
No extremo norte e no extremo sul do planeta, as estações do ano chegam em um ritmo próprio e são mapeadas pela Nasa.
Fotos: NASA/JPL-Caltech, NASA/Chad Greene, Francesco Ungaro da Pexels
Dados de satélite de uma missão que mede a energia infravermelha revelam como as temperaturas da superfície variam de forma diferente — e drástica — ao longo de dois anos completos nos polos.
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Nesta animação, as temperaturas da superfície no Ártico e na Antártida oscilam entre frio (azul escuro) e ameno a quente (azul mais claro a vermelho).

Os dados para a animação provêm dos satélites PREFIRE (Experimento de Energia Radiante Polar no Infravermelho Distante) da NASA. Os dois CubeSats da missão começaram a coletar dados científicos em julho de 2024 e já registraram dois ciclos sazonais completos em cada polo.
Como os dois polos estão em hemisférios opostos, suas estações ocorrem em épocas opostas — e a transição entre as estações também difere. No Ártico, invernos frios e escuros dão lugar a verões quentes o suficiente para derreter vastas extensões de tundra e gelo marinho. Na Antártida, o continente mais frio da Terra, as temperaturas de verão raramente sobem acima de zero antes que o frio intenso do inverno retorne.
As temperaturas da superfície e suas flutuações oferecem uma visão do balanço energético da Terra, o fluxo líquido de energia que entra e sai do sistema terrestre. A luz solar absorvida pela superfície é reirradiada como calor infravermelho, que ricocheteia entre a superfície da Terra e a atmosfera antes de escapar para o espaço. Os polos desempenham um papel importante nesse processo. A circulação atmosférica e oceânica transporta o excesso de calor absorvido nos trópicos em direção aos polos, onde ele se irradia para o espaço, ajudando a regular a temperatura do planeta.

“Ao medir o calor invisível irradiado dos locais mais frios da Terra, o PREFIRE está ajudando os cientistas a entender por que os polos estão mudando tão rapidamente e o que essas mudanças podem significar para o resto do planeta”, disse Chad Greene, glaciologista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.
Os cientistas sabem há muito tempo que a radiação infravermelha distante representa quase 60% da energia que a Terra perde para o espaço, mas essa porção do espectro — invisível aos olhos humanos — nunca havia sido medida de forma abrangente em escala global. Ao rastrear diretamente essa energia invisível em tempo quase real, a missão PREFIRE está ajudando os cientistas a refinar modelos e a obter uma melhor compreensão do sistema terrestre.

“Sistemas meteorológicos, fluxos fluviais, rotas de navegação e a estabilidade das calotas polares são todos influenciados pelo movimento de energia em uma parte do espectro que somente o PREFIRE consegue detectar”, disse Tristan L’Ecuyer, cientista atmosférico da Universidade de Wisconsin-Madison e investigador principal da missão PREFIRE. “Agora que o invisível se tornou visível, podemos começar a aprimorar as previsões meteorológicas e climáticas das quais dependem as indústrias, nossa defesa nacional e as comunidades do Ártico”.
Por NASA
Matéria publicada originalmente na edição 156 da Revista Amazônia.
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