
Recursos da Agência Francesa de Desenvolvimento vão financiar projetos sustentáveis nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (7) a contratação de operação de crédito externo de até 300 milhões de euros, equivalentes a cerca de R$ 1,76 bilhão, com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O financiamento é destinado ao Projeto de Transição para o Desenvolvimento Regional Sustentável, que prevê investimentos estruturantes nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.
A matéria, identificada como MSF 9/2026, foi apresentada pela Presidência da República a pedido do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O parecer favorável foi apresentado pelo senador Renan Filho (MDB-AL) e a proposta segue agora para análise do Plenário do Senado com requerimento de votação em regime de urgência.
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Do total previsto no financiamento, 90 milhões de euros serão destinados ao Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), 120 milhões de euros ao Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e 90 milhões de euros ao Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o cronograma estimado prevê desembolsos de 60 milhões de euros por ano entre 2026 e 2030.
“Os recursos contribuirão para fortalecer o financiamento de empreendimentos estruturantes e de longo prazo, com potencial de gerar emprego e renda, ampliar a competitividade regional e promover a integração econômica dos territórios atendidos pelas áreas de atuação da Sudam, Sudene e Sudeco”, afirmou o relator Renan Filho durante a votação na CAE.
Áreas prioritárias para investimento
De acordo com a proposta do Executivo, o financiamento poderá ser aplicado em iniciativas voltadas à gestão sustentável dos recursos hídricos, saneamento básico, transporte limpo e de baixa emissão de carbono, além de projetos de cidades inteligentes. A agricultura sustentável, bioeconomia e energias renováveis também estão entre as áreas prioritárias.
O setor de turismo receberá atenção especial, com recursos destinados a infraestrutura turística e hotelaria. Projetos nas áreas de saúde e educação também poderão ser contemplados pelo financiamento, conforme as diretrizes estabelecidas no contrato com a AFD.
Condições financeiras do empréstimo
O empréstimo terá prazo de desembolso de cinco anos, carência de cinco anos e amortização em 20 anos, com pagamentos semestrais. A taxa de juros será a Euribor de seis meses, acrescida de 2,05%, além das comissões previstas no contrato.
A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) informou que não há objeção à contratação da operação e avaliou que o custo do financiamento está em patamar aceitável para operações desse tipo. A Secretaria de Orçamento Federal (SOF) confirmou que as dotações necessárias foram incluídas na Lei Orçamentária Anual de 2026.
Entenda a aprovação de crédito externo
No Brasil, operações de crédito externo contratadas com organismos ou instituições financeiras internacionais dependem de autorização do Senado Federal, conforme determina a Constituição. A Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) autorizou a preparação do projeto, e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) atestou que a minuta do contrato segue o padrão adotado pela Agência Francesa de Desenvolvimento.
Impacto esperado nas regiões contempladas
Segundo a documentação encaminhada pelo Executivo ao Senado, o projeto busca reduzir disparidades regionais, estimular o crescimento socioeconômico ambientalmente sustentável e ampliar a geração de emprego e renda. A melhoria da qualidade de vida da população e o fortalecimento da arrecadação tributária nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste também constam entre os objetivos centrais da iniciativa.
A capitalização dos fundos regionais é vista como estratégica para ampliar a capacidade de financiamento de projetos de longo prazo, especialmente aqueles voltados à transição energética e ao desenvolvimento sustentável. O fortalecimento das superintendências regionais (Sudam, Sudene e Sudeco) passa pela disponibilização de recursos para iniciativas que hoje carecem de financiamento adequado.
Próximos passos da tramitação
Com a aprovação na CAE, a proposta será encaminhada ao Plenário do Senado com requerimento para votação em regime de urgência. Caso aprovada pelos senadores em sessão plenária, a autorização para a contratação do empréstimo será publicada e o governo federal poderá dar início às tratativas finais com a Agência Francesa de Desenvolvimento para a assinatura do contrato.
A expectativa é que os primeiros desembolsos ocorram ainda em 2026, conforme o cronograma estabelecido no projeto. Os estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste aguardam a liberação dos recursos para viabilizar projetos já em fase de elaboração nas superintendências regionais.
Perguntas frequentes
Qual o valor total do financiamento aprovado?
O financiamento aprovado pela CAE é de até 300 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 1,76 bilhão.
Quais regiões serão beneficiadas?
Os recursos serão destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, por meio dos fundos de desenvolvimento FDA, FDNE e FDCO.
Quando os recursos começam a ser liberados?
O cronograma prevê desembolsos anuais de 60 milhões de euros entre 2026 e 2030, caso a proposta seja aprovada no Plenário do Senado.
Com informações do Senado Federal.
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