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Drone que gira 25 vezes por segundo cria desfoque e pode monitorar animais sem alterar seu comportamento

Drone que gira 25 vezes por segundo cria desfoque e pode monitorar animais sem alterar seu comportamento
Foto: Jorge Agle

Protótipo da Universidade Northwestern usa a percepção humana do movimento para reduzir a visibilidade durante o voo.

Um drone que gira até 25 vezes por segundo passou a ser testado como alternativa para observar animais com menos interferência visual. Chamado Phantom Twist, o protótipo foi desenvolvido por engenheiros da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e apresentado em 16 de julho de 2026, durante a conferência Robotics: Science and Systems, na Austrália. A proposta é reduzir a presença percebida do aparelho em investigações de fauna, levantamentos ambientais e inspeções de estruturas.

A diferença não está em uma pintura que imita folhas, pedras ou o céu. O dispositivo foi projetado para explorar a forma como o olho humano percebe objetos em movimento. Ao girar rapidamente, seus componentes deixam de ser vistos com nitidez e formam uma espécie de imagem borrada, semelhante a uma nuvem semitransparente.

O efeito visual produzido pelo voo

O Phantom Twist não desaparece de fato. O que ocorre é uma redução da definição visual durante o movimento. A rotação contínua espalha a imagem do aparelho no campo de visão, dificultando que uma pessoa identifique imediatamente o formato do drone.

Esse princípio também explica por que a invenção pode ser útil em áreas naturais. Drones convencionais, mesmo quando recebem cores ou formatos pensados para disfarçá-los, continuam facilmente perceptíveis quando sobrevoam uma área. A aproximação pode provocar medo nos animais ou despertar a curiosidade de pessoas, alterando o comportamento observado e comprometendo a leitura da cena.

“A maioria dos esforços para camuflar drones se concentra em fazê-los parecer com o ambiente ao redor. Em vez disso, nos perguntamos se poderíamos projetar o próprio drone levando em consideração a forma como os humanos percebem o movimento. Essa ideia de baixa visibilidade por meio de movimento persistente é algo que poucas pessoas exploraram”, explicou Michael Rubenstein, líder do projeto.

Como a equipe montou o protótipo

O formato final foi definido com auxílio de modelos computacionais e inteligência artificial. Os pesquisadores testaram configurações capazes de manter o voo estável e, ao mesmo tempo, reorganizar os elementos principais do equipamento.

Motor, hélice, placa de circuito, contrapeso e baterias foram posicionados de acordo com os resultados desses cálculos. O objetivo era encontrar uma combinação que não comprometesse a sustentação no ar nem interrompesse o efeito de baixa visibilidade.

Os componentes também foram distribuídos em alturas e ângulos diferentes ao redor do drone. O espaçamento entre eles evita que as peças se sobreponham visualmente enquanto o aparelho voa. Esse arranjo, combinado à rotação acelerada, cria o borrão que dificulta a percepção do objeto.

O que muda para o monitoramento da fauna

Segundo a Universidade Northwestern, o Phantom Twist pode ajudar no desenvolvimento de drones destinados a acompanhar a vida selvagem com menor alteração do ambiente observado. Na prática, um equipamento menos evidente pode ser usado para registrar deslocamentos, comportamentos e relações entre animais sem chamar tanta atenção de pessoas ou espécies próximas.

Drone que gira 25 vezes por segundo cria desfoque e pode monitorar animais sem alterar seu comportamento
Ilustração: Revista Amazônia

O ganho potencial está principalmente na qualidade da observação. Quando um animal percebe a aproximação de uma máquina, pode fugir, interromper a alimentação, mudar a rota ou reagir ao ruído. Um drone visualmente discreto não elimina esses riscos, mas pode reduzir uma das fontes de perturbação durante levantamentos ambientais.

Esse tipo de aplicação também interessa à Amazônia. Em áreas de floresta, rios e unidades de conservação nos estados da região, o monitoramento aéreo pode apoiar pesquisas sobre fauna, acompanhamento de áreas remotas e inspeções ambientais. O Phantom Twist ainda não é apresentado como uma ferramenta em operação nesses locais, mas sua lógica de projeto pode orientar futuros equipamentos voltados a ambientes onde a aproximação humana é difícil ou altera a dinâmica dos animais.

A tecnologia ainda tem pontos visíveis

A ideia de invisibilidade tem limites claros. O protótipo continua produzindo um ruído que pode ser ouvido durante o voo. Além disso, fios e hastes permanecem visíveis, especialmente quando o observador está próximo ou quando as condições de luz favorecem a identificação das peças.

Isso significa que o aparelho é quase imperceptível em determinadas situações para a visão humana, mas não pode ser tratado como um drone completamente invisível. Também não há, no material apresentado, indicação de que os pesquisadores tenham eliminado a percepção do equipamento por animais, que podem reagir ao som, ao deslocamento do ar ou a outros estímulos.

A equipe busca soluções para diminuir ainda mais esses sinais. O próximo desafio é combinar a camuflagem visual com menor ruído e uma estrutura que esconda fios e hastes sem prejudicar a estabilidade do voo. A evolução desses elementos será decisiva para definir se o conceito poderá sair do ambiente de pesquisa e chegar a operações de campo.

Da conferência ao uso em campo

Os resultados do trabalho foram apresentados em 16 de julho de 2026 na Robotics: Science and Systems 2026, conferência realizada na Austrália. A apresentação mostra um protótipo e uma direção de pesquisa, não uma solução pronta para todos os tipos de monitoramento.

Segundo a Universidade Northwestern, o Phantom Twist é um drone criado nos Estados Unidos que usa rotação de até 25 vezes por segundo para produzir desfoque visual e reduzir sua presença percebida durante o voo. A etapa seguinte será aperfeiçoar a tecnologia para que ela seja menos audível e tenha menos elementos expostos.

Para pesquisadores que trabalham em áreas amazônicas, a principal promessa está em observar sem modificar tanto a cena. Antes de uma adoção ampla, porém, será necessário testar o equipamento em diferentes ambientes, distâncias, condições de luz e espécies. Esses estudos deverão indicar quando o efeito visual realmente ajuda e quando o ruído continua sendo o fator dominante.

Com informações de Universidade Northwestern.

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