×
Próxima ▸
Governo quer cortar pela metade prazo para liberar áreas minerárias

Brasil quer reduzir burocracia para liberar mais áreas de mineração

Brasil quer reduzir burocracia para liberar mais áreas de mineração
Ilustração: IA

Conselho Nacional de Política Mineral aprova medidas para destravar concessões e ampliar pesquisa geológica no país.

O Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) aprovou nesta quinta-feira (2.jul) duas resoluções para destravar o setor mineral no Brasil. O objetivo é ampliar a oferta de áreas para concessão minerária e estimular investimentos em pesquisa geológica, reduzindo a burocracia que mantém milhares de processos parados na Agência Nacional de Mineração (ANM).

A primeira resolução estabelece diretrizes para racionalizar a gestão de áreas minerárias e reduzir a ociosidade. Segundo diagnóstico do Ministério de Minas e Energia (MME), o país enfrenta um cenário de manutenção prolongada de áreas inativas, baixa rotatividade e demora para reinserir terrenos ao ambiente concorrencial.

As novas diretrizes determinam integração de sistemas de informação sobre áreas minerárias, articulação entre órgãos competentes, compartilhamento de dados e redução de entraves administrativos. A avaliação do governo é que o alto nível de burocracia e desorganização prejudica o avanço das concessões.

ANM opera com déficit de funcionários e 16 mil processos parados

Atualmente, cabe à ANM a análise de processos minerários e a concessão de novas áreas. A agência vem enfrentando dificuldades nos últimos anos após bloqueios consecutivos em seu orçamento e opera com até 60% do número de funcionários que deveria ter.

No início de junho, a ANM tinha cerca de 16 mil processos minerários e planos de aproveitamento econômico pendentes de análise. O tempo médio de análise de processos minerários chegava a 1.563 dias, mais de quatro anos.

Segundo o MME, o Plano Nacional de Mineração (PNM) 2050, apresentado nesta quinta-feira pelo ministro Alexandre Silveira ao CNPM, estabelece como meta a redução desse tempo médio de análise para 780 dias. A execução dessa meta depende do aumento de recursos para a ANM e passa por esforços de digitalização, organização e padronização de protocolos da agência, segundo integrantes da área técnica do ministério ouvidos pela imprensa.

O ministério estuda viabilizar novas verbas para a agência. Uma das possibilidades em análise é o aproveitamento de recursos provenientes do acordo de Mariana, que totaliza R$ 1 bilhão.

Brasil conhece apenas 30% do potencial mineral do território

A segunda resolução aprovada pelo CNPM nesta quinta-feira cria um grupo de trabalho (GT) para estudar o fortalecimento do serviço geológico nacional e a ampliação do conhecimento sobre recursos minerais do país.

Segundo o MME, o Brasil conhece apenas 30% do potencial mineral de seu território. O PNM 2050 estabelece como meta elevar essa cobertura para o patamar de 52% até 2055. Para isso, o governo aposta principalmente nas atividades conduzidas pelo setor privado.

A estratégia prevê elevar de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,7 bilhões os investimentos em pesquisa mineral até 2050. O novo grupo de trabalho terá duração de 150 dias e será coordenado pelo MME, com representantes de dez órgãos federais, entre eles o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, o Ministério do Planejamento e Orçamento, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e a ANM.

Três frentes de trabalho para ampliar conhecimento geológico

O GT terá três objetivos principais. Primeiro, propor mecanismos regulatórios e de atração de investimentos para ampliar a atuação do setor privado na geração de dados geológicos, sem onerar o orçamento público.

Segundo, desenvolver metodologia de priorização territorial para orientar o mapeamento do território nacional, com aproveitamento dos dados já existentes de levantamentos públicos e privados.

Terceiro, dimensionar os impactos socioeconômicos da atuação da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB), mapeando aspectos de infraestrutura, pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Entenda o desafio

A mineração responde por cerca de 4% do PIB brasileiro e emprega mais de 200 mil pessoas diretamente. Porém, a falta de mapeamento geológico detalhado e a burocracia em concessões limitam o potencial do setor. O governo busca agora acelerar o processo, apostando em digitalização e maior participação do setor privado na pesquisa mineral.

Conexão com a Amazônia

A ampliação do conhecimento geológico e a agilização de concessões têm impacto direto na região amazônica, que abriga parte significativa de reservas minerais estratégicas do país, como nióbio, terras raras e minérios críticos para a transição energética.

Estados como Pará, Amazonas e Amapá possuem áreas com alto potencial extrativo ainda pouco exploradas. A falta de dados geológicos detalhados e a demora em processos de licenciamento minerário afetam tanto a arrecadação local quanto a geração de empregos na região.

O desafio do governo é conciliar a ampliação da mineração com práticas sustentáveis e controle ambiental rigoroso, especialmente em territórios sensíveis da Amazônia. O Plano Nacional de Mineração 2050 prevê diretrizes específicas para mineração responsável na região, mas ainda depende de regulamentação complementar e maior capacidade de fiscalização.

Perguntas frequentes

Por que o Brasil conhece apenas 30% do potencial mineral do território?

Faltam investimentos públicos e privados em mapeamento geológico detalhado. O país tem dimensões continentais e o levantamento geológico exige tecnologia avançada e recursos contínuos, que historicamente foram insuficientes.

Quantos processos minerários estão parados na ANM?

No início de junho de 2026, a ANM tinha cerca de 16 mil processos minerários e planos de aproveitamento econômico pendentes de análise. O tempo médio de análise chegava a 1.563 dias.

O que o governo pretende fazer para acelerar as concessões?

As novas diretrizes preveem integração de sistemas de informação, redução de burocracia, digitalização de processos e aumento de recursos para a ANM, incluindo possível uso de verbas do acordo de Mariana. A meta é reduzir o tempo médio de análise de processos para 780 dias.

O CNPM deve avaliar nos próximos meses os avanços do grupo de trabalho e apresentar novas medidas regulatórias para o setor mineral até o fim de 2026.

Com informações do Ministério de Minas e Energia.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA