
Primeira chamada do Programa Desafios da Amazônia vai financiar até 12 projetos de pesquisa e inovação em cadeias produtivas sustentáveis.
O Pará sediou, nesta quinta-feira (2), durante a II Semana do Clima da Amazônia, o lançamento da primeira chamada pública do Programa Desafios da Amazônia. Segundo as instituições responsáveis, a iniciativa da Amazônia+10 em parceria com o Fundo Amazônia e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) destinará R$ 102 milhões para financiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à sociobioeconomia da região amazônica em 2 de julho de 2026.
O anúncio foi feito na Arena do Parque da Bioeconomia, em Belém, reunindo representantes do Governo do Pará, da comunidade científica e das instituições responsáveis. Participaram do evento a secretária-adjunta de Bioeconomia da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), Camille Bemerguy; o presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e do Confap, Marcel Botelho; a gerente do Fundo Amazônia/BNDES, Thaíssa Ferreira; e a professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA) e representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Edna Castro.
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A chamada pública vai financiar entre nove e doze projetos voltados a desafios concretos das cadeias produtivas da sociobioeconomia amazônica. Cada projeto selecionado poderá receber entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões, com prazo de execução de até 36 meses.
O investimento total de R$ 102 milhões será dividido em duas fontes: R$ 72 milhões provenientes do Fundo Amazônia e R$ 30 milhões em contrapartidas das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) dos estados participantes. Esta é a primeira etapa de um programa maior, que prevê R$ 150 milhões em recursos totais.
A proposta exige que os projetos sejam construídos em parceria entre instituições de pesquisa e organizações do território, como cooperativas e associações comunitárias. O objetivo é aproximar a produção científica das demandas reais das populações amazônicas.
Pesquisa voltada ao território
“O futuro da bioeconomia passa pelo fortalecimento da ciência produzida na Amazônia e pelo reconhecimento dos conhecimentos construídos nos territórios”, afirmou Camille Bemerguy, secretária-adjunta de Bioeconomia da Semas. “Essa iniciativa cria as condições para que pesquisadores, comunidades e instituições desenvolvam juntos soluções inovadoras capazes de gerar desenvolvimento, manter a floresta em pé e melhorar a qualidade de vida da população amazônica.”
Marcel Botelho, presidente da Fapespa e do Confap, destacou que o programa consolida um novo modelo de produção científica. “O Desafios da Amazônia está integrado a um ecossistema de soluções para a região. Precisamos desenvolver respostas baseadas na ciência, na tecnologia e na inovação, construídas junto às universidades, institutos de pesquisa, comunidades e conhecimentos tradicionais”, disse.
Botelho reforçou ainda o protagonismo científico regional. “A Amazônia não é um vazio científico. Temos instituições e pesquisadores altamente qualificados. O que queremos é ampliar essas parcerias, garantindo que a pesquisa seja conduzida a partir das prioridades da própria região e com protagonismo dos pesquisadores amazônicos.”
Integração entre ciência e comunidade
João Arthur Reis, diretor de Programas da Iniciativa Amazônia+10, explicou que um dos diferenciais do programa é exigir a construção conjunta dos projetos. “Os projetos precisam ser construídos em conjunto entre instituições de pesquisa e organizações do território, como cooperativas e associações comunitárias. Não se trata de uma pesquisa guiada apenas pela curiosidade científica, mas de inovação voltada para resolver desafios concretos da sociobioeconomia amazônica”, afirmou.
Reis destacou também a importância da cooperação entre estados da Amazônia Legal. “Essa articulação está no coração da Amazônia+10. Os projetos são liderados por pesquisadores da Amazônia e fortalecem redes de pesquisa capazes de levar soluções desenvolvidas aqui para o restante do Brasil e também para o mundo.”
Entenda o programa
O Programa Desafios da Amazônia faz parte da Iniciativa Amazônia+10, que articula os nove estados da Amazônia Legal em torno de projetos de desenvolvimento sustentável. O foco é conectar pesquisa científica, inovação tecnológica e valorização dos saberes tradicionais para fortalecer cadeias produtivas da bioeconomia, como açaí, cacau, castanha-do-pará, óleos essenciais e sistemas agroflorestais.
Redução de desigualdades regionais
A professora emérita da UFPA, Edna Castro, representante da SBPC, enfatizou a necessidade de ampliar o financiamento à pesquisa na Amazônia. “A Amazônia possui uma longa tradição de pesquisa e instituições consolidadas, mas ainda enfrenta grandes desigualdades na distribuição dos recursos destinados à ciência e tecnologia”, disse.
“É fundamental ampliar a capacidade instalada da região para transformar conhecimento em políticas públicas e soluções efetivas para os desafios amazônicos”, completou Castro.
Thaíssa Ferreira, gerente do Fundo Amazônia/BNDES, destacou a importância do financiamento da pesquisa como instrumento para impulsionar a bioeconomia e estimular soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável da região.
Próximos passos
A apresentação técnica da chamada foi conduzida por João Arthur Reis e Rafael Andery, da Iniciativa Amazônia+10. Andery detalhou as cadeias produtivas contempladas, o cronograma de submissão e as regras de participação. O objetivo é estruturar redes robustas de pesquisa e inovação com forte participação das instituições amazônicas.
Os interessados em participar da chamada pública devem acompanhar os editais das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa de seus estados. A expectativa é que os primeiros projetos sejam selecionados ainda no segundo semestre de 2026, com início das atividades previsto para 2027.
Perguntas frequentes
Quem pode participar da chamada pública do Programa Desafios da Amazônia?
Pesquisadores vinculados a universidades e institutos de pesquisa da Amazônia Legal, em parceria obrigatória com organizações do território, como cooperativas, associações comunitárias e grupos produtivos.
Qual o valor máximo por projeto?
Cada projeto selecionado poderá receber entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões, com prazo de execução de até 36 meses.
Quantos projetos serão financiados?
A primeira chamada financiará entre nove e doze projetos voltados a desafios das cadeias produtivas da sociobioeconomia amazônica.
Com informações da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará.
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