
O tico-tico-rei (Coryphospingus cucullatus) é uma ave pequena, de cerca de 13,5 centímetros de comprimento e entre 11 e 18 gramas, segundo o WikiAves, plataforma de registro de aves do Brasil. O macho chama a atenção pela cabeça e pelas partes inferiores vermelhas e por uma crista que ele ergue quando está excitado ou cantando. Não existe estudo que demonstre que a espécie controle pragas em lavouras. O que a pesquisa de campo registra sobre ela é mais discreto e vale ser contado com precisão.
Como reconhecer o tico-tico-rei
Segundo o WikiAves, o macho tem o dorso marrom-escuro, as partes inferiores e a cabeça vermelhas e uma crista vermelha com uma faixa preta. A fêmea é mais opaca, em tons de marrom-acinzentado. Os dois sexos têm um anel branco ao redor do olho. A espécie pertence à família Thraupidae, a mesma de tiês e sanhaços.
Onde o tico-tico-rei vive
No Brasil, a ave ocorre em duas áreas separadas: o leste do Pará e uma faixa mais ampla que vai de Mato Grosso e Goiás até o Rio Grande do Sul. Fora do país, aparece nas Guianas, no Suriname, no Paraguai, na Bolívia, no Peru, no Uruguai e no nordeste da Argentina. São reconhecidas três subespécies. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica a espécie como pouco preocupante.
O tico-tico-rei usa bordas de mata, florestas secundárias, cerrado, campos, cafezais e pomares, e prefere lugares sombreados com vegetação baixa e esparsa, de acordo com o WikiAves. Um estudo publicado em 2016 na revista Zoologia, de Zima e Francisco, descreve o habitat como áreas de cerrado, florestas secundárias baixas e esparsas e bordas de floresta. É uma ave discreta, geralmente solitária, que às vezes se junta a bandos mistos de aves que comem sementes.
O que ele come, e o que ainda não se sabe
Segundo o WikiAves, a dieta inclui sementes, brotos, frutos e insetos, com preferência pelo fruto da marianeira (Acnistus arborescens). A ave procura alimento saltitando no chão ou se deslocando entre os arbustos. Compilações de referência, como o Handbook of the Birds of the World, registram que os dados sobre a alimentação da espécie são escassos, e o estudo de Zima e Francisco não mediu o que os adultos comem, apenas a frequência com que alimentam os filhotes.
Isso importa para a agricultura. A dieta é mista e pouco quantificada, e nenhum estudo citado nessas fontes mediu o consumo de insetos-praga pela espécie nem seu efeito sobre danos em lavouras. O fato de a ave frequentar cafezais e pomares mostra que ela usa áreas agrícolas, mas não permite concluir que proteja a plantação. Quem quiser saber o papel dela em uma propriedade precisa observar o que ela de fato come ali, sem atribuir à espécie um efeito que a ciência ainda não mediu.
Como o tico-tico-rei se reproduz
O melhor retrato da biologia reprodutiva da espécie vem do estudo de Zima e Francisco, realizado em Sorocaba, em São Paulo, ao longo de quatro estações reprodutivas, com 16 ninhos ativos acompanhados. A reprodução ocorreu de outubro a fevereiro. As posturas tinham de dois a três ovos, em média 2,06, postos em dias consecutivos. Os ovos são totalmente brancos e medem em média 19,26 por 14,03 milímetros, com cerca de 1,9 grama.
O ninho é uma taça de paredes compactas, unida por teia de aranha e decorada com liquens, com diâmetro externo médio de 7,41 centímetros. Ficava, em média, a 2,04 metros do solo. Só a fêmea incuba, durante cerca de 11 dias, e os filhotes permanecem aproximadamente 12 dias no ninho. Nas observações, as fêmeas alimentaram os filhotes em média 6,4 vezes por hora, contra 2 vezes por hora dos machos.
O sucesso de ninhos, da incubação à saída dos filhotes, foi de 28,2%. Dos 13 ninhos com desfecho conhecido, cinco produziram filhotes que deixaram o ninho (38,5%) e quatro foram predados. Os autores observaram que as aves escolheram locais de nidificação específicos, sobretudo bordas de floresta e áreas de cerrado em regeneração avançada.
Ameaças e como ajudar a espécie
Os autores do estudo afirmam que a espécie não está globalmente ameaçada, mas é frequentemente capturada para o comércio de aves de gaiola. O WikiAves também registra que ela é mantida em cativeiro, embora seu canto não seja muito valorizado. Em escala local, a perda de bordas de mata e de cerrado em regeneração, que são os locais onde as aves foram encontradas nidificando, pode reduzir os lugares disponíveis para reprodução.
Para quem tem propriedade rural ou sítio, manter faixas de vegetação nativa nas bordas e deixar áreas de cerrado ou mata secundária se regenerarem é coerente com o que se conhece do habitat da ave. Observar o tico-tico-rei sem capturá-lo e registrar suas ocorrências em plataformas de ciência cidadã, como o WikiAves, também ajuda a ampliar o conhecimento sobre uma espécie comum, porém ainda pouco estudada.
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