
Parque de Ciência e Tecnologia alia conhecimento tradicional a inovação tecnológica dentro de área de proteção ambiental no Pará.
O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá conecta mais de 400 pesquisadores a empresas e laboratórios em uma iniciativa que transforma conhecimento tradicional e biodiversidade amazônica em produtos de mercado. Localizado em Belém (PA), dentro de uma Área de Proteção Ambiental, o ecossistema desenvolve tecnologias que valorizam insumos regionais, saberes ancestrais e práticas tradicionais, impulsionando a bioeconomia sustentável na região.
Segundo Raul Carvalho, coordenador do Laboratório de Tecnologia Supercrítica (Labtecs), a riqueza da biodiversidade amazônica oferece potencial de pesquisa e desenvolvimento para décadas. “Temos tanta riqueza que poderíamos passar 100 anos pesquisando e desenvolvendo soluções, e passaríamos todo esse tempo descobrindo novos fármacos, novos bioativos e novos produtos aplicáveis ao mercado industrial”, afirma.
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Programa Desafios da Amazônia abre R$ 107,1 mi para inovaçãoTecnologia supercrítica extrai bioativos sem resíduos químicos
O Labtecs utiliza tecnologia supercrítica, processo que emprega dióxido de carbono (CO₂) em estado supercrítico para extrair compostos bioativos de plantas amazônicas sem deixar resíduos químicos. A técnica preserva as propriedades dos insumos e gera produtos de alta pureza, aplicáveis nas indústrias farmacêutica, cosmética e alimentícia.
O laboratório trabalha com espécies como açaí, andiroba, copaíba, cupuaçu e buriti, entre outras. Os extratos obtidos têm aplicações que vão desde antioxidantes naturais até componentes para formulações dermatológicas e nutracêuticos. A tecnologia permite escala industrial mantendo padrões de sustentabilidade ambiental.
A extração supercrítica reduz o uso de solventes químicos convencionais, como hexano e etanol, minimizando impactos ambientais e riscos à saúde dos trabalhadores. O processo também preserva compostos termossensíveis que seriam degradados em métodos tradicionais de aquecimento.
Parque integra empresas, laboratórios e comunidades tradicionais
O PCT Guamá funciona como elo entre academia, setor produtivo e comunidades locais. O modelo busca garantir que o desenvolvimento de produtos mantenha vínculo com os saberes tradicionais e assegure repartição de benefícios com as populações que historicamente utilizam e preservam os recursos da floresta.
Empresas incubadas no parque desenvolvem desde cosméticos e suplementos alimentares até bioprodutos para agricultura e pecuária sustentável. A infraestrutura compartilhada permite que startups e pequenas empresas acessem equipamentos de ponta e equipes de pesquisa qualificadas, reduzindo barreiras de entrada no mercado de base tecnológica.
O parque também promove formação de recursos humanos especializados em bioeconomia, com programas de capacitação que envolvem estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais do mercado. A iniciativa busca fixar talentos na região e reduzir a dependência de centros de pesquisa localizados fora da Amazônia.

Entenda o modelo de bioeconomia no PCT Guamá
O Parque de Ciência e Tecnologia Guamá opera dentro de uma Área de Proteção Ambiental, combinando conservação e desenvolvimento econômico. O modelo se baseia na agregação de valor a produtos da biodiversidade amazônica por meio de pesquisa, inovação tecnológica e respeito aos conhecimentos tradicionais. A abordagem busca criar cadeias produtivas que gerem renda para comunidades locais sem comprometer a preservação dos ecossistemas.
Bioeconomia pode multiplicar renda regional sem ampliar desmatamento
Estudos indicam que a bioeconomia baseada em produtos da floresta pode gerar receitas superiores às de atividades tradicionais como pecuária extensiva e extração madeireira, mantendo a cobertura florestal. A valorização de bioativos amazônicos responde à demanda global crescente por ingredientes naturais, rastreáveis e sustentáveis.
O mercado de cosméticos naturais, por exemplo, movimenta bilhões de dólares globalmente e busca fornecedores certificados que comprovem origem sustentável e práticas justas com comunidades produtoras. Produtos amazônicos têm apelo comercial diferenciado, mas dependem de infraestrutura de pesquisa e certificação para acessar mercados internacionais exigentes.
O PCT Guamá contribui para essa cadeia ao oferecer serviços de análise, desenvolvimento de produtos e adequação regulatória. Empresas parceiras podem realizar testes de estabilidade, eficácia e segurança necessários para registro em agências sanitárias brasileiras e estrangeiras.
Próximos passos incluem ampliação de parcerias internacionais
O parque negocia parcerias com instituições de pesquisa e empresas da Europa, América do Norte e Ásia interessadas em bioativos amazônicos. As colaborações preveem transferência de tecnologia, investimentos em infraestrutura e desenvolvimento conjunto de produtos para mercados específicos.
Eventos de divulgação científica e rodadas de negócios estão programados para 2025, com foco em atração de investidores e apresentação de cases de sucesso de empresas incubadas. O objetivo é consolidar a Amazônia como referência global em bioeconomia de base científica.
Perguntas frequentes
O que é tecnologia supercrítica?
É um método de extração que utiliza CO₂ em estado supercrítico (acima de pressão e temperatura críticas) para isolar compostos de plantas sem deixar resíduos químicos, preservando suas propriedades.
Quais produtos o PCT Guamá desenvolve?
O parque desenvolve extratos vegetais, óleos essenciais, bioativos para cosméticos, fármacos, suplementos alimentares e bioprodutos para agricultura sustentável, a partir de espécies amazônicas.
Como comunidades tradicionais se beneficiam?
O modelo de bioeconomia do PCT Guamá busca garantir repartição de benefícios com comunidades que fornecem conhecimento tradicional e insumos, gerando renda e valorizando saberes ancestrais.
Com informações do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá.
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