
Extração de bioativos
Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um processo inovador que utiliza mel de abelhas sem ferrão para extração de teobromina e cafeína das cascas de amêndoas de cacau. Esses compostos são valiosos para a indústria alimentícia e cosmética.
As cascas de cacau são ricas em teobromina e cafeína, mas métodos tradicionais de extração frequentemente utilizam solventes prejudiciais ao meio ambiente e à saúde. A nova técnica, liderada por Felipe Sanchez Bragagnolo e sua equipe, oferece uma solução mais sustentável e eficiente.
Bragagnolo, que pratica meliponicultura com abelhas sem ferrão (Melipona quadrifasciata, ou mandaçaia), desenvolveu o método como parte de seu projeto de pós-doutorado. A pesquisa contou com a colaboração de Monique Martins Strieder e Leonardo Mendes de Souza Mesquita, sob a supervisão de Maurício Ariel Rostagno, e recebeu apoio da FAPESP (projetos 19/13496-0 e 18/14582-5).
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Como recuperar uma Bateria “morta” de 1,5 V e acender LED de 3 V por dias com circuito que reaproveita energia residual“A inovação propõe um método de extração assistida por ultrassom de alta intensidade, utilizando mel de mandaçaia como solvente natural. Isso elimina a necessidade de solventes orgânicos prejudiciais, simplificando o processo de extração e reduzindo o tempo necessário, tornando-o mais sustentável,” explica Rostagno.
Valorização dos Resíduos Agrícolas
Os resíduos agrícolas estão ganhando reconhecimento como fontes valiosas de compostos bioativos. A teobromina, um estimulante suave do sistema nervoso central, é o principal composto encontrado no cacau, com efeitos semelhantes aos da cafeína.
“Tradicionalmente, esses resíduos são descartados ou subutilizados. Ao extrair esses compostos, não apenas reduzimos o volume de resíduos, mas também promovemos a economia circular e mitigamos o impacto ambiental,” afirma Rostagno, professor associado na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA-Unicamp), no campus Limeira.
A abordagem da química verde busca eliminar solventes tóxicos dos processos industriais. Embora solventes como metanol, acetona e hexano sejam permitidos, eles podem deixar resíduos prejudiciais à saúde nos alimentos. “O mel de abelhas sem ferrão, além de ser um solvente natural, possui propriedades antibacterianas, antioxidantes e nutritivas, enriquecendo o produto final com benefícios adicionais à saúde,” explica Rostagno.
Benefícios Adicionais
O uso do mel como solvente não só torna o processo mais sustentável, mas também melhora a eficiência da extração. A técnica de extração assistida por ultrassom aumenta o rendimento de teobromina e cafeína, e o extrato final não necessita de secagem, simplificando o processo.
Além da eficiência e sustentabilidade, o uso do mel da abelha mandaçaia valoriza a biodiversidade local, conferindo autenticidade e diferenciação aos produtos finais. “Isso agrega valor aos produtos, tornando-os mais atraentes no mercado,” destaca Rostagno.
O processo foi patenteado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em março (nº BR 10 2004 005638 8), marcando um avanço significativo na extração sustentável de compostos bioativos para as indústrias alimentícia e cosmética.
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