
País ficou apenas US$ 2 bilhões atrás dos norte-americanos em 2025, mas ainda depende do clima e dos preços globais.
A diferença entre Brasil e Estados Unidos no comércio agrícola internacional caiu para US$ 2 bilhões em 2025, abrindo a possibilidade de o país assumir a liderança mundial ainda em 2026. Os norte-americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, enquanto o Brasil alcançou US$ 169 bilhões.
A disputa deixou de ser uma projeção distante e passou a depender do desempenho de poucos meses. No primeiro semestre de 2026, o agronegócio brasileiro movimentou cerca de US$ 87 bilhões em exportações. Se o ritmo continuar e as condições externas forem favoráveis, o país poderá terminar o ano à frente dos Estados Unidos.
O avanço veio do campo, mas também da tecnologia
O crescimento brasileiro não está ligado apenas à abertura de novos mercados ou ao aumento da área plantada. A produtividade ganhou peso na última década, com uso mais intenso de pesquisa, mecanização, melhoramento genético e técnicas adaptadas às diferentes regiões do país.
A atuação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, foi importante para adaptar culturas às condições do Cerrado, área que se tornou central para a expansão da produção nacional. Em algumas regiões, o clima permite a realização de até três safras no mesmo ano, uma vantagem que amplia o volume disponível para exportação.
Entre 2015 e 2025, a produtividade agrícola brasileira cresceu 16%, segundo dados divulgados pela revista Veja. No mesmo intervalo, o avanço registrado nos Estados Unidos foi de 9%. A diferença ajuda a explicar por que o Brasil conseguiu reduzir a distância mesmo enfrentando limitações de infraestrutura e forte dependência de produtos básicos.
Soja, carnes, café e açúcar puxam as vendas
O Brasil ocupa posições de destaque nas exportações de soja, carne bovina, carne de frango, café e açúcar. O país também tem participação relevante nos mercados internacionais de milho e algodão. Essa variedade reduz a dependência de uma única cultura, embora boa parte da receita ainda esteja concentrada em commodities, produtos vendidos com menor grau de processamento.
Segundo o Times Brasil, o Brasil exportou US$ 169 bilhões em produtos agrícolas em 2025, contra US$ 171 bilhões dos Estados Unidos. A diferença de US$ 2 bilhões é o principal indicador da proximidade entre os dois países na corrida pela liderança mundial.
Para avançar de maneira mais consistente, o setor brasileiro precisa ampliar a participação de alimentos industrializados na pauta externa. A venda de produtos com maior valor agregado pode aumentar a receita por tonelada e reduzir a exposição às oscilações dos preços internacionais das matérias-primas.
A China muda o equilíbrio da disputa
A demanda chinesa é uma das principais forças por trás do desempenho brasileiro. O país asiático compra grandes volumes de soja e carne bovina do Brasil, enquanto as tensões comerciais entre China e Estados Unidos criam oportunidades adicionais para fornecedores brasileiros.
Esse movimento não significa que o mercado esteja garantido. Compradores internacionais podem alterar contratos, fornecedores e volumes rapidamente, de acordo com preços, tarifas, estoques e decisões políticas. Ainda assim, a presença chinesa oferece ao Brasil um mercado de grande escala para sustentar a expansão das exportações.
Do lado norte-americano, produtores enfrentam custos elevados, barreiras comerciais e redução de algumas vendas externas. A American Farm Bureau Federation estima que as perdas nas principais culturas agrícolas dos Estados Unidos podem chegar a US$ 32 bilhões em 2026.
O que a liderança pode significar para o Pará
No Pará, a disputa tem importância além do ranking internacional. O estado está inserido em uma economia amazônica na qual produção rural, comércio exterior, transporte e infraestrutura portuária se conectam. Mudanças na demanda por grãos, carnes e outros produtos agrícolas podem alterar preços, fretes, investimentos e oportunidades para empresas que prestam serviços ao setor.
A conexão também passa pela logística. Quando o Brasil amplia as vendas para a Ásia e outros mercados, cresce a pressão por rotas mais eficientes, armazenagem, terminais e transporte. Para a Grande Belém, esse cenário reforça a relevância do debate sobre integração entre produção, portos e mercados consumidores, sem que a liderança exportadora, por si só, represente ganho automático para todas as regiões.
Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre expansão produtiva e preservação ambiental. A competitividade brasileira depende da capacidade de aumentar a produção sem transformar o avanço das exportações em pressão adicional sobre áreas protegidas, recursos hídricos e comunidades tradicionais.
Clima e preços ainda podem mudar o resultado
A eventual liderança brasileira não está assegurada. O resultado final de 2026 dependerá dos preços internacionais, das condições climáticas, do volume colhido e das políticas comerciais dos países compradores. Uma quebra de safra, uma queda nas cotações ou uma mudança nas tarifas pode alterar a distância entre os dois concorrentes.
O clima é especialmente decisivo porque afeta tanto a oferta brasileira quanto a norte-americana. Secas, excesso de chuvas e eventos extremos podem reduzir a produção, atrasar embarques e elevar custos. Já os preços definem o valor total exportado, mesmo quando o volume comercializado permanece estável.
Por isso, o possível primeiro lugar deve ser interpretado como resultado de uma disputa anual, e não como uma posição permanente. O Brasil ganhou espaço com produtividade e diversificação, mas precisará manter investimentos em pesquisa, infraestrutura e agregação de valor para transformar a aproximação em vantagem duradoura.
Os próximos números serão decisivos
O desempenho do segundo semestre de 2026 será determinante para saber se o Brasil ultrapassará os Estados Unidos em valor exportado. A diferença atual é pequena, mas o resultado dependerá de uma combinação de produção, câmbio, demanda chinesa, custos logísticos e condições do comércio internacional.
Se confirmar a liderança, o país chegará ao posto apoiado por uma década de ganhos de produtividade, não apenas por uma circunstância pontual. A confirmação deverá aparecer no fechamento dos resultados comerciais de 2026, quando os dois países tiverem seus valores anuais consolidados.
Com informações de Times Brasil | CNBC.
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