
Comissão Europeia quer reduzir dependência de importações e elevar produção local de proteína de 25% para 35%.
A Comissão Europeia lançou em 7 de julho de 2026 uma estratégia abrangente para a pecuária sustentável, setor que emprega cerca de sete milhões de pessoas na União Europeia e gera €400 bilhões em faturamento anual. O plano visa enfrentar desafios como baixa lucratividade, custos crescentes, mudanças nas condições de mercado e surtos de doenças animais, criando condições para que os agricultores europeus atuem de forma competitiva e ambientalmente responsável no longo prazo.
Segundo a Comissão Europeia, a estratégia busca reduzir a dependência de importações e ampliar o uso de recursos locais, diminuir emissões de gases de efeito estufa, preservar a segurança alimentar e melhorar o bem-estar animal. O documento estabelece cinco prioridades centrais para atingir esses objetivos até 2035.
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O primeiro pilar trata da preparação para crises. A Comissão propõe novas ferramentas de gestão de risco que ajudem os agricultores a se recuperarem mais rapidamente após eventos adversos. O plano também prevê apoio aos países-membros no controle de doenças animais, fortalecendo prevenção, detecção precoce e ação rápida.
O segundo eixo foca na competitividade dentro da UE e no mercado global. A estratégia quer impulsionar a lucratividade e a adoção de inovações, além de reforçar a competitividade sustentável. Entre as medidas, está a exploração de mecanismos de financiamento que facilitem a transição para sistemas livres de gaiolas, apoiem procedimentos de licenciamento, promovam circularidade, bioeconomia e valorização de biomassa.
Garantir renda justa aos agricultores é o terceiro pilar. A Comissão reconhece que muitos produtores enfrentam margens apertadas e precisa de medidas concretas para equilibrar a cadeia produtiva.
O quarto eixo é a sustentabilidade. A estratégia prevê revisões específicas nas normas de criação de galinhas poedeiras, frangos jovens e suínos, acompanhadas de períodos de transição adequados e suporte financeiro. Além disso, a Comissão pretende desenvolver métodos harmonizados para calcular emissões de gases de efeito estufa no nível das fazendas, práticas de mitigação climática e gestão de nutrientes.
O quinto pilar garante que a estratégia funcione para todos os tipos de fazenda e regiões. A Comissão trabalhará com os países da UE em um plano para reintroduzir a produção pecuária sustentável em regiões vulneráveis. Outro ponto importante é o desenvolvimento de um roteiro para abatedouros de baixa capacidade ou móveis, reduzindo o transporte de animais e regenerando economias locais.
Plano de ação para proteína
A estratégia traz ainda um plano de ação específico para proteína, com meta ambiciosa: elevar de 25% para 35% até 2035 a proporção de oleaginosas e culturas proteicas produzidas dentro da UE para alimentação animal. Em 2025, três quartos dos insumos proteicos usados na pecuária europeia vinham de fora do bloco, criando vulnerabilidade nas cadeias de abastecimento.
Segundo a Comissão Europeia, o aumento da produção local de proteína reduzirá a exposição a oscilações de preços internacionais, fortalecerá a segurança alimentar e diminuirá a pegada ambiental associada ao transporte de commodities agrícolas.

Conexão com a Amazônia
A estratégia europeia tem reflexos diretos sobre a Amazônia. A UE é um dos principais importadores de soja brasileira, usada como ração animal. O bloco vem endurecendo regulamentações ambientais, como a lei antidesmatamento que entrará em vigor nos próximos anos, exigindo rastreabilidade total da cadeia produtiva. Com o plano de ampliar a produção local de proteína, a demanda futura por soja da Amazônia pode diminuir ou se tornar ainda mais exigente em termos de certificação ambiental e social.
Estados amazônicos como Pará, Mato Grosso e Rondônia, grandes produtores de soja e gado, precisarão se adaptar a essas novas regras se quiserem manter acesso ao mercado europeu. A pressão por sistemas produtivos livres de desmatamento e com menor emissão de carbono tende a crescer, exigindo investimento em tecnologia, assistência técnica e regularização fundiária.
Bem-estar animal e excelência produtiva
O documento europeu também destaca a importância de tornar a excelência da produção pecuária da UE mais visível e recompensadora, por meio de rotulagem de origem fortalecida e reconhecimento de qualidade. A Comissão acredita que consumidores estão dispostos a valorizar produtos que atendem padrões elevados de bem-estar animal e sustentabilidade.
As revisões nas normas de criação de galinhas, frangos e suínos visam eliminar práticas consideradas inadequadas, como o uso de gaiolas em bateria, e promover sistemas que permitam comportamentos naturais dos animais. A transição será gradual e contará com apoio financeiro da Política Agrícola Comum (PAC).
Entenda o contexto
A pecuária europeia enfrenta desafios estruturais há anos: envelhecimento da mão de obra, custos crescentes de energia e insumos, pressão de regulamentações ambientais e concorrência internacional. Ao mesmo tempo, o setor é essencial para a economia rural, especialmente em regiões montanhosas e remotas onde há poucas alternativas econômicas. A nova estratégia tenta equilibrar competitividade, sustentabilidade e viabilidade social, criando um caminho de longo prazo para o setor.
Próximos passos
A Comissão Europeia irá trabalhar com os países-membros para detalhar planos de implementação regionais, incluindo calendários de transição e mecanismos de financiamento. A estratégia será revisada periodicamente até 2035 para ajustes conforme avanços tecnológicos e mudanças no mercado global. O próximo marco importante é a apresentação de propostas legislativas específicas sobre bem-estar animal, prevista para o segundo semestre de 2026.
Perguntas frequentes
Por que a UE quer aumentar a produção local de proteína?
Para reduzir dependência de importações, garantir segurança alimentar e diminuir a pegada ambiental do transporte de commodities agrícolas. A meta é elevar de 25% para 35% até 2035 a produção interna de oleaginosas e culturas proteicas para ração animal.
O que muda para produtores brasileiros?
A demanda europeia por soja pode diminuir ou se tornar mais exigente em rastreabilidade e certificação ambiental. Produtores da Amazônia precisarão comprovar que suas cadeias estão livres de desmatamento para acessar o mercado europeu.
Quando as novas regras de bem-estar animal entram em vigor?
As propostas legislativas específicas estão previstas para o segundo semestre de 2026, com períodos de transição adequados e apoio financeiro aos agricultores afetados.
Com informações da Comissão Europeia.
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