
O pirarucu vive dentro da água, mas não consegue permanecer indefinidamente sem alcançar a superfície.
Esse gigante amazônico realiza respiração aérea e precisa emergir periodicamente. Quando sobe, pode produzir um movimento e um som reconhecidos por pescadores experientes.
A característica que ajuda o peixe a sobreviver em águas com pouco oxigênio também se transformou em uma ferramenta de monitoramento.
Leia também
Quatro reservas no Amazonas e parque ampliado no Piauí somam 676 mil hectares protegidos
Besouros passam 156 gerações sob disputa por parceiros e reduzem mutações nocivas sem perder diversidade
Insetos australianos guardados por décadas em museus ganham nomes ligados a Taylor Swift e seus álbunsEm áreas manejadas, equipes treinadas observam a superfície para estimar quantos pirarucus estão presentes.
Por que o pirarucu precisa respirar ar?
A água nem sempre apresenta a mesma quantidade de oxigênio dissolvido.
Temperatura, decomposição de matéria orgânica, profundidade, correnteza e presença de plantas influenciam essas condições. Em alguns ambientes amazônicos, a disponibilidade de oxigênio pode ser baixa.
O pirarucu possui uma estrutura interna modificada que permite aproveitar o ar atmosférico. Por isso, precisa emergir repetidamente.
O intervalo varia conforme tamanho, atividade e condições ambientais.
Essa adaptação permite que ocupe locais onde outros grandes peixes enfrentariam dificuldades.
Um peixe que pode atingir proporções impressionantes
O pirarucu está entre os maiores peixes de água doce com escamas do mundo.
Exemplares podem alcançar cerca de três metros e pesar aproximadamente 200 quilos.
Animais com essas dimensões não são encontrados em todos os locais. A pesca histórica e a pressão sobre as populações reduziram a presença de indivíduos muito grandes em diversas áreas.
Seu tamanho ajudou a transformar a espécie em uma fonte importante de alimento e renda para populações ribeirinhas.
Também a tornou alvo de exploração intensa.
Como funciona a contagem pela respiração?
Contadores treinados permanecem em pontos estratégicos e observam uma área delimitada.
Quando um pirarucu sobe, registram o evento e procuram distinguir indivíduos adultos de animais menores. A experiência ajuda a avaliar distância, tamanho, som e tempo entre as emergências.
O método não consiste em somar indiscriminadamente todos os movimentos na superfície. Um mesmo peixe sobe várias vezes e poderia ser contado repetidamente.
Por isso, a atividade precisa seguir procedimentos e ser realizada por pessoas capacitadas.
O conhecimento de pescadores locais é fundamental. Eles reconhecem sinais que passariam despercebidos para um observador sem experiência.
O manejo busca evitar que a pesca elimine o próprio recurso
Em um sistema de manejo, a pesca não é liberada sem limites.
As populações são monitoradas, uma parcela dos peixes pode ser autorizada para captura e regras são estabelecidas para proteger a reprodução e permitir a recuperação dos estoques.
A pesca é permitida em áreas com manejo autorizado. Há uma regulamentação de 2004 e restrições aplicadas na Bacia Amazônica.
Certificação ajuda o consumidor a reconhecer a origem
O pirarucu comercializado legalmente pode vir de sistemas de manejo ou de criação autorizada.
Conhecer a procedência é importante porque um produto sem rastreabilidade pode estar associado à pesca irregular.
Para o consumidor, alguns cuidados são:
- procurar informações sobre a origem;
- observar registros e documentação do fornecedor;
- desconfiar de preços incompatíveis;
- priorizar estabelecimentos capazes de explicar a cadeia do produto;
- verificar certificações e autorizações aplicáveis.
Consumir um peixe manejado não é o mesmo que consumir qualquer pirarucu disponível no mercado.
O peixe também possui uma vida familiar pouco conhecida
Durante o período reprodutivo, pirarucus formam casais e preparam ninhos.
Depois da eclosão, os adultos protegem os filhotes. O macho exerce papel importante nesse cuidado, e os jovens podem permanecer próximos de sua cabeça.
A captura de reprodutores em momentos críticos pode afetar não apenas um indivíduo, mas todo um grupo de filhotes dependentes.
Por isso, o conhecimento sobre reprodução precisa ser incorporado às regras de uso.
A subida do pirarucu à superfície é uma necessidade biológica. Nas mãos de comunidades treinadas, também se torna uma janela para enxergar o que acontece debaixo da água.
Só restam cerca de 6 mil: peixe nativo da Tasmânia ganha refúgios nos rios para escapar de predador trazido da Inglaterra em 1864
Um resto de remédio chega à água, danifica sinapses em peixes adultos e altera duas funções ligadas ao cérebro após exposição crônica
O chão rachado espalhou poeira pelo Texas por 70 anos, até as marés voltarem e peixes, crustáceos e milhares de aves retomarem o pantanalGostou desta reportagem?
Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.














