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Em Manaus, evento da UFAM reúne 13 eixos de dados científicos para criar soluções pan-amazônicas

Em Manaus, evento da UFAM reúne 13 eixos de dados científicos para criar soluções pan-amazônicas
Foto: acervo

Encontro gratuito será realizado em 16 de setembro e discutirá inteligência artificial, cooperação e inovação regional.

Transformar informações científicas espalhadas em conexões capazes de orientar políticas públicas, negócios e pesquisas será o desafio de um encontro marcado para 16 de setembro, em Manaus. Organizado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o evento apresentará a construção de um sistema de recomendações para a Amazônia, com inteligência artificial, busca vetorial e integração de bases de dados.

A programação é gratuita e foi pensada para aproximar pesquisadores, startups, gestores públicos e investidores. A atividade ocorrerá das 9h às 12h, no Instituto Venturus, na Rua Pará, 500, bairro Nossa Senhora das Graças. A recepção dos participantes começa às 8h30, com uma merenda de acolhimento.

Uma plataforma para encontrar conexões que hoje ficam dispersas

O projeto parte de um problema comum para quem pesquisa ou desenvolve soluções na região: dados relevantes existem, mas estão distribuídos em diferentes sistemas, formatos e instituições. Essa fragmentação dificulta localizar especialistas, identificar competências e aproximar a produção acadêmica das necessidades de empresas, governos e comunidades.

Segundo a UFAM, o sistema em desenvolvimento integra informações de mais de dez bases científicas, entre elas a plataforma Lattes, a OpenAlex, a Espacenet e a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações. A proposta é organizar esses conteúdos e recomendar conexões a partir de 13 eixos relacionados à sociobiodiversidade e aos desafios amazônicos.

Em 16 de setembro de 2026, em Manaus, a UFAM apresentará um sistema de recomendações que combina inteligência artificial e busca vetorial para integrar dados científicos ligados a 13 áreas estratégicas da Amazônia.

Os 13 temas que orientam o sistema

Os eixos funcionam como uma forma de classificar os assuntos prioritários e facilitar a identificação de pesquisadores, tecnologias e oportunidades de cooperação. Eles incluem recuperação e monitoramento de ecossistemas, biotecnologia, energia renovável, sistemas alimentares sustentáveis e adaptação às mudanças climáticas.

Também fazem parte da estrutura os temas de educação, cultura, povos e saberes tradicionais; gestão de recursos hídricos; saúde da população amazônica; tecnologias sociais; inteligência artificial aplicada aos desafios regionais; integração amazônica; cadeias produtivas da sociobiodiversidade; e mineração na Amazônia.

Na prática, uma ferramenta desse tipo pode ajudar a localizar conhecimento produzido em diferentes universidades e centros de pesquisa, além de indicar possíveis aproximações entre demandas do setor produtivo e competências científicas. O encontro, porém, está voltado à apresentação da construção do sistema e à escuta de possíveis parceiros, não à entrega de uma plataforma concluída ao público.

Brasil, Peru e Colômbia entram no mesmo mapa

Um dos diferenciais anunciados é a dimensão pan-amazônica. A proposta prevê dashboards e métricas capazes de visualizar informações de Brasil, Peru e Colômbia, permitindo observar competências, temas e oportunidades de parceria para além das fronteiras nacionais.

Essa perspectiva é relevante porque problemas como mudanças climáticas, conservação de ecossistemas, circulação de espécies, gestão das águas e cadeias da sociobiodiversidade não se encerram nos limites administrativos de cada país. Para os estados da Amazônia Legal, a cooperação pode ampliar o acesso a redes de pesquisa e facilitar a identificação de iniciativas complementares em diferentes territórios.

A coordenadora do projeto e do evento, professora Célia Simonetti, relaciona a integração de dados à autonomia regional. “Estar vinculado ao Pró-Amazônia significa somar esforços para produzir um conhecimento soberano, fortalecer as redes científicas da região e garantir que a academia possa responder diretamente aos desafios socioambientais da Amazônia”, afirmou.

O que será debatido durante a manhã

A abertura abordará a importância dos dados abertos para o desenvolvimento sustentável e reunirá representantes do ecossistema de inovação, pesquisa e gestão pública. Entre 9h15 e 10h15, estão previstas três apresentações, sobre o uso de dados para conectar ciência e inovação, a criação do sistema de recomendação científica e o desenvolvimento de dashboards pan-amazônicos.

Os debates seguintes terão participação de Adilson Luiz Pinto, Célia Regina Simonetti Barbalho, Josmel Pacheco Mendoza, Juan Camilo Vallejo Echavarria, Mateus Rebouças e Thiago Magela Rodrigues. A primeira conversa tratará dos desafios amazônicos e das respostas tecnológicas. Às 11h15, a discussão será dedicada a alianças e parcerias para a cooperação técnica e a co-criação.

Os quatro eixos da programação são Inteligência Científica e Conexão, Tecnologia de Ponta, Visualização de Dados Pan-Amazônica e Oportunidades de Parceria. Eles correspondem às etapas de mapeamento de especialistas, apresentação da arquitetura tecnológica, leitura dos dados regionais e construção de possíveis acordos entre os participantes.

Por que a soberania digital aparece no debate

Para Célia Simonetti, organizar dados produzidos na própria região também envolve definir quem controla o conhecimento sobre a Amazônia e como ele será convertido em inovação. A pesquisadora afirma que plataformas autônomas podem reduzir a dependência de estruturas externas e fortalecer instituições locais.

Esse debate ganha peso em áreas como biotecnologia, mineração, saúde, energia e cadeias produtivas da sociobiodiversidade, nas quais informações científicas podem orientar decisões econômicas e ambientais. A existência de dados abertos, no entanto, não elimina a necessidade de critérios de qualidade, proteção de informações sensíveis e participação das comunidades envolvidas.

O encontro é realizado no âmbito do projeto Construção de sistema de recomendações para a clusterização de temas na Amazônia, impulsionado pelo Programa Integrado de Desenvolvimento Sustentável da Região Amazônica, o Pró-Amazônia. O programa é associado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Serviço

  • Evento: Integração de dados abertos para a Amazônia: transformando dados científicos em soluções para a região
  • Data: 16 de setembro de 2026
  • Horário: recepção às 8h30; programação das 9h às 12h
  • Local: Instituto Venturus, Rua Pará, 500, bairro Nossa Senhora das Graças, Manaus
  • Inscrição: gratuita para profissionais e estudantes, pela página oficial do evento

As discussões e as propostas de parceria apresentadas durante a manhã devem orientar os próximos passos do sistema de recomendações e da cooperação científica pan-amazônica.

Com informações de Universidade Federal do Amazonas.

Quem pode participar?

O encontro é aberto gratuitamente a profissionais e estudantes interessados em ciência, tecnologia, inovação, gestão pública e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

É necessário fazer inscrição?

Sim. A participação deve ser confirmada previamente pela página oficial do evento, indicada no serviço desta matéria.

Quais países serão considerados no sistema?

A proposta de visualização de dados pan-amazônica envolve Brasil, Peru e Colômbia.

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