
Publicado na prestigiada revista Nature Sustainability, um novo estudo apresenta uma técnica inovadora de extração de ouro que promete reduzir drasticamente o uso de substâncias tóxicas no processo de mineração.
Uma revolução na extração de ouro
A técnica não só evita mercúrio e cianeto, mas também permite recuperar ouro com alta pureza a partir da reciclagem de componentes valiosos presentes em placas de circuito impresso de computadores descartados.

Liderada pelo Professor Justin Chalker, da Universidade Flinders, a equipe aplicou esse método integrado para extrair ouro de diversas fontes, inclusive de resíduos científicos que contêm traços do metal precioso.
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O método foi testado com sucesso em resíduos eletrônicos, rejeitos metálicos mistos e concentrados de minério. Segundo o professor Chalker, a inovação envolve o uso de um reagente reciclável derivado de um composto comumente usado na desinfecção da água: o ácido tricloroisocianúrico.
Este reagente, ativado por água salgada, consegue dissolver o ouro. Em seguida, o ouro é capturado por um novo polímero rico em enxofre, desenvolvido pela equipe. Esse polímero tem alta seletividade, o que permite recuperar ouro mesmo em misturas altamente complexas.
Reciclagem inteligente: do polímero ao ouro
O ouro é então recuperado ao “desfazer” o polímero, convertendo-o de volta ao seu monômero original. Com isso, o ouro é separado e o polímero pode ser reciclado e reutilizado, um exemplo claro de economia circular aplicada à tecnologia.
Essa abordagem oferece uma alternativa segura e eficaz às técnicas tradicionais de mineração, que frequentemente usam cianeto ou mercúrio, substâncias extremamente prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana.

Impacto ambiental e humano
A mineração de ouro é responsável por sérios impactos ambientais, incluindo emissões de CO₂, desmatamento e poluição da água, do ar e do solo. A técnica desenvolvida pela equipe da Universidade Flinders busca mitigar esses danos, oferecendo uma opção mais sustentável.
A colaboração com pesquisadores dos Estados Unidos e do Peru também permitiu validar a técnica com minério de ouro, especialmente para apoiar minas de pequeno porte que ainda utilizam mercúrio em seus processos.
Um problema global: o lixo eletrônico
O estudo destaca a importância de soluções sustentáveis diante do crescimento do lixo eletrônico. Em 2022, foram geradas cerca de 62 milhões de toneladas de e-lixo no mundo, das quais apenas 22,3% foram recicladas formalmente.
Componentes como unidades de CPU e placas de memória RAM contêm metais valiosos como ouro e cobre, que muitas vezes são desperdiçados ou reciclados de forma inadequada, gerando riscos à saúde e ao meio ambiente.
Fatos que justificam o novo método
62 milhões de toneladas de lixo eletrônico foram produzidas globalmente em 2022.
Apenas 22,3% do e-lixo foi reciclado formalmente.
Mineração artesanal é responsável por 37% da poluição global por mercúrio.
Estima-se que entre 10 e 20 milhões de pessoas, em mais de 70 países, trabalham com mineração de ouro em pequena escala.
O uso de mercúrio em mineração é uma das maiores fontes de poluição por mercúrio no mundo.
Mineradores artesanais recebem cerca de 70% do valor de mercado do ouro.
A transição para métodos sem mercúrio infelizmente é limitada por falta de recursos, financiamento e apoio técnico.
Colaboração e futuro sustentável
A pesquisa foi liderada por uma equipe interdisciplinar, incluindo os doutores Max Mann, Thomas Nicholls, Harshal Patel e Lynn Lisboa, que testaram extensivamente a nova técnica. Eles ressaltam que soluções eficazes para os grandes problemas ambientais exigem colaborações entre ciência, indústria e sociedade.
Dr. Mann destaca: “Este estudo mostra que colaborações interdisciplinares são essenciais para enfrentar os desafios do crescente estoque de lixo eletrônico.”
Já Dr. Nicholls enfatiza a sustentabilidade do novo polímero, feito com luz UV e reaproveitado após a extração do ouro, enquanto Dr. Patel ilustra com entusiasmo: “Entramos em uma pilha de lixo eletrônico e saímos com um bloco de ouro!”
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