
Uma nova análise indica que o aumento de eventos extremos pode pressionar populações importantes para a polinização.
O que acontece quando o calor extremo deixa de ser uma exceção e passa a fazer parte da rotina? Uma nova análise indica que os abelhões do Reino Unido podem sofrer quedas acentuadas em suas populações com o aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor.
Calor extremo pode mudar o destino dos abelhões
Conhecidos em inglês como bumblebees, os abelhões são parentes das abelhas e desempenham papel importante na polinização de flores, plantas silvestres e cultivos agrícolas. Eles conseguem trabalhar em temperaturas mais baixas do que muitas outras abelhas, característica que ajuda a explicar sua presença em regiões de clima temperado.
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Menor macaco abre buracos no tronco com incisivo, volta por semanas à goma e cabe na palma de um adulto, girando a cabeça quase 180 grausEssa vantagem, porém, não significa que estejam protegidos contra o calor excessivo. Ondas de calor podem afetar o funcionamento do organismo dos insetos, alterar o tempo de atividade durante o dia e reduzir a disponibilidade de flores e néctar. Em períodos muito quentes e secos, as plantas também podem florescer por menos tempo ou produzir menos recursos para os polinizadores.
Segundo a BBC, uma análise divulgada em aponta que os abelhões do Reino Unido podem registrar quedas expressivas à medida que as ondas de calor se tornam mais frequentes e intensas. A extensão desse impacto, no entanto, depende das espécies avaliadas, da região observada e do período analisado.
Por que os polinizadores importam
A polinização ocorre quando o pólen é transportado entre flores, permitindo a reprodução de muitas plantas. Esse processo pode ser realizado pelo vento, pela água e por diferentes animais, mas abelhas, abelhões, borboletas e outros insetos estão entre os polinizadores mais conhecidos.
Quando a população desses animais diminui, o efeito não aparece necessariamente de forma imediata. A redução pode afetar a reprodução de plantas silvestres, modificar a composição de habitats e criar dificuldades para cultivos que dependem da visita de insetos às flores.
O alerta sobre o Reino Unido também interessa à Amazônia, embora os abelhões citados na análise estejam associados ao ambiente britânico. Em todos os estados da região amazônica, a relação entre clima, flores, insetos e produção de alimentos é essencial para a manutenção de ecossistemas e atividades agrícolas. As espécies presentes na Amazônia são diferentes, mas o princípio é semelhante: mudanças no regime de chuvas, aumento da temperatura e eventos extremos podem alterar encontros entre plantas e polinizadores.
Entenda o caso
Os resultados devem ser entendidos como uma projeção ou alerta, e não como prova de que todas as populações de abelhões já estejam em declínio na mesma proporção. A confirmação desses detalhes depende da consulta ao estudo original e aos dados usados pelos pesquisadores.
O desafio de sobreviver em um clima mais instável
Os efeitos do calor podem aparecer em diferentes etapas do ciclo de vida dos abelhões. Temperaturas elevadas podem dificultar o voo, aumentar o gasto de energia e reduzir o período do dia em que os insetos conseguem procurar alimento. O calor também pode afetar ninhos e colônias, especialmente quando não há abrigo suficiente contra a exposição direta ao sol.
Outro problema é o desencontro entre o ciclo dos insetos e o das plantas. Se uma flor abrir mais cedo por causa de uma primavera incomumente quente, mas os abelhões ainda não estiverem ativos, a oportunidade de alimentação pode ser perdida. O inverso também pode ocorrer, quando os insetos estão disponíveis, mas encontram menos flores do que o esperado.
Essas mudanças são difíceis de interpretar porque o clima não é o único fator envolvido. Perda de habitat, uso de pesticidas, doenças, espécies invasoras e falta de áreas floridas também podem pressionar os polinizadores. A onda de calor pode agir sozinha ou somar-se a esses problemas, tornando mais difícil a recuperação das populações.
O que pode ajudar os abelhões
A criação e a proteção de áreas com flores nativas estão entre as medidas usadas para ampliar a oferta de alimento. Jardins, parques, margens de estradas e terrenos agrícolas podem contribuir quando mantêm plantas em diferentes épocas do ano, evitando que os insetos encontrem alimento apenas durante uma curta estação.
Áreas de sombra, vegetação próxima a cursos d’água e redução do uso indiscriminado de produtos químicos também podem oferecer condições mais favoráveis. No campo, a conservação de faixas de vegetação e a diversificação das culturas ajudam a formar uma paisagem menos hostil para os polinizadores.
Na Amazônia, ações semelhantes precisam considerar as espécies e os ambientes locais. A proteção de florestas, quintais produtivos, sistemas agroflorestais e áreas de transição entre vegetação nativa e cultivos pode beneficiar a diversidade de insetos. Essas medidas não substituem políticas de redução das emissões de gases de efeito estufa, mas ajudam a diminuir a vulnerabilidade dos ecossistemas.
A reportagem da BBC pode ser consultada em bbc.in/3TaPRFa.
O que são abelhões?
Abelhões são insetos aparentados com as abelhas, geralmente maiores e com corpo coberto por pelos. Eles visitam flores em busca de néctar e pólen e ajudam na polinização de diversas plantas.
Por que as ondas de calor preocupam esses insetos?
O calor extremo pode dificultar o voo, alterar a disponibilidade de flores e afetar ninhos e colônias. O risco tende a ser maior quando as ondas de calor se combinam com secas e perda de habitat.
O alerta vale para a Amazônia?
A análise citada trata dos abelhões do Reino Unido, não das espécies amazônicas. Ainda assim, o caso reforça a importância de estudar como o aumento da temperatura e os eventos extremos afetam os polinizadores em diferentes regiões.
Com informações da BBC.
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