
No vasto e desafiador bioma do Cerrado brasileiro, onde a pressão por terras aráveis e a conservação da biodiversidade se chocam, emerge uma narrativa de transformação impulsionada pela inovação e pelo capital estrangeiro. O Projeto REVERTE, uma iniciativa da Syngenta – subsidiária do gigante chinês Grupo Sinochem – em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) e o Itaú BBA, está reescrevendo a história de fazendas outrora degradadas, demonstrando que é possível expandir a produção de alimentos sem recorrer ao desmatamento.
A essência do REVERTE, lançado em 2019, é oferecer um modelo de agricultura regenerativa. Em vez de abrir novas fronteiras agrícolas, o programa concentra-se na restauração e na revitalização de terras já existentes, mas que se tornaram inférteis devido a práticas como o sobrepastoreio. Este modelo não apenas promove a segurança alimentar em um contexto de crescente demanda global, mas também atende a rigorosos padrões socioambientais.
A jornada de sucesso começa com histórias como a dos irmãos Igor e Ivan Biancon, no Mato Grosso. Após a pandemia de COVID-19, impulsionados pela alta dos preços dos alimentos, eles buscaram expandir suas culturas de soja e milho. No entanto, grande parte de sua propriedade era improdutiva. Encaminhados ao REVERTE pelo banco, eles se tornaram a primeira fazenda a aderir ao programa. Por meio de um plano de melhoria personalizado, que envolveu a incorporação de fertilizantes orgânicos (palha) e químicos, a fazenda dos Biancon viu sua área arável saltar de 14.000 para 45.000 hectares, sem prejuízo à pecuária. Essa expansão sustentável permitiu o cultivo de soja, feijão e algodão em um ciclo de duas safras.
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O impacto do REVERTE vai além da recuperação do solo. O programa se consolida como um ecossistema de soluções, provendo financiamento de longo prazo e ferramentas digitais avançadas para garantir o sucesso dos agricultores e o monitoramento ambiental.
Para incentivar a adesão, a Syngenta estabeleceu uma parceria estratégica com o Itaú BBA, que oferece uma linha de crédito de 10 anos aos agricultores. O acesso a esse financiamento, contudo, é estritamente condicionado ao cumprimento das normas ambientais locais, notadamente o Código Florestal brasileiro, que exige a manutenção de uma porcentagem de vegetação nativa na propriedade e proíbe a invasão de áreas florestadas.
No campo da tecnologia, fazendas como a JNC, a maior a utilizar a tecnologia REVERTE com quase 90.000 hectares, demonstram a revolução digital na agricultura. Com o uso de ferramentas digitais, é possível pré-programar densidade e profundidade de plantio, monitorar máquinas em tempo real e até mesmo detectar e prevenir incêndios.
O sistema de rotação de culturas adotado nessas propriedades é um exemplo de inteligência ecológica. Na Fazenda JNC, lotes são dedicados ao pasto por metade do ano e ao plantio de soja na outra metade. Após a colheita, capim nutritivo é plantado para o gado, que depois é transferido. Essa rotação evita a infertilidade do solo por pastejo contínuo, garantindo forragem fresca e safras abundantes de soja.

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Um Modelo para o Futuro e a Visão Chinesa
A sustentabilidade do projeto é visível na prática. Elson Steves, diretor técnico da Fazenda JNC, demonstrou o viveiro da fazenda, onde mudas nativas do Cerrado ou da Floresta Amazônica são cultivadas e replantadas em áreas degradadas. Em um esforço notável de restauração hídrica, árvores foram plantadas em 46 nascentes de água, assegurando o fluxo contínuo necessário para a irrigação do algodão.
A relevância global do REVERTE é inegável. Petra Laux, diretora de Sustentabilidade da Syngenta, destaca que, no contexto da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá no Brasil, a agricultura não pode ser ignorada. O projeto é a prova de que “produzir mais alimentos e proteger o meio ambiente agora é possível simultaneamente.”
Com 394 fazendas contratadas e quase 280.000 hectares de terras restauradas, o projeto avança para sua ambiciosa meta de recuperar um milhão de hectares de terras agrícolas degradadas até 2030.
Para Das Saswato, Diretor de Comunicação da Syngenta, o papel da China, principal mercado dos produtos agrícolas brasileiros, é um fator determinante. A crescente demanda chinesa por agricultura verde e sustentável impulsiona o desenvolvimento de modelos regenerativos no Brasil. Ele conclui que o futuro do setor está em alcançar um equilíbrio entre produção agrícola e proteção ecológica, construindo uma cadeia de suprimentos eficiente, segura e ecologicamente correta para os consumidores globais. O projeto REVERTE não é apenas sobre o agronegócio; é sobre forjar um futuro mais sustentável para o Brasil e o mundo.
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