×
Próxima ▸
Como recuperar uma Bateria “morta” de 1,5 V e acender…

Finep reserva R$ 300 milhões para tecnologias do agro e amplia espaço para projetos na Amazônia

Finep reserva R$ 300 milhões para tecnologias do agro e amplia espaço para projetos na Amazônia
Foto: OpenIA

Empresas podem apresentar propostas com instituições de pesquisa até 30 de setembro de 2026.

Uma empresa de tecnologia instalada no Acre, no Amapá, no Amazonas, no Pará, em Rondônia, Roraima ou Tocantins pode disputar recursos para transformar uma solução experimental em produto ou processo aplicável ao agronegócio. A oportunidade está na chamada Finep Mais Inovação Brasil, Rodada 2, Cadeias Agroindustriais Sustentáveis, que reúne R$ 300 milhões em subvenção econômica e recebe propostas até 30 de setembro de 2026, às 17h.

O edital tem abrangência nacional, mas prevê uma reserva de pelo menos R$ 90 milhões para projetos executados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para a Amazônia, o desenho cria uma porta de entrada para aproximar startups, indústrias, universidades e cadeias produtivas que ainda enfrentam distância dos grandes centros de investimento em pesquisa e desenvolvimento.

O recurso é para desenvolver tecnologia, não apenas comprar equipamentos

A chamada foi estruturada para apoiar desafios tecnológicos. Na prática, isso significa que a proposta precisa demonstrar a necessidade de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com incerteza sobre a solução a ser criada ou aperfeiçoada. A verba não se destina simplesmente à expansão convencional de uma empresa ou à aquisição isolada de máquinas.

O mecanismo utilizado é a subvenção econômica, modalidade de apoio público à inovação empresarial. Diferentemente de um financiamento reembolsável tradicional, o instrumento foi concebido para compartilhar o risco de projetos tecnológicos que podem exigir investimentos elevados antes de alcançar o mercado.

Segundo a Finep, a chamada está aberta em todo o Brasil e prevê o envio de propostas até 30 de setembro de 2026, às 17h, pela plataforma da instituição.

Quatro caminhos para entrar na chamada

O primeiro eixo contempla produtividade agrícola e segurança alimentar. Podem se enquadrar nessa frente soluções ligadas a bioinsumos, fixação biológica de nutrientes, microrganismos, melhoramento genético, monitoramento e manejo de lavouras. O objetivo é enfrentar gargalos que limitam a eficiência produtiva e a oferta de alimentos.

A segunda linha é voltada à nacionalização de máquinas e equipamentos para o agronegócio. Projetos de automação, sistemas de controle e desenvolvimento industrial podem reduzir a dependência de tecnologias importadas e ampliar a capacidade de fabricação brasileira.

Também há espaço para pesquisa e desenvolvimento em alimentos, incluindo novos produtos, processos e tecnologias relacionados à qualidade, à segurança e à eficiência da produção. A quarta frente trata de têxteis técnicos, segmento que amplia o alcance do edital para materiais e aplicações tecnológicas utilizadas em diferentes cadeias produtivas.

Por que a Amazônia pode se beneficiar

A reserva regional não elimina a necessidade de competição técnica, mas aumenta a relevância de projetos realizados no Norte. Nos estados amazônicos, uma proposta pode combinar conhecimento científico local com desafios de logística, produção de alimentos, bioeconomia, mecanização e adaptação de tecnologias às condições de cada território.

Uma agtech da região, por exemplo, pode apresentar uma solução de monitoramento agrícola, desde que consiga demonstrar o desafio tecnológico e a estratégia de desenvolvimento. Da mesma forma, empresas de biotecnologia, fabricantes de equipamentos, foodtechs e negócios ligados à automação podem buscar parceria com instituições científicas e tecnológicas para estruturar propostas mais completas.

O edital não cria uma linha exclusiva para produtos amazônicos nem garante aprovação por localização. A vantagem regional está na reserva de recursos e na possibilidade de financiar projetos executados no Norte, desde que eles atendam às regras, aos critérios de inovação e às linhas temáticas estabelecidas.

Empresa e instituição de pesquisa precisam trabalhar juntas

Um dos pontos centrais da chamada é a participação conjunta entre empresas e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação, conhecidas como ICTs. A parceria deve contribuir para o desenvolvimento técnico e científico do projeto, conectando a demanda empresarial à capacidade de pesquisa de universidades e centros tecnológicos.

Esse arranjo pode ser especialmente importante para startups e empresas tradicionais que possuem uma ideia ou protótipo, mas ainda precisam validar desempenho, aperfeiçoar materiais, testar processos ou comprovar a viabilidade de uma aplicação comercial. Para as ICTs, a cooperação amplia a possibilidade de levar conhecimento produzido em laboratórios para problemas concretos do setor produtivo.

Quanto cada projeto pode receber

Conforme as regras consolidadas da chamada, o apoio varia de acordo com o formato de participação. No Arranjo Simples, os projetos podem receber entre R$ 5 milhões e R$ 25 milhões. No Arranjo em Rede, a faixa vai de R$ 5 milhões a R$ 40 milhões.

A diferença está relacionada à composição do projeto e ao envolvimento das empresas e instituições participantes. Por isso, antes de preparar o formulário, a empresa precisa definir o problema tecnológico, os parceiros, as etapas de desenvolvimento, os resultados esperados e a forma como a inovação poderá chegar ao mercado.

O valor total disponível, de R$ 300 milhões, está associado ao programa Finep Mais Inovação Brasil, iniciativa vinculada à estratégia de reindustrialização e ao fortalecimento da capacidade tecnológica brasileira. A proposta é aproximar ciência, indústria e produção agroindustrial, em vez de tratar inovação como uma etapa isolada.

Prazo e documentos para apresentar a proposta

As inscrições permanecem abertas até as 17h de 30 de setembro de 2026. A chamada funciona em fluxo contínuo, o que torna relevante o planejamento antecipado, especialmente para empresas que ainda precisam formalizar a parceria com uma ICT e reunir informações técnicas.

O cadastro, o preenchimento do Formulário de Apresentação de Proposta e a apresentação de eventuais recursos seguem as orientações da plataforma. A empresa pode consultar a chamada oficial da Finep e os documentos para inscrição.

O que ainda precisa ser demonstrado

O acesso ao recurso dependerá da qualidade técnica e da aderência da proposta ao edital. Não basta apresentar uma atividade ligada ao agronegócio. O projeto precisa mostrar qual problema será enfrentado, por que a solução ainda exige desenvolvimento, quais resultados serão entregues e como a inovação poderá aumentar a produtividade, a segurança alimentar, a autonomia industrial ou a agregação de valor.

Para empresas amazônicas, esse planejamento também deve considerar a execução regional, a infraestrutura disponível, a formação de equipes e a participação efetiva de instituições de pesquisa. A etapa seguinte é organizar os projetos e enviar as propostas dentro do prazo final estabelecido pela Finep.

Quem pode participar

Empresas brasileiras são o público-alvo da chamada. Os projetos devem observar as regras do edital e podem envolver ICTs como parceiras técnico-científicas.

Quais áreas são contempladas

As quatro frentes são produtividade agrícola e segurança alimentar, máquinas e equipamentos para o agronegócio, inovação em alimentos e têxteis técnicos.

Empresas do Norte podem concorrer

Sim. A chamada é nacional e prevê reserva de pelo menos R$ 90 milhões para projetos executados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Com informações da Finep.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA