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Amapá pode virar novo polo do petróleo após descoberta no mar e projeção de 50 mil empregos

Amapá pode virar novo polo do petróleo após descoberta no mar e projeção de 50 mil empregos
Ilustração: Revista Amazônia

Autorização para novos poços abre etapa decisiva, mas produção ainda depende de viabilidade econômica e aval da ANP.

O litoral do Amapá entrou em uma fase que pode alterar a economia do estado, mas ainda não permite tratar a Margem Equatorial como um novo campo produtor de petróleo. Após a descoberta no poço Morpho, a Petrobras recebeu autorização do Ibama para perfurar mais três poços exploratórios, em uma etapa destinada a medir o tamanho da ocorrência, delimitar a área e verificar se a extração será comercialmente possível.

A mudança prática é importante: a discussão deixa de ser apenas sobre a existência de indícios de petróleo e passa a envolver a estrutura necessária para uma eventual operação. Se os resultados forem confirmados, o Amapá poderá receber bases de apoio, transporte, manutenção, serviços especializados e fornecedores ligados à atividade offshore. Até lá, porém, as projeções econômicas permanecem condicionadas a uma campanha exploratória ainda em andamento.

O poço Morpho colocou o Amapá no centro da aposta

A descoberta no Morpho, localizado na costa amapaense, é o ponto de partida da nova rodada de investigações. Os poços adicionais autorizados pelo órgão ambiental devem ajudar a responder perguntas que não são resolvidas por uma descoberta isolada: qual é a extensão do reservatório, qual a qualidade do óleo e quanto desse volume poderia ser recuperado com retorno financeiro.

Segundo a CNN Brasil, a autorização do Ibama para a Petrobras perfurar três novos poços na Margem Equatorial foi divulgada em 5 de setembro de 2026, após a descoberta de petróleo no poço Morpho, no litoral do Amapá. A medida não equivale a uma licença para produzir, mas representa a continuidade da fase de avaliação.

Marcio Felix, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás e ex-secretário de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, resumiu o objetivo da decisão: “A liberação do Ibama representa a possibilidade de confirmar a descoberta feita em Morpho, delimitá-la e avaliar sua comercialidade”.

Projeções bilionárias ainda dependem de uma prova técnica

As estimativas divulgadas pelo setor ajudam a dimensionar o interesse, mas também revelam a distância entre potencial e resultado. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria calcula que a exploração da Margem Equatorial poderia acrescentar R$ 175 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro e criar 495 mil empregos.

A mesma entidade estima royalties anuais entre R$ 3,6 bilhões e R$ 5,4 bilhões. Para o Amapá, estudos citados por Felix apontam que a confirmação da viabilidade econômica poderia elevar o Produto Interno Bruto estadual em pelo menos 60% e gerar cerca de 50 mil empregos.

Esses números não representam reservas comprovadas nem receitas já contratadas. O setor trabalha com uma estimativa de até 30 bilhões de barris na Margem Equatorial, mas esse volume ainda precisa ser testado por perfurações, análises geológicas e cálculos de recuperação. A diferença é decisiva: uma reserva potencial só se transforma em produção quando pode ser extraída com segurança, autorização regulatória e retorno econômico.

Amapá pode virar novo polo do petróleo após descoberta no mar e projeção de 50 mil empregos
Foto: Cable News Network Brasil. Uma empresa NOVUS MÍDIA

A infraestrutura pode ser tão importante quanto o óleo

O efeito sobre o Amapá não se limitaria ao pagamento de royalties ou à contratação direta por empresas petrolíferas. Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria, avalia que uma eventual escolha do estado como base offshore exigiria investimentos em logística, transporte, manutenção e fornecedores.

Esse movimento poderia criar uma cadeia econômica local, mas também exporia gargalos que normalmente aparecem antes da chegada da produção em larga escala. Portos, estradas, serviços técnicos, formação profissional e capacidade de atendimento às operações teriam de acompanhar o ritmo da indústria. Sem essa estrutura, parte relevante dos contratos e empregos poderia ser concentrada fora do estado.

É nesse ponto que a pauta ganha peso para a Amazônia. No Amapá, o debate sobre petróleo não envolve apenas uma nova fonte de arrecadação, mas a possibilidade de reorganizar a economia costeira em torno de uma atividade industrial de grande escala. O benefício regional dependeria de quanto da cadeia produtiva permaneceria no estado e de como seriam distribuídos os recursos entre municípios, trabalhadores e empresas locais.

Guiana e Suriname aceleram a comparação regional

O ritmo dos países vizinhos é um dos argumentos usados por defensores da abertura dessa nova fronteira petrolífera. Guiana e Suriname exploram reservas consideradas análogas às da Margem Equatorial, enquanto o Brasil ainda avança pelas etapas de licenciamento e avaliação.

Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, considera que a demora pode produzir um efeito estratégico para o país. “Enquanto os vizinhos estão produzindo, a gente perdeu esse tempo todo. E a outra questão é que se a gente não abrir novas fronteiras no Brasil, a gente pode sair da posição de exportador de petróleo para importador de petróleo”, afirmou.

Telmo Ghiorzi, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo, defende que a transição energética não eliminará imediatamente a demanda por petróleo. “O mundo inteiro está procurando novas reservas porque temos um conflito no Oriente Médio. A transição energética não vai implicar a substituição do petróleo, mas, sim, a adição de outras fontes de energia renováveis. O petróleo continua sendo necessário, e o Brasil precisa de petróleo”, declarou.

O que ainda precisa acontecer

A autorização ambiental permite avançar na investigação, mas não encerra o processo. Depois da campanha exploratória, será necessário demonstrar a comercialidade da descoberta e obter aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Também será preciso definir se o plano de contingência apresentado pela Petrobras é suficiente para as próximas etapas.

A principal lacuna, portanto, não é mais saber se existe uma possibilidade geológica, mas determinar seu tamanho, seu custo e sua capacidade de gerar produção regular. O caminho até uma plataforma, caso a viabilidade seja confirmada, ainda envolve avaliações técnicas, decisões empresariais e novas autorizações.

Os três poços autorizados representam o próximo teste dessa aposta. Os resultados da campanha exploratória deverão orientar a delimitação da descoberta, a avaliação econômica e os passos seguintes do projeto no litoral do Amapá.

Com informações da CNN Brasil.

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