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Tambaqui entra na lista de espécies ameaçadas na Amazônia

Tambaqui entra na lista de espécies ameaçadas na Amazônia
Foto: tempo.com

Classificação como vulnerável preocupa pescadores, que pedem regras adaptadas às diferentes regiões da bacia amazônica.

Tambaqui em ambiente amazônico
Tambaqui é um dos peixes mais consumidos e importantes para a economia das comunidades amazônicas. Crédito: w_endo via iNaturalist, domínio público.

O tambaqui (Colossoma macropomum), peixe simbólico e um dos mais consumidos da Amazônia, foi incluído na lista oficial de espécies de peixes e invertebrados aquáticos da fauna brasileira ameaçadas de extinção. A classificação como espécie vulnerável foi publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em abril de 2026 e acendeu o alerta entre pescadores artesanais de estados como Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins e Mato Grosso.

A medida considera uma projeção de redução de 43,4% da população global do tambaqui ao longo de três gerações. A inclusão na lista, porém, não significa proibição imediata da pesca. A atividade poderá continuar se for aprovado um plano de recuperação populacional elaborado por especialistas e construído com participação social.

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O prazo para a elaboração da proposta, inicialmente previsto para 25 de outubro, foi prorrogado para 24 de novembro por uma portaria publicada em julho. Até lá, comunidades, pesquisadores e órgãos públicos discutem como proteger a espécie sem retirar de famílias ribeirinhas uma fonte essencial de renda e alimentação.

Peixe sustenta famílias na Amazônia

Na comunidade São Raimundo do Jarauá, no Amazonas, o pescador Josué de Castro afirma que o tambaqui representa aproximadamente 20% de sua renda mensal. Ele trabalha há 38 anos na atividade e teme que uma eventual restrição ampla prejudique diretamente pescadores e ribeirinhos.

Ao mesmo tempo, Castro avalia que o peixe ainda é abundante na área onde vive, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. A percepção reforça uma das principais reivindicações das comunidades: a adoção de regras que considerem as diferenças entre rios, lagos, reservas, terras indígenas e áreas sem proteção formal.

“Uma eventual proibição da pesca pode afetar diretamente pescadores e ribeirinhos”, afirma Josué de Castro, pescador da comunidade São Raimundo do Jarauá.

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a classificação de vulnerabilidade foi baseada na pressão intensa da pesca sobre os estoques naturais nas últimas décadas. A expansão da piscicultura ajudou a reduzir parcialmente essa pressão, mas os efeitos desse processo ainda não podem ser medidos com precisão.

Regra nacional enfrenta realidades diferentes

O analista Igor Hister Lourenço, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, afirma que a situação do tambaqui não é igual em toda a bacia amazônica. Há áreas onde o peixe continua abundante, enquanto outras enfrentaram longos períodos sem registros da espécie.

Um exemplo citado por Lourenço é o rio Madeira. Segundo ele, o tambaqui passou anos sem aparecer em determinados pontos e voltou a ser registrado recentemente. Para o pesquisador, esse tipo de diferença precisa ser considerado antes da criação de medidas gerais para todo o país.

“Os estoques naturais não apresentam a mesma situação em toda a bacia, e a dinâmica da pesca artesanal precisa ser considerada”, afirma Igor Hister Lourenço, analista do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

Segundo o ICMBio, os dados disponíveis sobre desembarques pesqueiros estão concentrados em áreas sem proteção formal, que correspondem a 61% da área de ocorrência natural do tambaqui. Unidades de conservação e terras indígenas representam os outros 39%, mas não possuem dados equivalentes, apesar de a espécie estar submetida a menor risco de extinção nesses territórios.

Entenda o caso

O tambaqui foi classificado como vulnerável na atualização da lista federal de espécies ameaçadas. Essa categoria indica risco de desaparecimento no futuro, mas não determina, por si só, uma suspensão imediata da pesca em todos os locais.

O próximo passo é a elaboração de um plano de recuperação populacional. O documento deverá definir ações de conservação, regras de manejo e critérios para avaliar as diferenças entre os territórios onde o peixe ocorre.

O debate também envolve a piscicultura. Pescadores familiares temem perder espaço no mercado enquanto grandes criadouros continuam comercializando o tambaqui. Para as comunidades, a conservação precisa evitar que a responsabilidade recaia apenas sobre quem depende dos estoques naturais.

Tambaqui entra na lista de espécies ameaçadas na Amazônia
Foto: tempo.com

Comunidades pedem participação nas decisões

Pescadores familiares e pesquisadores solicitaram apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura para rever a inclusão do tambaqui na lista ou flexibilizar eventuais restrições em regiões onde a espécie permanece abundante.

A reivindicação não é apenas pela retirada da classificação. As comunidades também defendem participação direta na definição das medidas, acesso a dados por território e reconhecimento dos conhecimentos acumulados por quem acompanha os ciclos dos rios e dos lagos.

O Ministério do Meio Ambiente informou que o plano está sendo elaborado em conjunto com o Ministério da Pesca e Aquicultura. A proposta deverá envolver representantes de comunidades pesqueiras, organizações ambientais, entidades do setor e pesquisadores.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o objetivo do plano é conciliar a conservação do tambaqui com a realidade econômica e social de quem depende da pesca. A participação desses grupos será decisiva para evitar que uma regra nacional produza efeitos desiguais nos diferentes estados amazônicos.

O leitor pode consultar a reportagem completa sobre o tambaqui e as alternativas buscadas pelos pescadores.

Outras espécies também foram incluídas

Além do tambaqui, o peroá (Balistes capriscus) também entrou na lista de espécies ameaçadas. A inclusão provocou críticas de pescadores artesanais e representantes da indústria pesqueira no Espírito Santo, onde comunidades de Guarapari questionaram os impactos de uma possível proibição sobre métodos considerados de baixo impacto.

Ao todo, 490 espécies de peixes e invertebrados aquáticos passaram a integrar a relação federal. O número amplia o desafio de criar políticas de conservação que combinem proteção da biodiversidade, fiscalização, produção de alimentos e segurança econômica para as comunidades.

Na Amazônia, o caso do tambaqui mostra como a gestão pesqueira depende de informações locais. A espécie pode estar pressionada em uma área e ainda apresentar abundância em outra, o que exige monitoramento contínuo e decisões ajustadas aos rios, lagos e territórios.

As discussões devem avançar até 24 de novembro, novo prazo informado para a elaboração do plano de recuperação, quando serão avaliadas as próximas medidas para a espécie.

Perguntas frequentes

O tambaqui está proibido?

Não. A inclusão na lista de espécies vulneráveis não representa uma proibição imediata da pesca. Novas regras dependerão do plano de recuperação populacional.

Por que o tambaqui entrou na lista?

A classificação considera uma projeção de redução de 43,4% da população global ao longo de três gerações e a pressão intensa da pesca sobre os estoques naturais.

Quem vai elaborar o plano de recuperação?

O plano está sendo elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em conjunto com o Ministério da Pesca e Aquicultura, com participação de comunidades, organizações e pesquisadores.

Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

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