
Plataforma lançada pelo CERTI e pela Siemens aproxima demandas do território de startups, pesquisadores e empresas de tecnologia.
Para quem enfrenta um problema de conectividade, produção ou gestão no território amazônico, encontrar uma equipe capaz de desenvolver a solução costuma ser tão difícil quanto definir o próprio desafio. A plataforma Loopi foi criada para encurtar esse percurso. Apresentada em Macapá, no Amapá, em agosto de 2026, a ferramenta digital conecta demandas de empresas, instituições públicas e organizações a startups, pesquisadores, institutos de ciência e tecnologia e empresas de base tecnológica.
A iniciativa é do Instituto CERTI Amazônia e da Fundação CERTI, em parceria com o Grupo Siemens. A proposta é organizar em um único ambiente as etapas que normalmente ficam dispersas: apresentação do problema, busca por parceiros, formação de conexões e acompanhamento da evolução de projetos voltados à sustentabilidade e ao desenvolvimento regional.
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A apresentação oficial ocorreu durante o nexBio Amazônia, programa suíço-brasileiro de inovação sustentável realizado em Macapá pela Swissnex no Brasil, em conjunto com a Embaixada da Suíça no Brasil e a Universidade de St Gallen. O encontro serviu também para colocar a plataforma diante de organizações que poderiam participar de uma aplicação concreta.
Ao todo, 19 organizações, entre startups e pesquisadores, avaliaram a aderência de suas soluções a dois desafios lançados pela Unifique. A empresa adquiriu os direitos de exploração da faixa de 700 MHz do 5G nos estados amazônicos, contexto que deu ao teste uma conexão direta com a expansão de infraestrutura e serviços digitais na região.
O episódio em Macapá não representa apenas uma demonstração de tecnologia. Ele mostra como a Loopi pretende operar: uma demanda territorial é registrada, passa por curadoria e é apresentada a possíveis parceiros com conhecimento técnico para trabalhar sobre aquele problema.
Como a conexão entre demanda e solução deve funcionar
Na prática, uma organização pode apresentar na Loopi uma necessidade estratégica relacionada às suas atividades. A plataforma estrutura as informações para facilitar a compreensão do desafio e permite localizar atores interessados em colaborar. Entre os possíveis participantes estão empresas de base tecnológica, universidades, pesquisadores, startups e institutos de ciência e tecnologia.
O modelo é conhecido como inovação aberta porque não limita a resposta à equipe ou ao fornecedor tradicional de quem apresenta o problema. A solução pode ser construída por uma combinação de competências, com participação de diferentes organizações e conhecimentos.
“O objetivo é criar uma conexão entre quem tem um desafio e quem possui capacidade tecnológica para contribuir com uma solução. A inovação aberta permite unir diferentes conhecimentos e acelerar projetos que tenham impacto direto na região amazônica”, afirma Daniel Penz, desenvolvedor de novos negócios do Instituto CERTI Amazônia.
Segundo o Instituto CERTI Amazônia, a Loopi foi apresentada em Macapá, em agosto de 2026, como uma ferramenta para aproximar desafios tecnológicos do território amazônico de organizações capazes de desenvolver respostas colaborativas.
Mais do que um catálogo de ideias
A principal diferença proposta pela plataforma está no acompanhamento. A Loopi não foi descrita apenas como um espaço para divulgar chamadas ou reunir contatos. O ambiente também prevê o monitoramento da evolução das iniciativas, com foco em transparência, governança e impacto regional.
Esse desenho tenta enfrentar uma dificuldade recorrente em projetos de inovação: a distância entre uma boa ideia e sua execução. Uma startup pode ter uma tecnologia aplicável, mas não conhecer a demanda de uma empresa amazônica. Da mesma forma, uma instituição local pode identificar um problema urgente, mas não saber onde encontrar pesquisadores ou parceiros para transformá-lo em protótipo, teste e projeto.
A curadoria técnica deve considerar as características sociais, ambientais e econômicas da Amazônia. Esse ponto é relevante porque uma solução desenvolvida para um grande centro urbano nem sempre funciona em comunidades com acesso limitado à internet, longas distâncias, logística complexa ou diferentes formas de organização produtiva.
O que a iniciativa pode representar para a região
O alcance pretendido envolve os estados amazônicos, onde desafios de infraestrutura, conectividade, geração de renda e uso sustentável dos recursos convivem com uma rede crescente de universidades, empresas e empreendedores. Ao aproximar essas duas pontas, a plataforma busca fazer com que as necessidades locais orientem a criação e a adaptação de tecnologias.
Para o leitor da região, isso significa uma tentativa de deslocar o centro da inovação. Em vez de soluções serem pensadas longe do território e apenas aplicadas na Amazônia, a lógica apresentada pela Loopi parte de problemas identificados na própria região. O resultado esperado é que projetos tenham maior aderência às condições locais e possam gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais.
Esse processo, porém, depende da qualidade dos desafios cadastrados, da participação contínua de organizações e da capacidade de transformar conexões iniciais em projetos executados. Uma plataforma pode facilitar o encontro, mas não substitui financiamento, testes em campo, infraestrutura, formação profissional e governança entre os envolvidos.
Próximos passos dependem de novos desafios
Para Daniel Penz, a oportunidade está em converter demandas amazônicas em projetos com possibilidade de escala. “A Amazônia tem desafios que podem ser transformados em oportunidades quando conectamos conhecimento, tecnologia e capacidade empreendedora. Queremos contribuir para que soluções desenvolvidas a partir das necessidades locais ganhem escala e gerem benefícios concretos para a sociedade”, diz.
A ferramenta pode ser acessada pelo endereço loopi.tech4amazonia.publicvm.com. Informações sobre o Instituto CERTI Amazônia também estão disponíveis em certiamazonia.org.br. A continuidade da iniciativa dependerá da entrada de novos desafios, parceiros e projetos após a apresentação realizada em Macapá.
Como conhecer a Loopi
Quem deseja consultar a plataforma pode acessar o ambiente digital e conhecer os desafios e possibilidades de conexão disponíveis. A ferramenta foi criada para empresas, instituições públicas, organizações, startups, pesquisadores e institutos de ciência e tecnologia interessados em inovação aplicada ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.
- Plataforma: Loopi
- Instituto responsável: Instituto CERTI Amazônia
- Fundação parceira: Fundação CERTI
Com informações de Fundação CERTI e Instituto CERTI Amazônia.
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