
Para muitas pessoas, os fogos de artifício são sinônimo de festa. Para cães, gatos e outros animais, são fonte de medo e ansiedade. Nós entendemos o que está acontecendo. Eles não. E com o fim do ano chegando, vale se preparar com antecedência.
Por que tanto medo
Os fogos são imprevisíveis, barulhentos e visualmente assustadores. Eles provocam a chamada reação de sobressalto: diante de um estímulo forte e repentino, o corpo congela, os músculos se contraem e o organismo se prepara para uma ameaça. Quem já levou um susto com um estouro de escapamento conhece a sensação.
Agora imagine não conseguir descobrir de onde veio o barulho nem por quê. É assim que muitos animais vivem os fogos. Sons repetidos e imprevisíveis podem manter essa reação por muito tempo e levar a medos e fobias. Cães têm audição muito mais sensível que a humana, o que piora o incômodo. Há casos de animais que se machucam gravemente ou causam acidentes ao tentar fugir.
Dor também pesa
Se o animal passou a reagir mal a barulhos de repente, vale levá-lo ao veterinário. Pets com dor crônica, como a causada por artrose, costumam ser mais sensíveis a sons, e o tratamento da dor pode ajudar.
Antes das festas
Para filhotes, a exposição positiva e gradual a vários sons ajuda a evitar problemas no futuro. Em animais de qualquer idade, dá para usar gravações de fogos em volume muito baixo, associadas à comida, a petiscos ou a brincadeiras, aumentando o volume aos poucos ao longo de semanas. A técnica ensina que o barulho não é ameaça e pode até anunciar algo bom. Um adestrador ou especialista em comportamento pode ajudar a montar um plano.
Se não houver tempo para o treino, converse com o veterinário sobre medicamentos. Alguns acalmam o animal e são uma boa opção de curto prazo, mas só podem ser usados com receita e acompanhamento. Desconfie de suplementos e produtos milagrosos vendidos sem prescrição: raramente têm comprovação.
Na hora dos fogos
- Mantenha cães e gatos dentro de casa, com portas e janelas fechadas.
- Ofereça um esconderijo escuro e confortável, como uma caixa de transporte coberta ou um canto atrás do sofá.
- Feche as cortinas e ligue a TV ou o rádio para abafar os estouros.
- Confira se o portão está seguro e passeie com o cão só na guia depois que escurecer.
- Deixe a plaqueta de identificação com telefone atualizado na coleira.
- Não force o animal a sair do esconderijo nem dê bronca. Fique por perto e mantenha a calma.
Animais assustados podem agir de forma diferente do normal. Mantenha crianças longe de pets com medo para evitar mordidas.
Não só os pets
Os fogos também afetam animais silvestres e do campo, como aves, que podem abandonar ninhos, e bichos de criação. Pessoas também sofrem, como autistas, idosos e quem passou por traumas. No Brasil, cidades como São Paulo já aprovaram leis que proíbem fogos com estampido, permitindo apenas os de efeito visual, e outras discutem regras parecidas.
Perguntas frequentes
Posso dar calmante para o cachorro nos fogos?
Só com receita do veterinário. Medicamentos sem orientação podem fazer mal.
O que fazer se o cão fugir com medo dos fogos?
Procure pela vizinhança, avise abrigos e redes sociais do bairro. A plaqueta com telefone na coleira ajuda muito a recuperar o animal.
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