×
Próxima ▸
Fóssil de cobra de 80 milhões de anos no Brasil…

Projeto Memória digitaliza 1.000 documentos e grava 10 depoimentos para preservar história da Fiocruz Amazônia

Projeto Memória digitaliza 1.000 documentos e grava 10 depoimentos para preservar história da Fiocruz Amazônia
Foto: amazonia.fiocruz.br

Iniciativa reúne fotografias, documentos e relatos de personagens que ajudaram a construir a ciência e a saúde pública na região.

Fotografias, documentos e vozes de pessoas que participaram da construção da ciência e da saúde pública na Amazônia passarão a integrar um acervo organizado e acessível ao público. O Instituto Leônidas e Maria Deane, a Fiocruz Amazônia, iniciou o Projeto História em Imagens e Vozes: Acesso e Preservação do Acervo Fotográfico e Oral da Fiocruz Amazônia, com a meta de digitalizar pelo menos 1.000 itens e registrar no mínimo 10 depoimentos de personagens importantes da instituição.

A iniciativa foi anunciada em 19 de agosto, durante a comemoração dos 32 anos do ILMD/Fiocruz Amazônia, em Manaus. Coordenado pela Vice-Diretoria de Educação, Informação e Comunicação, o projeto pretende recuperar a trajetória da presença da Fiocruz na região, desde as primeiras missões científicas até a criação e consolidação do instituto dedicado às realidades amazônicas.

Documentos e depoimentos vão formar um novo acervo

O trabalho é coordenado pelo historiador Cláudio Peixoto, vice-diretor de Educação, Informação e Comunicação do ILMD/Fiocruz Amazônia, com participação do historiador e pesquisador bolsista Rafael Segadilha Pereira Brito. A execução é viabilizada pela Presidência da Fiocruz, por meio do edital de Apoio a Projetos de Memória Institucional da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação.

Segundo o ILMD/Fiocruz Amazônia, o projeto terá duração inicial de 12 meses e começará com o reconhecimento do maior número possível de materiais documentais e fotográficos existentes na unidade. A primeira fase inclui inventário, diagnóstico do estado de conservação dos itens físicos e avaliação dos acervos digitais.

“São memórias, documentos, lutas e conquistas de quem construiu essa instituição, na trajetória estratégica desempenhada pela Fiocruz na produção de conhecimento contextualizado às realidades da Amazônia, no enfrentamento de desigualdades e na defesa do direito à saúde e ao meio ambiente”, afirma Cláudio Peixoto.

Digitalização seguirá critérios de conservação

Após o levantamento, serão definidos critérios de seleção e prioridade para a digitalização. A escolha deverá considerar a relevância histórica dos materiais e as condições de conservação. Antes da captura em alta resolução, os documentos e fotografias poderão passar por higienização, reparos básicos e outras medidas de tratamento técnico.

Segundo o ILMD/Fiocruz Amazônia, o projeto prevê a digitalização de pelo menos 1.000 itens dos acervos documental e fotográfico. Também serão criados metadados padronizados, com informações que permitam identificar, organizar, localizar e contextualizar cada registro no repositório digital.

Entre as medidas de preservação estão o controle de temperatura, umidade e luz, o manuseio adequado de materiais iconográficos, o acondicionamento correto e a adoção de práticas para reduzir a degradação física. O projeto também prevê uma oficina interna sobre preservação digital, em parceria com a Casa de Oswaldo Cruz.

Projeto Memória digitaliza 1.000 documentos e grava 10 depoimentos para preservar história da Fiocruz Amazônia
Foto: amazonia.fiocruz.br

História oral amplia a leitura sobre a instituição

A documentação escrita será complementada por entrevistas em áudio e vídeo com fundadores, gestores, pesquisadores e colaboradores que contribuíram para a história do instituto. A proposta é registrar pelo menos 10 depoimentos, formando um acervo de história oral para consulta de pesquisadores, estudantes, trabalhadores da saúde e demais interessados.

“No decorrer do projeto, buscamos através da preservação dos acervos compreender melhor toda a importância dessa instituição centenária na região Amazônica, analisando os impactos que ela teve e que ainda tem”, explica Rafael Segadilha. Para o historiador, os relatos poderão ajudar a compreender diferentes dimensões da atuação da Fiocruz, incluindo saúde, meio ambiente, ciências sociais e formação profissional.

Segundo o ILMD/Fiocruz Amazônia, a presença da Fiocruz na Amazônia inclui referências históricas às primeiras missões científicas realizadas na região, como a expedição de Carlos Chagas em 1913, além do processo que levou à criação do instituto em Manaus. A organização das fontes permitirá relacionar documentos institucionais, fotografias e memórias pessoais para construir uma visão mais ampla dessa trajetória.

Acervo poderá ser consultado pela internet

Os materiais identificados e tratados deverão ser disponibilizados em um repositório digital com acesso online. A iniciativa também prevê uma exposição virtual baseada nos acervos organizados, voltada aos públicos interno e externo da Fiocruz.

A divulgação digital pode ampliar o acesso à história da saúde pública na Amazônia para além de Manaus. Pesquisadores e estudantes dos estados do Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins poderão consultar registros relacionados à produção científica, às ações de educação em saúde e às respostas institucionais diante dos desafios sociais e ambientais da região.

Um dos itens históricos que deverá receber atenção é um relógio indígena pertencente ao acervo institucional. O projeto também pretende estruturar um roteiro de documentário audiovisual para marcar os 35 anos do ILMD/Fiocruz Amazônia, com participação da Casa de Oswaldo Cruz.

Memória como patrimônio social

Para os coordenadores, a preservação não tem apenas função administrativa. O acervo deve contribuir para fortalecer a identidade institucional, valorizar trabalhadores e parceiros locais, apoiar decisões futuras e inspirar novas gerações de profissionais ligados à ciência e à saúde.

Rafael Segadilha destaca que o trabalho de um historiador depende do cruzamento de fontes de origens diferentes. “Quanto maior a quantidade de registros sobre um acontecimento, melhor para buscar entendê-lo em sua totalidade, ou pelo menos, chegar o mais próximo possível disso”, observa.

A expectativa é que o projeto transforme documentos dispersos e relatos individuais em patrimônio acessível à sociedade. As próximas etapas incluem a continuidade do inventário, a seleção e o tratamento dos materiais, a realização das entrevistas e a preparação dos produtos digitais previstos para o período de 12 meses.

Com informações de ILMD/Fiocruz Amazônia.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA