
Pesquisadores brasileiros confirmaram em 2025-2026 a existência de uma nova espécie de inhambu restrita ao topo da Serra do Divisor, no Acre. A ave foi batizada popularmente como sururina-da-serra (Slaty-masked Tinamou). A última vez que uma espécie desse grupo de inhambus florestais havia sido descrita foi há cerca de 80 anos.
A identificação só foi possível graças a uma combinação de gravações de canto antigas (2021), observações e fotografias recentes. O pesquisador Luís Morais foi o primeiro a fotografar a espécie. A ave ocorre somente nas formações vegetais altimontanas da Serra do Divisor, entre 300 e 500 metros de altitude, em ambiente isolado de campinarana de topo de serra.
Habitat extremamente restrito
O solo arenoso, o vento constante e a umidade elevada criam condições únicas que não se repetem em outras regiões da Amazônia. A descoberta é considerada histórica para a ornitologia brasileira.
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Antas engoliram sementes em uma área degradada da Amazônia e devolveram ao solo plantas que germinaram mais rápido do que as preparadas à mãoA confirmação veio nas expedições realizadas entre novembro de 2024 e julho de 2025, quando a equipe conseguiu gravar, observar e documentar a ave a poucos metros de distância.
A importância de habitats isolados
A Serra do Divisor funciona como uma ilha ecológica. As condições de solo, vento e umidade no topo criam um ambiente que não se repete facilmente em outras partes da Amazônia. Espécies que evoluem nessas condições tendem a ser endêmicas e vulneráveis a qualquer alteração.
A descoberta da sururina-da-serra após quase 80 anos sem novas descrições no grupo mostra o valor de se investir em inventários ornitológicos em áreas de difícil acesso. A combinação de bioacústica histórica com observação direta foi o que permitiu a confirmação.
Para a conservação, a mensagem é clara: proteger a Serra do Divisor é proteger uma linhagem que existe apenas ali. A ave agora tem nome e, com isso, pode entrar nas discussões de políticas de proteção.
Perspectiva mais ampla e conexão com o Brasil
Essas descobertas de 2025 e 2026 se somam a um conjunto crescente de evidências de que a Amazônia brasileira ainda guarda um volume extraordinário de biodiversidade e de história humana desconhecida. Seja uma rã críptica, um caranguejo de altitude, um escorpião perto de uma cachoeira, um gafanhoto batizado com toada de Parintins, uma ave restrita a topo de serra, um conjunto de espécies novas em 12 dias de campo, um cemitério indígena ou sinais de isolados, o padrão é o mesmo: a floresta continua a surpreender.
Para o leitor brasileiro, cada uma dessas histórias traz números concretos, localidades precisas e consequências mensuráveis. Elas substituem a imagem genérica da Amazônia por uma paisagem de descobertas específicas, datadas e verificáveis. E, ao fazer isso, reforçam a urgência de proteger os territórios onde essas descobertas ainda são possíveis.
A ciência feita no Brasil, em parceria com povos indígenas e com instituições de pesquisa, continua a escrever páginas novas da história natural e cultural da maior floresta tropical do mundo.
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