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Navios-hotel ancoram em Outeiro e transformam o Porto em vitrine da COP30

Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará
Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará

Belém – O distrito de Outeiro, em Belém, amanheceu em festa nesta terça-feira (4). A enseada, tradicional ponto de travessia e pescaria, virou cenário de um acontecimento histórico: a ancoragem dos dois primeiros navios de cruzeiro que funcionarão como hotéis flutuantes durante a COP30, conferência global do clima que começa nos próximos dias.

A operação, contratada pelo Governo Federal em parceria com o Governo do Pará e coordenada pela Casa Civil, amplia a oferta de hospedagem na capital amazônica, garantindo 5 mil leitos distribuídos em mais de 3,9 mil cabines. Os transatlânticos vão receber delegações, técnicos, jornalistas e trabalhadores envolvidos na logística do evento climático.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, acompanhou pessoalmente o desembarque, ao lado da diretora de operações da Secretaria de Comunicação e Operações Logísticas da COP30 (Secop), Gabriela Lima, e do presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), Jardel Silva.

Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará
Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará

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Mobilidade conectada por terra e água

A chegada dos navios coincidiu com o início do novo esquema de deslocamento entre o Porto de Outeiro e o Parque da Cidade, sede da conferência. Linhas exclusivas de ônibus para credenciados conectam os dois pontos com prioridade de tráfego. O trajeto, que antes poderia levar mais de uma hora, agora é feito em 33 minutos e 27 segundos, cronometrados pelo próprio ministro Rui Costa.

“É mais rápido do que sair de muitos bairros de Belém. Esses navios representam segurança e conforto, com a vantagem da proximidade e da experiência amazônica”, afirmou o ministro, destacando o papel da nova Ponte de Outeiro, entregue recentemente pelo governo estadual, como elo essencial da operação logística.

O trajeto integra um esquema de mobilidade 24 horas, com transporte interno entre o porto, o aeroporto e o centro de convenções. Sinalização bilíngue, mapas de referência e uma equipe de voluntários treinados em atendimento a visitantes internacionais completam o sistema.

Um porto para o futuro da Amazônia

Além de servir à COP30, o Porto de Outeiro se consolida como novo ponto estratégico para o turismo internacional na Amazônia. A revitalização do terminal incluiu reformas estruturais e a criação de uma ampla área de recepção, apta a receber navios de grande porte e fluxos de passageiros simultâneos.

“O que entregamos aqui é mais do que infraestrutura: é um legado”, afirmou Jardel Silva, da CDP. “Outeiro passa a ser uma nova porta de entrada para o turismo e para a economia sustentável do Pará.”

A operação dos navios-hotel também tem caráter simbólico. Durante o período da conferência, Belém será tratada como capital federal provisória, uma decisão que, segundo Rui Costa, “busca prestigiar o povo paraense e o papel da Amazônia como centro das decisões sobre o futuro climático do planeta”.

Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará
Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará

Belém no mapa do mundo

Com a chegada de delegações internacionais e a transformação logística do porto, Belém se prepara para viver semanas de intensa movimentação global. Hotéis, restaurantes, transporte e comércio local se adaptam para receber visitantes de mais de 190 países.

O modelo de hospedagem em navios é uma solução comum em grandes conferências internacionais, mas ganha no Pará um sentido particular. Além da praticidade, ele reforça o diálogo entre desenvolvimento e sustentabilidade — tema central da COP30.

O distrito de Outeiro, conhecido por sua cultura ribeirinha e culinária típica, agora se torna vitrine da integração entre infraestrutura moderna e preservação ambiental. A operação portuária sustentável, com gestão de resíduos e controle de emissões, integra o plano de neutralidade de carbono da conferência.

Às vésperas do evento, o cenário de Outeiro reflete a imagem que o Brasil quer projetar ao mundo: um país capaz de unir hospitalidade, inovação e compromisso ambiental — onde o avanço econômico navega lado a lado com a responsabilidade climática.

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