
Parauapebas (PA) — A Biblioteca Municipal de Parauapebas, no sudeste do Pará, recebeu em agosto duas rodas de conversa com contação de histórias dentro da campanha Agosto Lilás. Os encontros, realizados em 13 e 27 de agosto pelo Instituto AmazôniaTEC, trataram de um ponto prático e pouco discutido: como reconhecer os sinais que costumam anteceder a violência doméstica.
A escolha do formato foi deliberada. Em vez de palestra, contação de histórias — um recurso que permite tratar de agressão, ciúme e controle sem expor ninguém e sem transformar o encontro em depoimento pessoal.

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Cabanagem no Pará: Quando caboclos, indígenas e negros reescreveram a história do Brasil no século XIXOs quatro sinais de alerta debatidos nas rodas
A programação organizou o debate em quatro grupos de comportamentos que, isolados ou combinados, funcionam como alerta em um relacionamento:
- Histórico de violência — agressões contra parceiras anteriores, destruição de objetos durante discussões e maus-tratos a animais.
- Ameaças — contra a mulher, contra os filhos ou contra familiares, incluindo ameaças de morte e ameaças de suicídio.
- Não aceitar o fim da relação — perseguição, insistência obsessiva e invasão de privacidade.
- Comportamento obsessivo — não aceitar limites, alternar afeto e agressividade e demonstrar dependência emocional extrema.
Segundo o Instituto AmazôniaTEC, as rodas de conversa do Agosto Lilás foram realizadas em 13 e 27 de agosto de 2025, na Biblioteca Municipal de Parauapebas (PA), com contação de histórias e debate sobre esses sinais de alerta da violência doméstica.

Por que a biblioteca
Levar o tema para o equipamento público de leitura tem uma vantagem prática: a biblioteca é território neutro. Não é delegacia, não é posto de saúde e não carrega o peso simbólico de procurar ajuda — o que reduz a barreira para quem ainda não se reconhece em situação de risco.
A contação de histórias cumpre o mesmo papel. Falar de uma personagem permite nomear comportamentos que, na primeira pessoa, muitas vezes são minimizados como ciúme ou preocupação.
Ficha do evento
- Evento: Rodas de conversa com contação de histórias — Agosto Lilás
- Realização: Instituto AmazôniaTEC
- Datas: 13 e 27 de agosto de 2025 (dois encontros)
- Local: Biblioteca Municipal de Parauapebas (PA)
- Formato: roda de conversa com contação de histórias
- Temas: histórico de violência, ameaças, não aceitação do fim da relação e comportamento obsessivo
- Entrada: gratuita e aberta ao público
Entenda o caso
O Agosto Lilás é a campanha nacional de conscientização sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. O mês foi escolhido por marcar a sanção da Lei Maria da Penha — Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 —, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar no Brasil. Ao longo de agosto, órgãos públicos, instituições e organizações da sociedade civil promovem ações de informação e prevenção.
Onde buscar ajuda
- Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher, gratuita e disponível 24 horas, em todo o país.
- 190 — Polícia Militar, para situações de emergência.
- Delegacia da Mulher ou delegacia mais próxima, para registro de ocorrência e pedido de medida protetiva.
- CRAS e CREAS do município, para acolhimento e encaminhamento da rede de proteção social.

O que fica depois das rodas
Informação não interrompe sozinha um ciclo de violência, mas encurta o tempo entre perceber e agir. Ao transformar uma lista técnica de fatores de risco em conversa de biblioteca, os encontros atacaram justamente a etapa em que a maioria dos casos fica parada: a de nomear o que está acontecendo.
A expectativa do Instituto AmazôniaTEC é repetir o formato em novas edições, ampliando o alcance das rodas a outros equipamentos públicos do município.
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