
Espécie amazônica foi classificada como vulnerável após queda populacional, mas plano de recuperação ainda pode evitar a suspensão.
O tambaqui foi incluído pelo Ministério do Meio Ambiente na lista oficial de espécies da fauna aquática ameaçadas de extinção. A classificação como vulnerável ocorreu após estudos apontarem queda de 43,4% na população ao longo de três gerações, e a pesca pode ser suspensa em todo o Brasil a partir de 25 de outubro de 2026 se um plano de recuperação não for aprovado até essa data.
A medida atinge um dos peixes mais consumidos e simbólicos da Amazônia. O tambaqui tem presença nas várzeas do rio Amazonas e de seus principais afluentes, com ocorrência registrada no Acre, Amazonas, Pará e Rondônia.
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Um morcego chamado de “sem polegar” passou dez anos sendo observado em 100 cavernas de ferro e revelou um calendário reprodutivo fora do esperadoPor que o tambaqui entrou em alerta
Segundo os estudos usados na avaliação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a população natural da espécie sofreu redução expressiva ao longo de três gerações. O principal fator apontado é a pressão intensa da pesca sobre os estoques selvagens.
A classificação não significa, por si só, que a captura já esteja proibida em todos os rios brasileiros. O Ministério do Meio Ambiente trabalha na elaboração de um plano de recuperação, que deverá definir medidas de conservação, fiscalização e manejo para a espécie.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o tambaqui apresentou queda populacional de 43,4% ao longo de três gerações, conforme avaliação baseada em estudos do ICMBio.
Entenda o caso
O tambaqui é um peixe nativo das bacias amazônicas e tem importância ambiental, econômica e cultural. Na natureza, a espécie contribui para a dispersão de sementes e integra a dinâmica dos ecossistemas de várzea.
Ao mesmo tempo, o pescado é fonte de renda para pescadores artesanais, comerciantes e comunidades ribeirinhas. Também está presente em feiras, mercados e restaurantes de cidades como Rio Branco, Porto Velho, Manaus, Santarém e Belém.
A piscicultura ajudou a manter a oferta do tambaqui nos últimos anos, mas o peixe criado em cativeiro não elimina a necessidade de proteger as populações naturais. São estoques diferentes, com regras próprias de produção, transporte e comercialização.
Pesca artesanal teme perda de renda
A possibilidade de suspensão preocupa pescadores artesanais que dependem diretamente da captura para sustentar suas famílias. Uma proibição nacional, segundo representantes do setor, poderia reduzir a renda de milhares de trabalhadores e afetar o abastecimento regional.
A preocupação é maior porque as condições dos estoques não são iguais em toda a Amazônia. Há áreas onde o tambaqui ainda é encontrado em quantidade, enquanto outras sofrem com a pressão da pesca, a perda de áreas alagáveis e a dificuldade de fiscalização.
Pesquisadores defendem que o plano de recuperação considere as diferenças entre os estados e entre as bacias hidrográficas.
O que pode acontecer até outubro
O prazo informado para a aprovação do plano termina em 25 de outubro. Se o documento não for concluído e aprovado até essa data, a pesca do tambaqui poderá ser suspensa em todo o território nacional, conforme a informação atribuída ao Ministério do Meio Ambiente.
O alcance da eventual suspensão ainda depende do texto oficial, que deverá esclarecer se a medida atingirá somente a pesca de populações naturais ou se haverá regras específicas para a piscicultura. Também será necessário definir como ocorrerão a fiscalização, o transporte e a venda do pescado.
A decisão pode afetar diretamente os estados amazônicos onde o tambaqui faz parte da rotina alimentar e da economia local. No Acre, em Rondônia, no Amazonas e no Pará, o peixe está ligado tanto à pesca de subsistência quanto ao comércio regional.
Produção em cativeiro não resolve todos os problemas
O crescimento da criação de tambaqui em cativeiro ampliou a oferta do pescado e reduziu parte da dependência do consumidor em relação à captura nos rios. Ainda assim, a atividade não substitui as ações voltadas à conservação da espécie em seu ambiente natural.
A piscicultura também precisa seguir regras sanitárias e ambientais, além de garantir a origem legal dos animais comercializados. Sem controle, a venda de pescado criado em fazendas pode ser usada para dificultar a identificação de capturas irregulares.
Para comunidades ribeirinhas, o desafio será conciliar a recuperação dos estoques com a continuidade da atividade pesqueira. Entre as alternativas em discussão estão períodos de defeso, limites de captura, proteção de áreas de reprodução e participação dos pescadores no monitoramento.
Impacto na cultura amazônica
O tambaqui ocupa lugar central na culinária da Região Norte. Assado, cozido ou preparado em caldeiradas, o peixe aparece em refeições domésticas, festivais gastronômicos e restaurantes especializados em sabores amazônicos.
Uma eventual restrição pode elevar o preço do pescado, alterar o abastecimento de mercados e aumentar a procura por espécies alternativas. O impacto, porém, dependerá do alcance da norma e da capacidade de fiscalização em rios, feiras e pontos de comercialização.
O próximo passo é a divulgação e a análise do plano de recuperação pelo governo, com definição das regras que poderão valer para a pesca natural, a piscicultura e o comércio do tambaqui antes do prazo de 25 de outubro.
Perguntas frequentes
O tambaqui já está proibido no Brasil?
Não necessariamente. A inclusão na lista de espécies ameaçadas acende o alerta e pode levar à suspensão da pesca, mas a aplicação das regras depende do plano de recuperação e do ato oficial correspondente.
Quando a pesca pode ser suspensa?
Conforme a informação divulgada, a suspensão poderá ocorrer a partir de 25 de outubro de 2026 se o plano de recuperação não for aprovado até essa data.
O tambaqui de cativeiro também pode ser afetado?
A informação disponível não esclarece o alcance da eventual medida sobre a piscicultura. As regras para criação, transporte e comercialização precisam ser detalhadas pelo Ministério do Meio Ambiente.
Com informações de Ministério do Meio Ambiente.
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