Rastreabilidade de PET fortalece catadores no Pará e Amazônia

Rastreabilidade de PET fortalece catadores no Pará e Amazônia
Foto: ancat.org.br

Nova etapa do Hub do Plástico usa tecnologia para valorizar material reciclável e ampliar renda de cooperativas.

A Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat) foi selecionada no edital de chamada pública do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal para receber investimentos destinados ao fortalecimento de projetos de impacto socioambiental. A iniciativa permitirá consolidar uma nova etapa do Hub do Plástico, ampliando infraestrutura, logística reversa e incorporando tecnologias de rastreabilidade na comercialização de garrafas PET e outros plásticos reciclados por catadores de todo o Brasil, com potencial de expansão para estados da região Norte, incluindo Pará, Amazonas e Acre.

A formalização do convênio ocorreu na sexta-feira, 26 de junho, durante a Feira da Cidadania realizada em Guaianases, bairro da zona leste de São Paulo. O evento contou com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, que destacou a importância do investimento para a categoria. “A Caixa está firmando um convênio para fortalecer a logística e estrutura para os catadores fazerem o seu trabalho, com caminhão, galpão, que é nisso que a gente acredita. Tem gente que olha os catadores e tem preconceito. A gente olha para vocês, catadores e catadoras, e aplaude de pé. O que vocês fazem não é apenas colocar dinheiro no bolso, é ajudar a salvar o planeta”, afirmou o ministro.

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Foto: ancat.org.br

Meta é triplicar coleta de plástico com rastreabilidade

Segundo Jean Rodrigues Benevides, diretor executivo de Sustentabilidade e Cidadania Digital da Caixa Econômica Federal, o Hub do Plástico vai garantir rastreabilidade, ampliar o volume de coleta e expandir a atuação para toda a região do Alto Tietê, em São Paulo, com perspectiva de replicação em outras regiões do país. “Nossa meta é triplicar a coleta de plástico, passando de 50 para 150 toneladas por mês, ampliando também a renda dos catadores”, declarou Benevides durante a cerimônia.

O projeto incorpora tecnologias como Internet das Coisas (IoT) e NFT Social. “São iniciativas inovadoras que fortalecem a logística reversa, promovem inclusão social e contribuem para que o Brasil avance nas metas da economia circular”, explicou o diretor. A rastreabilidade permite identificar a origem do material reciclável, garantindo transparência na cadeia produtiva e possibilitando melhor remuneração para as cooperativas de catadores.

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Foto: ancat.org.br

Impacto para catadores do Pará e Amazônia

Embora o projeto tenha sido formalizado inicialmente em São Paulo, a estrutura do Hub do Plástico foi desenhada para ser replicada em outros estados brasileiros, incluindo a região Norte. A Amazônia enfrenta desafios específicos na gestão de resíduos sólidos, com grande volume de plástico descartado em áreas urbanas e ribeirinhas, onde a logística reversa ainda é precária. A rastreabilidade pode agregar valor ao material coletado por catadores paraenses, amapaenses e acreanos, fortalecendo cooperativas locais e ampliando sua capacidade de comercialização.

Roberto Rocha, presidente da Ancat, destacou que os convênios representam um novo momento para a organização dos catadores. “Assinamos dois convênios muito importantes. Um deles visa a mudança da Moeda Verde e o lançamento de uma nova moeda para o nosso município e região. O outro beneficia diretamente os nossos catadores dentro do Hub do Plástico, que representa o futuro da nossa categoria”, afirmou Rocha. Ingrid Brum, presidente da Cooperativa Univence, complementou: “A Moeda Verde e o Hub do Plástico se conversam, se unem e vão fortalecer os catadores e catadoras da região do Alto Tietê e de todo o estado de São Paulo. Viva os catadores”.

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Foto: ancat.org.br

Como funciona o Hub do Plástico

O Hub do Plástico é um espaço de economia circular operado por catadores que visa melhorar o preço e a rastreabilidade dos plásticos coletados. O equipamento permite armazenamento adequado, separação por tipo de resina e logística mais eficiente para comercialização. Com os novos recursos, a Ancat pretende adquirir caminhões adequados para transporte de cargas de PET e outros plásticos, além de ampliar a infraestrutura de galpões para triagem e prensagem.

“Deveremos ter um melhor processo de coleta dos plásticos e traremos essa realidade para a comercialização. Um melhor valor agregado para as garrafas e inclusive os plásticos, de forma específica as garrafas PET, junto com os catadores porque o processo é esse: ter um sistema de rastreabilidade, um equipamento, um caminhão mais adequado para fazer cargas desse material”, explicou Rocha.

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Foto: ancat.org.br

Entenda a rastreabilidade na reciclagem

A rastreabilidade consiste na identificação da origem e do percurso do material reciclável, desde a coleta até a venda para a indústria. Com tecnologia de Internet das Coisas e registro em blockchain (NFT Social), é possível comprovar que o plástico foi coletado por cooperativas formais de catadores, atendendo critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) exigidos por grandes empresas. Isso agrega valor ao material e permite pagamento diferenciado, beneficiando diretamente quem coleta.

Desafios da reciclagem na Amazônia

Estados como Pará, Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá e Tocantins enfrentam dificuldades logísticas pela dispersão geográfica, longas distâncias e falta de infraestrutura de transporte. A maior parte das cooperativas de catadores da região opera em condições precárias, sem acesso a tecnologia de rastreabilidade ou caminhões adequados. O Hub do Plástico, se replicado na Amazônia, pode mudar esse cenário, conectando catadores locais a compradores de grande porte e ampliando a renda das famílias envolvidas na reciclagem.

O convênio reforça a parceria entre a Ancat e a Caixa na construção de soluções que unem investimento, inovação e desenvolvimento sustentável. Com os novos recursos, a expectativa é ampliar a infraestrutura do Hub e fortalecer a comercialização dos plásticos das cooperativas. A previsão é que o modelo seja expandido gradualmente para outras regiões do país, incluindo a Amazônia, a partir de 2026.

Perguntas frequentes

O que é o Hub do Plástico?

É um espaço de economia circular operado por catadores para melhorar a coleta, separação, armazenamento e comercialização de plásticos e garrafas PET, com uso de tecnologia de rastreabilidade.

Como a rastreabilidade beneficia os catadores?

A rastreabilidade comprova a origem formal do material reciclável, permitindo que cooperativas vendam para empresas que pagam valores mais altos por produtos com certificação ambiental e social.

O projeto vai chegar ao Pará e outros estados da Amazônia?

O modelo foi desenhado para ser replicado em outras regiões do Brasil. A expansão para estados do Norte depende de novos recursos e parcerias, mas está no planejamento da Ancat.

Com informações da Ancat.

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