
A Petrobras estuda dobrar a capacidade de produção das suas fábricas de fertilizantes nitrogenados no Brasil, em uma aposta para reduzir a forte dependência de importações que marca o setor. O estudo foi anunciado em 24 de junho de 2026 pela presidente da estatal, Magda Chambriard, e mira um dos pontos mais sensíveis do agronegócio brasileiro: o país produz comida para o mundo, mas compra de fora a maior parte do adubo que sustenta as suas lavouras.
A dependência é expressiva. Segundo o governo federal, mais de 85% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira são importados, em compras que custam cerca de US$ 25 bilhões por ano. Essa fragilidade ficou ainda mais evidente nos últimos anos, quando tensões geopolíticas e a guerra entre Rússia e Ucrânia, grandes fornecedores mundiais, pressionaram preços e abastecimento e acenderam o alerta sobre a segurança alimentar.
Quais fábricas entram no plano
O estudo da Petrobras prevê duplicar as unidades já existentes de fertilizantes nitrogenados. Entram na conta a Ansa (Araucária Nitrogenados), no Paraná, as Fafens (Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados) e a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), no Centro-Oeste. O investimento é estimado em cerca de R$ 5 bilhões, com projeção de 4,8 mil empregos diretos e indiretos entre 2026 e 2028, número que pode chegar a 8 mil vagas considerando toda a infraestrutura envolvida.
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Da neutralidade do Catar ao ‘sportswashing’: o alerta climático da Copa 2026Os fertilizantes nitrogenados, como a ureia e a amônia, são insumos centrais para culturas de larga escala, caso da soja, do milho e da cana. Sem eles, a produtividade do campo despenca, o que torna o abastecimento desses produtos uma questão estratégica para a economia nacional.
A novela da UFN-3
Símbolo do esforço de retomada, a UFN-3 teve as obras iniciadas em 2011 e interrompidas em 2014, em meio à crise que atingiu a Petrobras. A estatal estima agora concluir a unidade entre o fim de 2028 e o início de 2029. Quando entrar em operação, a fábrica deverá produzir, em uma primeira etapa, cerca de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, reforçando a oferta interna do insumo.
Alinhamento ao Plano Nacional de Fertilizantes
A iniciativa da Petrobras conversa diretamente com o Plano Nacional de Fertilizantes, lançado pelo governo federal em 2022 com horizonte até 2050. A meta é ambiciosa: reduzir a dependência de importados dos atuais patamares acima de 85% para algo em torno de 45% até a metade do século, mesmo com a expectativa de que a demanda por adubo praticamente dobre no período.
Para chegar lá, o plano reúne cinco diretrizes, 27 metas e 168 ações de curto, médio e longo prazo. Entre elas estão o mapeamento geológico do potencial de fosfato e potássio em estados como Goiás, Tocantins, Bahia e Mato Grosso, o estímulo a fertilizantes organominerais e bioinsumos e até o uso de hidrogênio verde na produção de amônia, uma rota de menor pegada de carbono. O plano também prevê o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Cefenp), no Rio de Janeiro.
Por que isso importa
Reduzir a conta de importação de fertilizantes significa menos dinheiro saindo do país, mais empregos internos e maior previsibilidade para o produtor rural diante de choques externos. Em um cenário de clima instável e mercados voláteis, ampliar a produção nacional de insumos é visto como peça-chave para blindar a agricultura brasileira e, com ela, a segurança alimentar.
Perguntas frequentes
Por que o Brasil importa tantos fertilizantes?
O país tem uma agricultura gigantesca, mas capacidade industrial e reservas exploradas insuficientes para produzir internamente o volume de adubo que consome. Por isso, mais de 85% dos fertilizantes vêm de fora.
O que a Petrobras pretende com a duplicação das fábricas?
Aumentar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados, reduzir importações e fortalecer o abastecimento do agronegócio, em linha com o Plano Nacional de Fertilizantes.
Com informações da Petrobras e do Plano Nacional de Fertilizantes.
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