Sistema piloto usa dados hidrológicos, modelos analíticos e automação para apoiar decisões em duas hidrelétricas amazônicas.
Decidir quanto uma hidrelétrica pode gerar depende de informações que mudam o tempo todo: nível dos rios, previsão de vazões, condições das turbinas, regras ambientais e necessidades do sistema elétrico. Para reunir esses dados em um mesmo processo, a AXIA Energia iniciou, em setembro de 2026, um projeto piloto de inteligência artificial nas usinas de Tucuruí, no Pará, e Teles Pires, na fronteira com Mato Grosso.
Em testes feitos com dados históricos da Usina Hidrelétrica Teles Pires, a ferramenta indicou potencial de aumento de aproximadamente 12,36% na geração diária em relação a cenários operacionais de referência. O percentual representa uma possibilidade identificada em simulações, e não uma promessa de resultado permanente ou automático.
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Batizado de Sistema de Previsão, Otimização e Contestação, ou SPOC, o sistema combina três frentes que costumavam exigir consultas e tarefas separadas. A primeira é a previsão de vazões. A segunda é a sugestão de cenários para a programação energética. A terceira é a automação de etapas ligadas ao acompanhamento regulatório.
O projeto conecta mais de 17 bases de dados operacionais. Entre as fontes utilizadas estão informações da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, do Operador Nacional do Sistema Elétrico e dados de telemetria dos rios. Na prática, a integração reduz a necessidade de reunir manualmente informações espalhadas por diferentes sistemas antes de uma decisão operacional.
Segundo a AXIA Energia, o SPOC produz previsões para três horizontes de planejamento. Isso permite apoiar tanto escolhas do dia a dia quanto análises de médio e longo prazo, sempre considerando as condições hidrológicas que afetam a disponibilidade de água para geração.
Como a inteligência artificial apoia a operação
A plataforma utiliza modelos analíticos para apresentar possibilidades de despacho energético. Essas recomendações levam em conta as características das unidades geradoras, as restrições ambientais e as condições de funcionamento do Sistema Interligado Nacional, o SIN.
A decisão final, no entanto, continua com as equipes responsáveis pela operação das usinas. A inteligência artificial funciona como apoio à análise, não como substituta dos profissionais. O objetivo é oferecer mais elementos para comparar cenários e identificar alternativas que reduzam perdas operacionais, inclusive o vertimento de água.
“Com os dados estruturados, desenvolvemos modelos de previsão de vazão que apoiam a operação em diferentes horizontes de planejamento, desde as decisões do dia a dia até projeções de longo prazo. A solução também reúne algoritmos de otimização e recursos de IA generativa que tornam a operação mais eficiente e os processos de contestação mais ágeis”, afirma Pedro Basilio, cientista de dados do Centro de Excelência de IA da AXIA Energia.
Vertimento ocorre quando parte da água disponível deixa de passar pelas turbinas e é liberada por outros meios, em situações determinadas pelas condições de segurança, operação ou pelo planejamento do sistema. A ferramenta pode ajudar a identificar cenários mais eficientes, mas a escolha precisa respeitar as regras técnicas e ambientais aplicáveis a cada usina.
Automação chega também à área regulatória
O mesmo ambiente digital foi desenhado para apoiar análises de indisponibilidade encaminhadas ao ONS. Antes, esse trabalho podia exigir a consulta a diferentes documentos e sistemas. Com o SPOC, a identificação de apontamentos, a busca por informações operacionais e regulatórias e a preparação de pareceres técnicos passam a contar com recursos automatizados.
Isso não significa que uma contestação será aceita automaticamente. A plataforma organiza evidências e produz subsídios para que as equipes investiguem cada ocorrência e decidam se há fundamento para apresentar uma contestação. O ganho esperado está na velocidade e na integração do processo.

“A solução se aproveita da integração de processos que normalmente funcionam separados. Estruturamos a sinergia natural que acontece entre eles em determinado ponto de suas execuções para ampliarmos os ganhos operacionais”, destaca Herbeth Morais Costa, analista de Gestão Operacional da AXIA Energia.
Por que o projeto importa para a Amazônia
As duas usinas estão inseridas em uma região onde o comportamento dos rios tem impacto direto sobre a produção de eletricidade, a gestão dos reservatórios e o planejamento do sistema nacional. Tucuruí está no Pará, enquanto Teles Pires fica na área de fronteira com Mato Grosso. A aplicação de ferramentas de previsão hidrológica nesses empreendimentos aproxima a tecnologia da realidade operacional amazônica, marcada por grandes bacias e variações sazonais de vazão.
O resultado também interessa a outros estados da Amazônia Legal, como Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Maranhão, porque decisões tomadas em grandes usinas se conectam ao funcionamento do SIN. Essa conexão, porém, não significa que o piloto altere imediatamente a conta de energia ou a oferta de eletricidade para os consumidores. Nesta etapa, o foco está na operação dos ativos e na avaliação de ganhos possíveis.
Segundo a AXIA Energia, os testes históricos em Teles Pires apontaram potencial de 12,36% na geração diária. O dado ainda precisa ser observado durante a fase piloto, sob condições reais de operação, antes de ser tratado como desempenho consolidado.
O que acontece a partir de agora
Com o início do piloto, a empresa passa a avaliar como a integração entre dados, modelos de inteligência artificial e conhecimento das equipes pode melhorar as decisões nas duas hidrelétricas. A experiência também deverá mostrar em quais situações as recomendações são mais úteis e quais limites precisam ser mantidos para garantir segurança operacional e conformidade regulatória.
A próxima etapa é acompanhar o uso da plataforma nas rotinas de Tucuruí e Teles Pires e comparar os resultados com os cenários de referência utilizados no desenvolvimento da solução.
Dúvidas comuns sobre o projeto
A geração vai aumentar imediatamente em 12,36%?
Não. O índice foi identificado em testes com dados históricos da Usina Teles Pires e indica um potencial de ganho em relação a cenários de referência. A fase piloto servirá para avaliar o desempenho em condições operacionais reais.
A inteligência artificial decide sozinha quanto a usina vai gerar?
Não. O sistema apresenta previsões e recomendações, mas a decisão final permanece sob responsabilidade das equipes de operação.
Quais usinas participam do piloto?
O projeto começou nas hidrelétricas de Tucuruí, no Pará, e Teles Pires, na fronteira com Mato Grosso.
Com informações de AXIA Energia.
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