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Hélio: o gás nobre que foi descoberto no Sol antes de ser encontrado na Terra

O hélio é o segundo elemento mais abundante do universo, mas é raro na Terra. Símbolo He, número atômico 2, massa atômica de 4,003 unidades. Curiosamente, foi identificado primeiro na cromosfera solar em 1868, durante um eclipse, e só anos depois foi encontrado em rochas terrestres. O nome vem do grego helios, que significa Sol.

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Descoberto no Sol antes da Terra

Em 1868, o astrônomo francês Pierre Janssen observou uma linha amarela no espectro solar durante um eclipse na Índia. O cientista britânico Norman Lockyer identificou a mesma linha em Londres e propôs que pertencia a um elemento ainda não conhecido na Terra. Foi batizado de hélio. O isolamento terrestre só viria em 1895, quando William Ramsay encontrou o gás em minerais radioativos no Reino Unido.

Quimicamente, o hélio é um gás monoatômico inerte. Pertence à família dos gases nobres, junto com neônio, argônio, criptônio, xenônio e radônio. Quase não reage com nada, propriedade que o torna útil em aplicações que exigem atmosfera não reativa.

De onde vem o hélio do mundo

O hélio terrestre é formado pelo decaimento radioativo de elementos como urânio e tório, ao longo de milhões de anos. Acumula-se em campos de gás natural subterrâneos, de onde é extraído industrialmente. Estados Unidos, Catar, Argélia e Rússia estão entre os principais produtores mundiais.

O Texas, nos Estados Unidos, foi por décadas o maior fornecedor mundial graças à reserva federal de hélio mantida desde a década de 1920. Em anos recentes, o Catar passou a ter papel central no mercado global. A oferta é limitada e os preços oscilam conforme a demanda industrial e científica.

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Aplicações que dependem do hélio

Aparelhos de ressonância magnética em hospitais usam hélio líquido para resfriar os ímãs supercondutores. Sem o gás a temperaturas próximas ao zero absoluto, os exames de imagem médica como conhecemos não funcionariam. Foguetes pressurizam tanques de combustível com hélio. Mergulhadores em profundidades extremas respiram misturas que incluem o gás para evitar problemas de pressão.

Balões de festas usam hélio pela densidade muito menor que a do ar. A voz fina ao inalar hélio é resultado da velocidade do som ser maior em um gás menos denso, o que altera a ressonância das cordas vocais. Não recomendamos a brincadeira: o hélio puro pode causar asfixia ao deslocar oxigênio dos pulmões.

Por que o hélio é estratégico

O hélio é recurso finito. Quando liberado na atmosfera, escapa para o espaço e não pode ser recuperado, porque é tão leve que não fica retido pela gravidade terrestre. Cada balão de festa solto contribui para uma escassez que afeta hospitais e laboratórios em escala global.

Países e empresas com acesso a campos de gás natural ricos em hélio têm vantagem estratégica. A pesquisa científica avança em direção a métodos de reciclagem de hélio em laboratórios e hospitais, mas o consumo continua superando alternativas de uso eficiente.

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Hélio além dos balõesO hélio em estado líquido atinge cerca de 4 graus acima do zero absoluto, o que o torna o melhor refrigerante para estados quânticos da matéria. Pesquisas em supercondutividade, computação quântica e física de partículas dependem dele. Em laboratórios de baixa temperatura, o gás é tratado como recurso precioso e reciclado sempre que possível.

Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia

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