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Poluição luminosa apaga estrelas, confunde animais e muda o céu…

Eclipse lunar parcial cobre 96% da Lua nesta semana e deixa Américas na melhor posição para observar o fenômeno

Eclipse lunar parcial cobre 96% da Lua nesta semana e deixa Américas na melhor posição para observar o fenômeno
Foto: phys.org

Evento poderá ser visto na noite de quinta-feira e durante a madrugada de sexta, se o céu estiver aberto.

A Lua vai desaparecer quase por completo do céu na noite de quinta-feira, 27 de agosto, e na madrugada de sexta-feira, 28. Um eclipse lunar parcial fará a sombra da Terra cobrir cerca de 96% da superfície lunar, em um fenômeno que terá as Américas como principal região de observação. O auge ocorrerá pouco depois da meia-noite no horário de verão do leste dos Estados Unidos, durante uma fase parcial que vai durar mais de três horas.

Quase toda a Lua ficará escondida pela sombra

O eclipse começa quando a Lua cheia atravessa a região mais externa da sombra terrestre. Esse primeiro estágio é discreto, porque a penumbra apenas reduz parte do brilho do satélite. Depois, a Lua entra na sombra principal e passa a ter a aparência de um disco quase apagado.

Como o alinhamento entre Sol, Terra e Lua não será perfeito, o evento não é classificado como eclipse lunar total. Por isso, a Lua não ficará completamente coberta nem apresentará, necessariamente, o tom vermelho intenso associado à chamada Lua de sangue. Ainda assim, a cobertura de 96% fará deste um dos eclipses parciais mais profundos observáveis nos últimos anos.

Segundo a Associated Press, o eclipse lunar parcial de 27 para 28 de agosto de 2026 cobrirá aproximadamente 96% da superfície da Lua e terá seu auge pouco depois da meia-noite no horário do leste dos Estados Unidos.

Américas terão a melhor janela para observar

Quase 1 bilhão de pessoas nos Estados Unidos, no Canadá e em países da América Central e da América do Sul estarão em posição de acompanhar todas as etapas do eclipse. A visibilidade, porém, dependerá das condições meteorológicas e da quantidade de nuvens em cada local.

No Brasil, a observação será possível em diferentes regiões durante a madrugada. Moradores dos estados amazônicos, como Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins e Maranhão, poderão tentar acompanhar o fenômeno longe de áreas com muita iluminação artificial. Locais com horizonte aberto e baixa nebulosidade oferecem melhores condições.

O evento também poderá ser visto em partes da Europa, da África e do Oriente Médio. Nesses locais, a Lua estará se pondo enquanto o eclipse ainda estiver em andamento, o que reduzirá o tempo disponível para observação. No Havaí e em áreas do noroeste dos Estados Unidos e do Canadá, o satélite nascerá já durante o fenômeno.

Por que a Lua muda de aparência

Durante um eclipse lunar, a Terra fica posicionada entre o Sol e a Lua. O planeta bloqueia parte da luz solar que normalmente ilumina o satélite, projetando uma sombra sobre sua superfície. A atmosfera terrestre desvia parte da luz vermelha e alaranjada para dentro dessa sombra, o que pode alterar a coloração da Lua.

A tonalidade observada varia conforme a quantidade de poeira, fumaça e partículas presentes na atmosfera. Por isso, algumas regiões podem enxergar um disco acobreado, enquanto outras verão uma Lua mais escura e pouco colorida. No eclipse de agosto, como a cobertura não será total, a área ainda iluminada deverá permanecer visível.

Eclipses lunares e solares costumam ocorrer em pares porque dependem de uma configuração orbital semelhante. Duas semanas antes deste evento, um eclipse solar total atravessou a Groenlândia, a Islândia e a Espanha. A diferença é que o eclipse lunar pode ser observado de uma área muito maior da Terra, enquanto o solar total fica restrito a uma faixa estreita.

Um espetáculo visto também do espaço

O eclipse acontece em um período de grande atenção internacional à Lua. Em abril, a missão Artemis II levou astronautas da NASA a um sobrevoo lunar considerado um marco para os planos de retorno humano à superfície do satélite. A agência espacial norte-americana trabalha com a perspectiva de futuras missões que envolvam bases, equipamentos robóticos e presença humana prolongada.

O fenômeno também poderá ser acompanhado por astronautas em órbita. A Estação Espacial Internacional abriga atualmente integrantes de diferentes equipes, enquanto a China mantém pessoas em sua própria estação orbital. Para quem observa do espaço, a experiência oferece uma perspectiva diferente, com a sombra da Terra avançando sobre a Lua e o planeta aparecendo no mesmo campo de visão.

“Este é um ótimo momento para fazer parte do programa espacial. Não estamos diminuindo o ritmo”, afirmou o astronauta da NASA Jack Hathaway à Associated Press, ao comentar a sequência de missões e eventos astronômicos recentes.

Como acompanhar o eclipse no Brasil

Não é necessário usar telescópio para observar um eclipse lunar. A olho nu, será possível perceber a redução do brilho e o avanço da sombra sobre a Lua. Binóculos podem ajudar a identificar com mais detalhes a transição entre a parte iluminada e a região escurecida.

Ao contrário dos eclipses solares, a observação lunar não exige filtros especiais para proteger a visão. Mesmo assim, o ideal é escolher um local seguro, afastado de postes e prédios altos. Aplicativos de astronomia podem ajudar a localizar a Lua, mas a observação depende principalmente de um céu limpo.

O eclipse de agosto será o segundo eclipse lunar do ano e o quarto eclipse de 2026. Quem perder o fenômeno terá de esperar até a virada de 2028 para acompanhar outro eclipse lunar total, que terá a Ásia e a Austrália como áreas privilegiadas. Nas Américas, a próxima oportunidade de observar um apagão completo da Lua só ocorrerá em 2029.

O que muda para quem estiver na Amazônia

Na Amazônia, a principal dificuldade será a cobertura de nuvens, especialmente em áreas sujeitas a pancadas de chuva durante a noite. Mesmo assim, comunidades rurais, observadores amadores e grupos de astronomia poderão aproveitar a menor poluição luminosa de muitos municípios para acompanhar a fase mais escura.

O melhor momento será durante a madrugada de sexta-feira, quando a sombra atingir sua maior extensão. Depois do pico, a Lua começará a recuperar gradualmente o brilho até deixar a sombra da Terra. O próximo passo para os observadores é consultar a previsão do tempo e buscar um ponto com visão desimpedida do céu na noite do evento.

Com informações de Associated Press.

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