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NASA reúne 16 galáxias em galeria de raios X e revela como estrelas e buracos negros moldam o cosmos

NASA reúne 16 galáxias em galeria de raios X e revela como estrelas e buracos negros moldam o cosmos
Foto: Divulgação

Imagens combinam dados do Chandra com observações do Webb, Hubble e outros telescópios para comparar diferentes fases galácticas.

Uma galeria divulgada pela NASA transforma 16 galáxias em um inventário visual de colisões, formação estelar, gás superaquecido e atividade de buracos negros. As imagens foram montadas a partir de dados do Observatório de Raios X Chandra, reunidos ao longo de décadas, e combinadas com observações feitas por telescópios espaciais e instrumentos instalados em solo.

O resultado não é apenas uma coleção de fotografias coloridas. Cada tonalidade representa uma faixa diferente de informação, capaz de revelar estruturas que não aparecem na luz visível. Para quem observa a Via Láctea a partir da Amazônia, a comparação oferece uma maneira de entender que a galáxia onde está o Sistema Solar também passa por processos de formação de estrelas, circulação de gás e influência de seu buraco negro central.

Um catálogo de galáxias em diferentes fases

A seleção reúne os três grandes grupos usados pelos astrônomos para classificar galáxias: espirais, elípticas e irregulares. As espirais possuem braços que partem da região central e concentram gás, poeira e estrelas. As elípticas são, em geral, mais antigas e podem resultar de fusões entre galáxias. Já as irregulares abrangem sistemas com formas e processos variados.

Segundo a NASA, a galeria publicada em 25 de agosto de 2026 reúne 16 imagens de galáxias com dados de raios X do Chandra combinados a observações de telescópios como James Webb, Hubble, IXPE, Swift e NuSTAR, além de equipamentos em terra.

A escolha dos instrumentos é parte essencial da leitura. O Chandra identifica fontes de alta energia, como gás aquecido, remanescentes de supernovas e sistemas que envolvem buracos negros. O Webb observa principalmente o infravermelho e atravessa parte da poeira que bloqueia a luz visível. O Hubble registra estruturas ópticas, enquanto o Swift acrescenta informações no ultravioleta.

O que aparece nos principais registros

Em NGC 1672, uma galáxia espiral barrada, uma faixa central de estrelas conduz gás em direção ao núcleo. Os raios X indicam atividade de buracos negros ao longo da barra e na região central. A estrutura interessa especialmente porque a Via Láctea também é uma espiral barrada, o que permite usar a galáxia vizinha como referência para estudar o fluxo de gás e a formação de novas estrelas.

O sistema II Zw 096 mostra outro cenário. Trata-se de uma fusão caótica de galáxias, coberta por poeira e com intensa produção de estrelas. A combinação dos dados aponta para atividade de buracos negros e gás quente, enquanto as observações infravermelhas revelam regiões de nascimento estelar escondidas no interior das nuvens.

Na galáxia M33, relativamente próxima e observada de frente, os braços espirais ficam expostos. O Chandra destaca fontes pontuais, entre elas estrelas de nêutrons e buracos negros de massa estelar que retiram material de estrelas companheiras. Dados ópticos mapeiam bolsões de hidrogênio brilhante, e o ultravioleta evidencia populações de estrelas jovens e massivas espalhadas pelos braços.

Quando o buraco negro altera a forma da galáxia

NGC 4258, também conhecida como M106, apresenta dois braços adicionais formados por gás quente. Eles não correspondem aos braços espirais tradicionais, compostos principalmente por estrelas. As observações do Chandra mostram ondas de choque geradas por jatos lançados pelo buraco negro central, enquanto Hubble e Webb registram estrelas e filamentos de poeira.

Esse exemplo ajuda a separar aparência e origem. Uma estrutura que se parece com um braço galáctico pode ter sido produzida pela energia liberada por um buraco negro, e não pela concentração habitual de estrelas, gás frio e poeira. O fenômeno também mostra que o núcleo de uma galáxia pode influenciar regiões muito além de seu centro.

Na NGC 1569, uma galáxia anã irregular, a força dominante é a formação acelerada de estrelas. Observações do Chandra e do XMM-Newton revelam grandes bolhas de gás com milhões de graus, infladas pelos ventos de estrelas massivas. Sistemas desse tipo são usados como laboratórios próximos para investigar condições semelhantes às existentes no Universo primitivo.

Colisões, gás perdido e pistas sobre a Via Láctea

A galáxia espiral M90 registra uma transformação provocada pelo ambiente. Ao atravessar em alta velocidade o gás quente do aglomerado de Virgem, ela perde parte do próprio gás. A imagem de campo amplo mostra filamentos de hidrogênio que se estendem por mais de 300 mil anos-luz atrás do sistema, como um rastro deixado durante a queda no aglomerado.

Esse tipo de interação revela que a evolução de uma galáxia não depende apenas de seus processos internos. A densidade do ambiente, a velocidade do deslocamento e a presença de outras galáxias podem retirar matéria-prima necessária para o nascimento de estrelas.

A leitura conjunta dos 16 registros também ajuda a reconstruir a história da Via Láctea. Galáxias espirais, anãs, sistemas em fusão e galáxias submetidas a ambientes extremos funcionam como diferentes capítulos de uma mesma investigação: como as estrelas surgem, como o gás se movimenta e de que modo buracos negros influenciam seus arredores.

Para os estados amazônicos, a conexão mais direta está na observação do céu. A baixa iluminação artificial em áreas afastadas dos grandes centros pode favorecer a identificação da faixa da Via Láctea, mas a visão a olho nu não revela raios X, jatos ou gás de milhões de graus. Esses componentes dependem de observatórios especializados e de imagens compostas, como as apresentadas pela NASA.

Por que as cores não são fotografias comuns

As cores aplicadas às imagens representam dados obtidos em diferentes comprimentos de onda. O roxo, o azul ou o magenta usados nas informações do Chandra indicam emissões de raios X, e não a cor que seria percebida por uma pessoa olhando diretamente para a galáxia. O branco, o amarelo e os tons claros podem corresponder à luz óptica, enquanto vermelho e laranja aparecem associados a estruturas infravermelhas ou à poeira observada pelo Webb.

Por isso, cada imagem funciona como um mapa físico. Em vez de mostrar apenas a aparência externa de uma galáxia, ela sobrepõe pistas sobre temperatura, composição, formação estelar e atividade central. A principal consequência é ampliar a escala da análise: os astrônomos conseguem relacionar fenômenos microscópicos, como sistemas binários de estrelas, a estruturas que se estendem por milhares ou milhões de anos-luz.

A galeria foi publicada pela NASA em 25 de agosto de 2026, e os dados do Chandra usados no conjunto foram acumulados durante suas décadas de operação no espaço. A continuidade dessas observações permitirá comparar novas imagens e refinar o entendimento sobre o passado e o futuro das galáxias analisadas.

Com informações de NASA.

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