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Hubble registra queda na formação de estrelas de Andrômeda e aponta anel de 32 mil anos-luz

Hubble registra queda na formação de estrelas de Andrômeda e aponta anel de 32 mil anos-luz
Foto: newswise.com

Estudo analisou cerca de 200 milhões de estrelas e identificou uma desaceleração acentuada nos últimos 40 milhões de anos.

Mosaico da galáxia de Andrômeda produzido com dados do telescópio Hubble
Imagem de Andrômeda produzida a partir de dados do telescópio Hubble. Crédito: NASA, ESA, STScI, Greg Bacon, Tobin Wainer e Joseph DePasquale.

Imagine uma galáxia do tamanho da Via Láctea diminuindo lentamente o ritmo de nascimento de suas estrelas. Foi isso que astrônomos encontraram em Andrômeda, a grande vizinha da Terra, após analisar cerca de 200 milhões de estrelas observadas pelo telescópio espacial Hubble. O estudo, divulgado em 27 de julho de 2026, indica que a formação estelar caiu ao longo dos últimos 500 milhões de anos e despencou ainda mais nos 40 milhões de anos mais recentes.

Andrômeda está a aproximadamente 2,5 milhões de anos-luz da Terra e pode ser vista a olho nu em locais com céu escuro. Por estar relativamente próxima em termos cósmicos, ela funciona como um laboratório natural para investigar como galáxias espirais, como a própria Via Láctea, envelhecem e mudam ao longo do tempo.

O que o Hubble encontrou em Andrômeda

Os pesquisadores combinaram dados de dois grandes levantamentos realizados pelo Hubble, o Panchromatic Hubble Andromeda Treasury e o Panchromatic Hubble Andromeda Southern Treasury. Juntos, os projetos mapearam aproximadamente dois terços do disco de Andrômeda com resolução suficiente para distinguir estrelas individuais.

Essa diferença é importante. Em vez de observar apenas manchas luminosas, os astrônomos conseguiram examinar a idade e a distribuição de estrelas espalhadas por diferentes regiões da galáxia. Para isso, dividiram as imagens em milhares de quadrados, cada um com 300 anos-luz de lado, e reconstruíram a história da formação estelar em cada área.

Segundo o Space Telescope Science Institute, a taxa de formação de estrelas em Andrômeda era de aproximadamente uma massa equivalente à do Sol por ano há 500 milhões de anos. Cerca de 40 milhões de anos atrás, esse índice havia caído para a metade. Atualmente, a galáxia forma estrelas a uma taxa estimada em apenas um quinto da massa do Sol por ano.

Um anel concentra a maior parte da mudança

A queda não aconteceu de maneira uniforme em todo o disco galáctico. A maior parte da formação estelar recente de Andrômeda ocorreu em um anel localizado a cerca de 32 mil anos-luz do centro. Como a atividade diminuiu especialmente nessa faixa, ela também responde por uma parcela significativa da redução observada pelos cientistas.

As cores das estrelas ajudaram a revelar esse processo. Estrelas muito massivas são mais azuis, mas vivem por períodos relativamente curtos. Já estrelas menos massivas tendem a ser mais avermelhadas e duram muito mais tempo. Assim, áreas azuladas indicam formação estelar recente, enquanto regiões mais vermelhas sugerem que o nascimento de estrelas perdeu força há mais tempo.

Entenda o caso

Andrômeda é uma galáxia espiral comparável em tamanho à Via Láctea. Estudos anteriores indicam que ela passou por um intenso episódio de formação de estrelas há cerca de 2 bilhões de anos, possivelmente associado à interação ou fusão com outra galáxia.

A nova pesquisa não descreve uma interrupção completa do nascimento de estrelas. O que aparece é uma desaceleração gradual, semelhante ao momento em que uma pessoa reduz o ritmo depois de uma corrida longa. Os autores avaliam que o fenômeno pode representar um processo natural após uma fase de atividade mais intensa.

A galáxia M32 é a possível responsável?

Os astrônomos também investigaram a proximidade de M32, uma pequena galáxia satélite de Andrômeda. Os dois objetos estão separados por cerca de 16 mil anos-luz no plano do céu, mas a distância real entre eles ainda não é conhecida com precisão, porque sua posição tridimensional permanece incerta.

A região de Andrômeda próxima de M32 apresenta sinais de redução na formação de estrelas. A análise indica que essa queda teria começado aproximadamente 60 milhões de anos atrás, um período que pode ajudar a estimar quando ocorreu uma possível interação entre as duas galáxias.

“Não podemos afirmar explicitamente que estamos vendo uma diminuição na formação de estrelas por causa de M32. Mas ela está ali e é, sem dúvida, a principal suspeita”, afirmou Tobin Wainer, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade de Washington.

A cautela é necessária porque os dados ainda não comprovam uma relação direta de causa e efeito. A posição real de M32 e a história de seus possíveis encontros com Andrômeda continuam sendo investigadas. Portanto, a influência da galáxia satélite é uma hipótese plausível, não uma conclusão definitiva.

Por que essa descoberta importa para a Via Láctea

O levantamento ajuda a responder como uma galáxia espiral passa de uma fase de intensa produção de estrelas para um período mais calmo. A comparação pode ser útil para compreender a trajetória futura da Via Láctea e de outras galáxias observadas em diferentes estágios de evolução.

O estudo foi publicado no periódico científico The Astrophysical Journal. Para a astronomia brasileira e amazônica, a pesquisa também reforça a importância de observar o céu em locais com baixa poluição luminosa. Em áreas rurais e remotas da Amazônia, incluindo partes do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, condições de céu escuro favorecem a observação de Andrômeda, embora o estudo tenha sido feito com dados espaciais.

Os pesquisadores pretendem combinar o arquivo do Hubble com observações de telescópios instalados em solo. A próxima grande etapa deverá ocorrer com o telescópio espacial Nancy Grace Roman, cujo lançamento estava previsto pela NASA para ocorrer a partir de 30 de agosto de 2026, caso o cronograma fosse mantido.

O Roman poderá observar uma área pelo menos 100 vezes maior que a coberta pelo Hubble em uma única observação no infravermelho. Um programa aprovado pretende mapear todo o disco de Andrômeda e partes de seu halo, permitindo estudar centenas de milhões de estrelas e refinar a história da galáxia.

Perguntas frequentes

Andrômeda parou de formar estrelas?

Não. A galáxia continua formando estrelas, mas em ritmo muito menor. A taxa atual foi estimada em cerca de um quinto da massa do Sol por ano.

Onde ocorreu a maior queda?

A principal redução foi identificada em um anel de formação estelar localizado a aproximadamente 32 mil anos-luz do centro de Andrômeda.

M32 causou a desaceleração?

Ainda não há comprovação. A proximidade e o momento da redução fazem de M32 uma possível responsável, mas os pesquisadores tratam essa conexão como hipótese.

Novas análises dos dados do Hubble e futuras observações do telescópio Roman deverão esclarecer se M32 realmente influenciou a desaceleração e como Andrômeda seguirá evoluindo.

Com informações de Space Telescope Science Institute.

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