
Projeto Marista envolveu escolas de diferentes biomas em pesquisas sobre riscos ambientais e soluções para os territórios.
Mais de 700 alunos e professores de escolas brasileiras participaram, ao longo de 2025, de investigações e projetos relacionados às mudanças climáticas por meio do Observatório Marista do Clima. A iniciativa envolveu 88 instituições, propôs mais de 220 ações climáticas e alcançou 42.448 participantes diretos, com atividades voltadas à compreensão dos riscos ambientais e à criação de soluções nos próprios territórios.
O projeto trabalha com o chamado letramento climático, abordagem que busca transformar a preocupação com eventos extremos em conhecimento, participação e ação concreta. Em vez de apenas receber informações sobre secas, enchentes, ondas de calor e incêndios, crianças e adolescentes analisam problemas de seus bairros, participam de simulações de negociações climáticas e desenvolvem respostas práticas.
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A proposta ganhou relevância diante do aumento dos impactos associados às mudanças do clima e da necessidade de preparar comunidades para diferentes situações de emergência. O trabalho considera características de vários biomas brasileiros e pode dialogar com desafios presentes também na Amazônia, como incêndios florestais, estiagens, alterações no regime de chuvas, desmatamento e pressão sobre os recursos hídricos.
Segundo o Observatório Marista do Clima, a estratégia educativa está organizada em quatro dimensões: conhecimento científico, adaptação, mitigação e comunicação. O objetivo é apoiar a compreensão dos riscos, estimular a preservação da vida e fortalecer a capacidade de resposta de estudantes, famílias e comunidades.
“Para reduzir esses danos, é necessário atuar antes, durante e depois do desastre. Isso envolve educação climática, mapeamento de riscos, alertas acessíveis, simulados, escolas preparadas, proteção das famílias, espaços seguros nos abrigos, continuidade da aprendizagem, atendimento de saúde e acompanhamento psicossocial prolongado”, afirma Keles Gonçalves de Lima, coordenador de evangelização do Marista Brasil e doutor em Educação.
Entenda o caso
O Observatório Marista do Clima reúne escolas e comunidades em atividades que relacionam ciência, território e participação social. Os estudantes investigam situações reais, representam países em simulações da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e elaboram propostas ligadas ao uso de água e energia, ao gerenciamento de resíduos e à produção de alimentos.
A iniciativa procura evitar duas respostas consideradas inadequadas diante da crise climática: a indiferença e a disseminação de medo sem orientação prática. A meta é oferecer ferramentas para que crianças e adolescentes compreendam os problemas e participem da construção de comunidades mais preparadas.
Do desperdício de alimentos à compostagem
Um dos projetos desenvolvidos é o “Desperdiçômetro”, criado pelo Marista Escola Social Ecológica, em Almirante Tamandaré, no Paraná. A escola passou a pesar diariamente os restos de alimentos do refeitório e a divulgar os resultados em um mural, tornando visível o volume de comida descartado.
A ação foi acompanhada por debates, palestras com profissionais de nutrição, oficinas sobre o tamanho das porções e o aproveitamento integral dos ingredientes. Também foram realizadas campanhas de conscientização com a comunidade escolar e os familiares.
Os resíduos orgânicos passaram a ser encaminhados para uma composteira. O adubo produzido é utilizado na horta da escola, que fornece vegetais frescos para a cozinha. Sementes, folhas e cascas também são reaproveitadas na alimentação das ovelhas mantidas na unidade.
De acordo com o Marista Brasil, o projeto contribuiu para reduzir o volume de alimentos descartados, ampliar a percepção dos alunos sobre a importância da alimentação, estimular a participação das famílias e diminuir custos institucionais. A experiência também reforçou a relação entre consumo, resíduos, produção de alimentos e responsabilidade ambiental.
Horta integra mudanças climáticas ao currículo
No Marista Escola Social Robru, em São Paulo, o projeto “Fraternidade e Ecologia Integral” resultou na criação de uma horta escolar. A atividade incluiu estudo do solo, construção de canteiros, instalação de uma estufa e formação em permacultura.
A proposta foi incorporada ao currículo da Educação Infantil e aproximou conteúdos de agroecologia, permacultura e conscientização ambiental. A experiência mostra como ações de pequena escala podem ser utilizadas para ensinar ciclos naturais, uso responsável do solo, produção de alimentos e cuidado coletivo.
“Cuidar das crianças e dos adolescentes diante da emergência climática significa reconhecê-los como prioridade absoluta, mas também como sujeitos capazes de participar da construção de comunidades mais preparadas, solidárias e resilientes”, afirma Keles Gonçalves de Lima.
Escolas podem apoiar a prevenção
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 também aparecem como referência para a revisão de práticas institucionais e educativas. Para o Marista Brasil, eventos extremos não devem ser tratados apenas como ocorrências excepcionais ou sazonais, mas incorporados permanentemente às ações de prevenção, adaptação e proteção de populações vulneráveis.
“Não é mais possível tratar os eventos climáticos extremos como situações excepcionais. Precisamos incorporar permanentemente a prevenção, a adaptação e o cuidado com as populações mais vulneráveis aos processos institucionais e educativos”, avalia Lima.
Segundo o Marista Brasil, planos de contingência precisam considerar as características de cada território. Uma unidade pode estar mais exposta a enchentes ou deslizamentos, enquanto outra enfrenta secas, incêndios ou ondas de calor. A elaboração desses planos deve observar alertas oficiais, orientações das defesas civis e responsabilidades de mantenedoras e municípios.
“A escola não substitui a Defesa Civil, mas pode contribuir com educação climática, mobilização comunitária, conhecimento do território e participação de crianças e adolescentes”, destaca o coordenador.
Atuação na Amazônia
Na Amazônia, onde os impactos climáticos afetam cidades, comunidades rurais, povos tradicionais e ecossistemas, a educação ambiental pode apoiar o reconhecimento de riscos locais e a criação de respostas adequadas a cada realidade. Projetos escolares sobre água, resíduos, segurança alimentar, prevenção de queimadas e recuperação de áreas verdes podem aproximar o conhecimento científico das necessidades dos municípios da região.
Segundo o Marista Brasil, um dos próximos avanços possíveis é aproximar as ações do Observatório Marista do Clima dos planos municipais de prevenção e adaptação climática, ampliando a cooperação entre escolas, poder público, famílias e comunidades.
Perguntas frequentes
O que é letramento climático?
É o processo de compreender as causas, os riscos e os impactos das mudanças climáticas, além de desenvolver capacidade para participar de ações de adaptação, mitigação e prevenção.
Quantas ações foram propostas pelo Observatório?
Em 2025, as instituições participantes propuseram mais de 220 ações climáticas e envolveram 42.448 participantes diretos, segundo o Marista Brasil.
Qual é o papel das escolas em emergências climáticas?
As escolas não substituem a Defesa Civil, mas podem contribuir com educação climática, mapeamento de riscos, mobilização comunitária, simulados e continuidade da aprendizagem durante situações de emergência.
O próximo passo previsto é ampliar a conexão entre os projetos educativos do Observatório Marista do Clima e os planos municipais de prevenção e adaptação climática.
Com informações de Marista Brasil.
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