mercúrio estará próximo e poderá ser procurado na mesma região do céu.

Setembro reúne nove encontros no céu, leva Venus ao brilho máximo e encerra a melhor temporada da Via Láctea
Foto: Divulgação

Segundo a National Geographic, Vênus alcançará magnitude -4,8 em 18 de setembro de 2026, durante sua aparição no céu do começo da noite. O número não significa que o planeta mudará visivelmente de tamanho, mas indica o auge de seu brilho nesse período.

O equinócio abre a temporada de auroras

O outono começará oficialmente no Hemisfério Norte na noite de 22 de setembro. A mudança de estação também costuma despertar interesse de quem acompanha as auroras boreais. Segundo a explicação apresentada pela National Geographic, a inclinação da Terra durante os equinócios pode criar condições mais favoráveis para a ação do vento solar.

Isso não é uma promessa de aurora em uma data específica. Esses fenômenos dependem da atividade do Sol e são difíceis de prever com muita antecedência. O pico de 11 anos da atividade auroral, conhecido como máximo solar, pode ter passado, mas ainda são esperados espetáculos expressivos, sobretudo em latitudes próximas do Ártico.

Para os moradores do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, essa parte da agenda tem uma diferença importante: auroras boreais não fazem parte do céu amazônico cotidiano. O interesse regional está na ciência por trás do fenômeno e no acompanhamento de alertas de atividade solar, que ajudam a entender como o Sol influencia a atmosfera terrestre e os sistemas de comunicação.

Marte ganha companhia e Saturno segue a Lua cheia

Na manhã de 25 de setembro, Marte se alinhará quase perfeitamente com Castor e Pollux, as estrelas mais conhecidas da constelação de Gêmeos. Castor ficará acima, Pollux no meio e Marte, com seu tom alaranjado, abaixo. Júpiter aparecerá mais perto do horizonte, completando a paisagem celeste.

Na noite de 26 de setembro, a Lua cheia do período, conhecida como Lua da colheita, nascerá perto do pôr do Sol. O instante de iluminação máxima ocorrerá pouco antes das 13h no horário do leste dos Estados Unidos, por isso a melhor experiência será acompanhar o nascimento ou o desaparecimento do disco lunar no horizonte.

Perto do horizonte, a Lua pode parecer maior e mais alaranjada. O efeito é uma ilusão óptica, não uma mudança real no tamanho do satélite. Saturno surgirá logo depois e permanecerá a cerca de seis graus da Lua durante a noite. Com telescópio, também será possível tentar localizar Netuno nas proximidades.

Andrômeda permanece como desafio para o mês inteiro

Além dos encontros marcados no calendário, setembro oferece um alvo profundo: a galáxia de Andrômeda. Ela está a cerca de 2,5 milhões de anos-luz da Terra, é a galáxia espiral de grande porte mais próxima da Via Láctea e tem aproximadamente o dobro do diâmetro da nossa galáxia.

Em um céu muito escuro, Andrômeda pode aparecer a olho nu como uma mancha esmaecida. Binóculos ou um telescópio pequeno tornam a observação mais evidente. O melhor momento costuma ser quando ela alcança a parte mais alta do céu, por volta da meia-noite ou 1h, no horário local.

Para quem pretende acompanhar a agenda, um aplicativo de mapa celeste, uma lanterna com luz vermelha e alguns minutos de adaptação à escuridão ajudam mais do que equipamentos sofisticados. A próxima oportunidade destacada no calendário será o encontro entre Lua e Marte, em 6 e 7 de setembro, seguido pela aproximação da Lua com Júpiter no dia 8.

Com informações de National Geographic.

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