×
Próxima ▸
Fundo global de proteção à floresta tropical pode fracassar sem…

Onda de calor nos EUA ameaça 250º aniversário e Copa do Mundo

Onda de calor nos EUA ameaça 250º aniversário e Copa do Mundo
Ilustração: IA

Temperaturas extremas deste fim de semana seriam praticamente impossíveis sem a crise climática, alertam pesquisadores.

O calor extremo que atinge grande parte dos Estados Unidos nesta semana seria ‘praticamente impossível’ sem as mudanças climáticas causadas pela queima de combustíveis fósseis, aponta estudo divulgado na sexta-feira (3). A onda de calor ameaça não apenas as celebrações do 250º aniversário da independência americana, mas também partidas da Copa do Mundo programadas para o fim de semana.

A análise foi conduzida pela World Weather Attribution, consórcio internacional de pesquisadores climáticos, e alerta para os riscos que as altas temperaturas e umidade representam tanto para os milhares de pessoas que se reúnem em Washington DC quanto para jogadores e torcedores em estádios da Copa.

‘O clima que o país tem hoje é fundamentalmente diferente daquele que existia quando os pais fundadores assinaram a Declaração de Independência’, afirmou Theodore Keeping, pesquisador de eventos climáticos extremos do Imperial College London, em comunicado.

Calor sem precedentes atinge região central e leste do país

Um sistema de alta pressão, conhecido como domo de calor, traz condições quentes e úmidas para uma vasta área dos Estados Unidos central e leste, além de regiões do sul do Canadá. Mesmo no contexto da crise climática atual, ondas de calor dessa magnitude são raras: estima-se que ocorram apenas uma vez a cada 200 anos.

Segundo o estudo, se as emissões de gases de efeito estufa não tivessem aquecido o planeta em 1,4°C (2,5°F), eventos como este não seriam esperados nem uma vez em milhares de anos. Os dados mostram que o aquecimento global transformou o que seria um fenômeno praticamente impossível em uma ocorrência concreta e recorrente.

A pesquisa reforça que a origem do problema está principalmente na queima de combustíveis fósseis, responsável pela maior parte das emissões que alteram o clima global.

Copa do Mundo em risco por temperaturas extremas

As altas temperaturas previstas para este fim de semana devem afetar diretamente partidas da Copa do Mundo. A partida entre França e Paraguai na Filadélfia, marcada para sábado, deve ser realizada sob níveis de calor extremo que, segundo sindicato global de jogadores, deveriam acionar o adiamento ou cancelamento dos jogos.

Outra partida sob risco é o confronto entre Cabo Verde e Argentina em Miami, agendado para sexta-feira, que também deve ocorrer em condições potencialmente perigosas de calor e umidade. As condições climáticas levantam preocupações sobre a segurança de atletas e torcedores presentes nos estádios.

As projeções meteorológicas indicam temperaturas recordes especialmente na capital americana, onde milhares de pessoas devem se reunir para as celebrações do aniversário de 250 anos da independência do país. A data histórica coincide com um momento em que o próprio clima se tornou uma ameaça aos eventos tradicionais.

Cientistas cobram ação imediata contra emissões

‘Quando uma celebração histórica do 4 de julho é interrompida e partidas da Copa do Mundo são jogadas em condições inseguras para jogadores e torcedores, não deveria ser necessário mais um estudo científico para acordar as pessoas’, declarou Friederike Otto, professora de ciência climática do Centro de Política Ambiental do Imperial College London.

Segundo ela, trata-se de um alerta urgente de que o mundo precisa começar imediatamente a reduzir drasticamente a poluição por gases de efeito estufa. ‘A mudança climática está aqui. Já está impactando as coisas que apreciamos no nosso dia a dia, e vai continuar piorando enquanto arrastarmos a inevitável transição para emissões líquidas zero’, afirmou Otto.

Os pesquisadores enfatizam que eventos climáticos extremos como este não são mais anomalias estatísticas, mas consequências diretas e mensuráveis das escolhas energéticas feitas ao longo de décadas. A transformação do clima em apenas dois séculos e meio de industrialização alterou fundamentalmente os padrões meteorológicos do país.

Entenda o caso

A World Weather Attribution é um consórcio internacional que analisa rapidamente eventos climáticos extremos para determinar o papel das mudanças climáticas. Seus estudos comparam o clima atual, já aquecido 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, com modelos climáticos que simulam como seria o planeta sem as emissões de gases de efeito estufa. A metodologia permite identificar com precisão científica o quanto eventos específicos foram intensificados ou tornados mais prováveis pelo aquecimento global.

Conexão amazônica

A Amazônia desempenha papel crucial na regulação climática global. O desmatamento e degradação da floresta contribuem significativamente para as emissões de gases de efeito estufa, agravando ondas de calor como a que atinge os Estados Unidos. A preservação da maior floresta tropical do mundo é essencial para evitar que eventos extremos se tornem ainda mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

Cientistas alertam que a destruição da Amazônia pode desencadear pontos de não retorno no sistema climático, intensificando eventos extremos em outras regiões do planeta, incluindo América do Norte, Europa e Ásia. A interconexão entre os sistemas climáticos globais torna a proteção da floresta amazônica uma prioridade não apenas regional, mas mundial.

Perguntas frequentes

Com que frequência ondas de calor como esta ocorrem atualmente?
Segundo o estudo, eventos dessa magnitude ocorrem aproximadamente uma vez a cada 200 anos no clima atual. Sem o aquecimento global, não seriam esperados nem uma vez em milhares de anos.

Quanto o planeta já aqueceu desde a era pré-industrial?
A temperatura média global subiu 1,4°C (2,5°F) desde os níveis pré-industriais, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis.

O que é um domo de calor?
É um sistema de alta pressão atmosférica que aprisiona ar quente sobre uma região por dias ou semanas, causando temperaturas extremas e prolongadas.

Os pesquisadores alertam que, sem ação climática urgente, ondas de calor como a atual se tornarão mais frequentes e intensas nas próximas décadas, ameaçando não apenas eventos culturais e esportivos, mas a vida cotidiana de milhões de pessoas.

Com informações de The Guardian.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA