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Abelha sem ferrão fabrica potes de cerume e mistura resinas…

Eu imaginava que árvores esperavam o ataque em silêncio, mas elas conseguem identificar até a saliva do inseto

Uma lagarta começa a comer uma folha. Para quem observa, a árvore parece incapaz de reagir. Ela não foge, não afasta o invasor com um movimento e não produz um chamado audível de socorro.

Ainda assim, o ataque provoca uma série de respostas. A árvore percebe o dano, ativa defesas químicas e, em algumas situações, libera substâncias capazes de atrair inimigos naturais do inseto.

Como uma árvore percebe que está sendo atacada?

O rompimento do tecido vegetal produz alterações físicas e químicas. A planta consegue diferenciar alguns tipos de dano e iniciar respostas defensivas.

Segundo Peter Wohlleben, no livro A vida secreta das árvores, determinadas árvores conseguem reconhecer substâncias presentes na saliva do inseto que está comendo suas folhas.

Essa informação permite uma reação mais específica do que aquela provocada por um galho quebrado pelo vento.

A árvore não identifica a lagarta como uma pessoa reconhece um rosto. O processo ocorre pela detecção de compostos químicos associados ao agressor.

O que acontece depois que a saliva é identificada?

A planta pode aumentar a concentração de substâncias desagradáveis ou tóxicas nas folhas. Essa alteração torna a alimentação menos vantajosa para o inseto.

Em outros casos, a árvore libera compostos voláteis no ar. Essas substâncias podem carregar informações sobre o ataque.

O livro relata que olmos e pinheiros conseguem atrair pequenas vespas relacionadas aos inimigos naturais de determinadas lagartas.

As vespas localizam o local e depositam ovos no corpo do inseto. Depois, as larvas utilizam o hospedeiro durante seu desenvolvimento.

A árvore, portanto, não precisa produzir diretamente uma estrutura para matar a lagarta. Ela pode acionar outro organismo que já participa daquela cadeia ecológica.

Árvores possuem sistema nervoso?

Árvores não possuem cérebro ou sistema nervoso como os animais. Comparações entre a comunicação vegetal e os sentidos humanos precisam ser utilizadas com cuidado.

Isso não significa que sejam incapazes de detectar mudanças.

As plantas respondem à luz, gravidade, temperatura, umidade, contato físico, ferimentos e substâncias químicas. Também transmitem sinais internamente.

Peter Wohlleben explica que alguns sinais percorrem o organismo vegetal de maneira relativamente lenta, chegando a uma velocidade próxima de um centímetro por minuto.

Dependendo da distância, uma resposta pode levar algum tempo para alcançar outras folhas.

A árvore sente dor quando uma folha é comida?

A ciência não permite afirmar que árvores experimentam dor consciente da mesma forma que animais com sistemas nervosos conhecidos.

O que pode ser observado é a capacidade de detectar lesões e responder a elas.

Usar palavras como “sentir”, “avisar” ou “pedir ajuda” facilita a compreensão, mas não significa que os processos internos sejam idênticos aos humanos.

A árvore reage por meio de sinais elétricos, alterações químicas, transporte de substâncias e mudanças no funcionamento dos tecidos.

Por que insetos continuam atacando árvores?

As defesas vegetais não são perfeitas. Insetos também desenvolveram adaptações para localizar plantas, suportar compostos defensivos e escolher os tecidos mais nutritivos.

Algumas espécies conseguem se alimentar de plantas tóxicas para muitos outros animais. Outras evitam partes com maior concentração de substâncias defensivas.

A relação forma uma disputa evolutiva contínua. Plantas desenvolvem barreiras; insetos desenvolvem maneiras de superá-las.

Predadores e parasitas acrescentam uma terceira camada a essa interação.

O que essa estratégia revela sobre a floresta?

Uma folha atacada não representa apenas uma relação entre uma árvore e uma lagarta. Ela pode envolver sinais químicos, vespas, outros insetos e árvores próximas.

A floresta funciona por meio de conexões que nem sempre são visíveis. O silêncio percebido pelos seres humanos não significa ausência de informação.

Ao identificar compostos presentes na saliva e liberar substâncias que atraem aliados, a árvore demonstra que permanecer imóvel não é o mesmo que permanecer indefesa.

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