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Último sobrevivente de etnia massacrada vive sozinho por mais de duas décadas em buracos na floresta de Rondônia até ser encontrado morto em 2022

Em agosto de 2022, a Funai confirmou a morte do homem conhecido como Índio do Buraco ou Índio Tanaru. Ele era o último sobrevivente de uma etnia indígena que foi massacrada por fazendeiros e grileiros na década de 1990, no estado de Rondônia. Por mais de vinte anos, viveu completamente isolado na floresta, construindo abrigos simples e escavando buracos no chão – hábito que deu origem ao nome pelo qual ficou conhecido.

O caso é um dos mais emblemáticos e trágicos da história recente dos povos isolados no Brasil. A Funai monitorou sua presença à distância desde o final dos anos 1990, sem nunca estabelecer contato direto, seguindo a política de não contato adotada para proteger grupos que rejeitam ou fogem do contato com a sociedade envolvente.

A história de um sobrevivente solitário

Na década de 1990, a região onde ele vivia sofreu intensos conflitos fundiários. Fazendeiros e grileiros invadiram terras e atacaram aldeias indígenas. A maioria dos membros de seu grupo foi morta. O Índio do Buraco sobreviveu e passou a viver sozinho, mudando periodicamente de acampamento dentro de uma área de floresta que foi depois transformada em Terra Indígena Tanaru, de cerca de 8 mil hectares, criada especificamente para protegê-lo.

Ele construía pequenas cabanas de folhas de palmeira e troncos e, ao lado delas, escavava buracos profundos no solo. A função exata desses buracos nunca foi completamente esclarecida. Hipóteses incluem armadilhas, abrigos contra animais ou espaços rituais. A Funai filmou imagens raras dele em 2018, mostrando um homem de meia-idade, de cabelos longos, carregando uma ferramenta e caminhando pela floresta.

Política de não contato e monitoramento

A Funai manteve uma equipe de indigenistas e sertanistas que visitava a área periodicamente, deixando ferramentas e sementes à distância e observando os rastros deixados por ele. O objetivo era garantir que a floresta ao redor permanecesse intacta e que ele tivesse condições de sobreviver sem pressão externa. A morte foi constatada em 2022 por causas naturais. Seu corpo foi encontrado em uma das cabanas, em posição que sugeria um ritual funerário próprio.

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e se tornou referência em discussões sobre a proteção de isolados. Em 2025, reportagens ainda retomavam a história como exemplo da fragilidade desses grupos e da importância da política de não contato.

Números e contexto

  • Mais de 20 anos de isolamento completo após o massacre
  • Área protegida: Terra Indígena Tanaru, aproximadamente 8 mil hectares
  • Morte confirmada em agosto de 2022
  • Imagens raras filmadas pela Funai em 2018
  • Último membro conhecido de uma etnia nunca identificada linguisticamente

A etnia Tanaru nunca foi contactada de forma oficial. Não se sabe o nome que o próprio grupo dava a si mesmo. A designação “Tanaru” veio do nome do igarapé próximo. Linguistas e antropólogos tentaram, a partir de vestígios materiais, aproximar sua origem cultural de outros povos da região, mas sem sucesso definitivo.

Limitações e ética

O monitoramento à distância tem limites. Não é possível saber com precisão a idade do homem, sua saúde ao longo dos anos ou os detalhes de sua vida cotidiana. A Funai evitou qualquer aproximação que pudesse transmitir doenças ou gerar conflito. Após a morte, o corpo foi sepultado com respeito, e a área continua protegida.

Há críticas de que o Estado brasileiro falhou em proteger o grupo antes do massacre. A história do Índio do Buraco é, ao mesmo tempo, um símbolo de resiliência e um lembrete da violência histórica contra os povos isolados.

Conexão com o Brasil de hoje

No Brasil de 2026, ainda existem dezenas de grupos isolados ou de recente contato, especialmente no Amazonas, Acre, Rondônia e Pará. A política de não contato permanece oficial, mas enfrenta pressões constantes de invasões, garimpo e desmatamento. O caso Tanaru é estudado em cursos de antropologia e direito indígena como exemplo extremo da solidão forçada e da responsabilidade do Estado.

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