×
Próxima ▸
Senado aprova política para minerais críticos, cria rastreabilidade de origem…

Projeto Autazes aposta nos rios do Amazonas para levar potássio à agricultura e reduzir dependência externa

Projeto Autazes aposta nos rios do Amazonas para levar potássio à agricultura e reduzir dependência externa
Foto: Divulgação

Durante a EXPOSIBRAM 2026, empresa apresentou a logística hidroviária planejada para uma produção ainda em desenvolvimento.

Antes de chegar às áreas agrícolas, o cloreto de potássio previsto para o Projeto Potássio Autazes terá de vencer um desafio que, no Amazonas, não se resolve com a simples abertura de uma estrada: a logística depende dos rios. Essa foi a principal mensagem levada pela Potássio do Brasil à EXPOSIBRAM 2026, realizada no Expominas BH, em Belo Horizonte, entre os dias 24 e 27 de agosto.

O presidente da companhia, Sérgio Leite, apresentou a solução hidroviária planejada para o escoamento da futura produção durante o painel “Corredores Logísticos para a atividade mineral”, realizado na terça-feira, 25 de agosto. O empreendimento ainda está em desenvolvimento, mas a empresa já trata o transporte fluvial como um dos elementos centrais de sua operação.

Por que o rio aparece antes da mina

Em boa parte do debate nacional sobre infraestrutura mineral, ferrovias e rodovias ocupam o centro das discussões. No Amazonas, a geografia desloca essa lógica. Os rios conectam municípios, movimentam cargas e funcionam como vias de circulação onde grandes extensões de floresta, áreas alagáveis e longas distâncias tornam a implantação de estradas mais complexa.

Segundo a Potássio do Brasil, o Projeto Potássio Autazes prevê o uso do transporte hidroviário para retirar a futura produção e conectá-la a regiões agrícolas brasileiras. A empresa não apresentou, no material divulgado, volumes de carga, cronograma operacional ou previsão de início da produção. Por isso, a proposta logística deve ser entendida como parte do planejamento do projeto, e não como uma rota já em funcionamento.

Segundo a Potássio do Brasil, o Projeto Potássio Autazes prevê o transporte hidroviário da futura produção a partir do Amazonas para conexão com regiões agrícolas brasileiras, conforme apresentado em 25 de agosto de 2026, durante a EXPOSIBRAM, em Belo Horizonte.

Projeto Autazes aposta nos rios do Amazonas para levar potássio à agricultura e reduzir dependência externa
Foto: Divulgação

A dependência que conecta mineração e comida

O segundo eixo da apresentação foi a dependência brasileira de fertilizantes importados. O cloreto de potássio é um dos nutrientes utilizados na agricultura e integra uma cadeia que começa na mineração e termina no campo, com impacto sobre custos, planejamento de safra e segurança do abastecimento.

O Brasil está entre os grandes produtores de alimentos, mas precisa buscar no exterior parte relevante dos insumos usados para manter sua produção agrícola. A ampliação da oferta nacional é apresentada pela companhia como uma forma de diversificar as fontes de abastecimento. Isso, porém, não significa eliminar automaticamente a dependência externa, já que a participação futura do projeto no mercado, sua capacidade produtiva e o ritmo de implantação não foram detalhados no comunicado.

“Quando falamos em logística da mineração, normalmente pensamos em ferrovias e rodovias. No Amazonas, porém, os rios cumprem esse papel e são fundamentais para o transporte. O painel também mostrou uma vulnerabilidade do Brasil: somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas ainda dependemos fortemente da importação de fertilizantes. A Potássio do Brasil e o setor mineral reconhecem a importância de reduzir essa dependência. Para avançarmos, é fundamental que a sociedade também compreenda a importância estratégica de ampliar a produção nacional de fertilizantes”, afirmou Sérgio Leite.

O projeto apresentado ao público

A presença da Potássio do Brasil na feira não se limitou ao congresso. O estande F01 foi montado com referências a Autazes, incluindo elementos associados à paisagem amazônica, aos rios e à identidade cultural do município. O espaço apresenta informações sobre a fase atual do projeto, o planejamento de execução, o método de mineração, os equipamentos previstos e mais de 40 projetos e iniciativas relacionados ao empreendimento.

A companhia também exibiu amostras de cloreto de potássio, permitindo que os visitantes observassem o mineral que o projeto pretende produzir. A estratégia transforma um tema normalmente restrito a documentos técnicos e discussões de mercado em uma apresentação mais concreta para profissionais, autoridades e visitantes da feira.

Projeto Autazes aposta nos rios do Amazonas para levar potássio à agricultura e reduzir dependência externa
Foto: Divulgação

O estande incorporou ainda duas obras dos artistas Lino Prado Mura e Everton Mura, um cocar e um grafismo associado à ideia de união, que foram presenteadas à empresa. A programação incluiu queijos da Fazenda D’Lourdes, produtora de Autazes, Arleane Costa Figueiredo. A seleção de elementos locais procurou associar o projeto à produção, à cultura e à diversidade do município onde ele está sendo desenvolvido.

O que a rota pode mudar para a Amazônia

O debate sobre Autazes interessa ao Amazonas por uma razão que vai além do produto final. Em um estado onde os rios são parte essencial da mobilidade e do abastecimento, qualquer grande empreendimento precisa demonstrar como pretende conviver com a sazonalidade das águas, com as comunidades conectadas às calhas dos rios e com os demais usos desse sistema de transporte.

A questão também alcança a Amazônia mais ampla. Pará, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins enfrentam, em diferentes escalas, o desafio de integrar produção, infraestrutura e proteção ambiental em territórios de grandes distâncias. A experiência de um projeto mineral no Amazonas pode alimentar discussões regionais sobre hidrovias, desde que os ganhos econômicos sejam acompanhados de planejamento, transparência e avaliação dos impactos locais.

Esse é o ponto que ainda exige acompanhamento: a logística anunciada precisa sair do desenho estratégico e ser detalhada em seus aspectos técnicos, ambientais e sociais. Também será necessário observar como a operação se relacionará com os ciclos dos rios, quais estruturas serão utilizadas e como os benefícios serão distribuídos no território de Autazes.

Feira termina com projeto em fase de apresentação

A EXPOSIBRAM 2026 reuniu empresas, especialistas, autoridades e representantes de diferentes segmentos da mineração em exposições e debates técnicos. Para Raphael Bloise, diretor de Projetos da Potássio do Brasil, o interesse recebido no estande indicou a busca do setor por informações sobre o andamento do empreendimento.

“A participação na EXPOSIBRAM tem sido muito positiva. Temos recebido muitos visitantes interessados em conhecer o andamento do Projeto Potássio Autazes. Esse interesse e a oportunidade de apresentar os avanços do projeto nos trazem muita satisfação”, afirmou Bloise.

O evento se encerra nesta quinta-feira, 27 de agosto, mas o próximo passo relevante para o projeto será transformar a proposta apresentada em planejamento verificável, com etapas, estudos e decisões capazes de esclarecer como a futura produção de potássio circulará pelo Amazonas e chegará às regiões agrícolas brasileiras.

Com informações da Potássio do Brasil.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA