
Agenda propõe dez medidas para ampliar a oferta de energia renovável, reduzir importações e fortalecer a gestão de resíduos no Brasil.
O Brasil poderá transformar resíduos agropecuários, urbanos e industriais em uma nova frente de energia, combustíveis e insumos agrícolas até 2035. Essa é a projeção do Plano para o Desenvolvimento dos Setores de Biogás e Biometano, lançado em agosto de 2026 pela Associação Brasileira do Biogás e do Biometano, a ABiogás. A agenda reúne dez iniciativas prioritárias e estima a mobilização de R$ 216 bilhões em investimentos privados, com potencial para criar mais de 251 mil empregos diretos e reduzir a dependência de produtos importados.
Plano mira segurança energética e redução de importações
O documento parte de um diagnóstico sobre a vulnerabilidade brasileira diante de choques externos de oferta e de preços. Segundo a ABiogás, episódios recentes envolvendo diesel e fertilizantes provocaram impactos econômicos superiores a R$ 110 bilhões, evidenciando a exposição do país à dependência de combustíveis e insumos produzidos no exterior.
🌿 Receba nossas notícias no Google
⭐ Adicionar Revista AmazôniaLeia também
Petrobras confirma petróleo na costa do Amapá e reacende a disputa da Foz do Amazonas
Biochar de casca de coco eleva em 42,1% a resistência da cal e amplia captura de carbono
Após corte que reduziu Hydro Alunorte em 50%, acesso a terminal de GNL no Pará reabre mercadoNa avaliação da entidade, o biogás e o biometano podem ampliar a oferta doméstica de energia e tornar a economia mais resistente a crises internacionais. O biogás é produzido a partir da decomposição de matéria orgânica. Já o biometano resulta da purificação desse gás e pode ser utilizado em veículos, equipamentos industriais e outras aplicações que hoje dependem de combustíveis fósseis.
Entenda o caso
O plano é uma agenda setorial, e não um programa governamental já implementado. As estimativas dependem da adoção das medidas propostas, da criação de regras mais previsíveis e da articulação entre empresas, órgãos públicos e investidores.
A ABiogás afirma que o país tem potencial para produzir até 120 milhões de metros cúbicos de biometano por dia. O aproveitamento atual, porém, representa menos de 2% desse volume estimado, o que indica uma ampla margem para expansão da cadeia.
Transporte aparece entre as prioridades
Uma das frentes do plano é o uso do biometano no transporte pesado e coletivo. A entidade propõe a criação de corredores logísticos e de medidas que viabilizem, até 2035, a incorporação de mais de 40 mil caminhões movidos a biometano.
O documento também prevê a expansão do combustível em frotas urbanas. De acordo com as projeções apresentadas, o mercado poderia alcançar 16 mil ônibus movidos a biometano em 20 cidades no mesmo período. A substituição de combustíveis fósseis por uma alternativa produzida no país é apontada como uma das formas de reduzir emissões e despesas com importações.
Segundo a ABiogás, o plano para o desenvolvimento do biogás e do biometano foi lançado no Brasil em agosto de 2026 e prevê até R$ 216 bilhões em investimentos privados até 2035.
Agricultura e combustíveis avançados
Na agricultura, a agenda propõe estimular a produção e o uso de biofertilizantes. O objetivo é aproveitar subprodutos do processo de geração de biogás e, ao mesmo tempo, contribuir para a redução da dependência brasileira de fertilizantes importados.
A proposta também inclui combustíveis avançados, como Bio-GNL, combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, e-metanol e combustíveis produzidos com dióxido de carbono de origem biogênica. Essas alternativas podem atender setores com maior dificuldade de eletrificação, embora sua expansão dependa de investimentos, regulamentação e desenvolvimento tecnológico.
Na Amazônia Legal, onde existem grandes distâncias logísticas, atividades agropecuárias diversificadas e desafios relacionados ao saneamento e à destinação de resíduos, a discussão tem relevância estratégica. O material divulgado pela ABiogás, no entanto, não apresenta metas específicas para Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins e Maranhão. A aplicação regional das propostas ainda deverá ser detalhada durante a etapa de articulação com governos e setor produtivo.
Governança e regras para atrair capital
Para que os investimentos avancem, o plano defende a criação de uma instância nacional de governança capaz de articular os diferentes segmentos da cadeia. A medida buscaria aproximar produtores de biogás, distribuidoras, transportadoras, indústrias, setor agrícola e poder público.
Outra proposta é aprimorar as condições de fungibilidade e previsibilidade do Certificado de Garantia de Origem do Biometano, conhecido como CGOB. O certificado permite associar atributos ambientais ao combustível renovável, mas sua utilização precisa de regras claras para oferecer segurança a quem produz e compra.
A agenda ainda recomenda que o biometano receba tratamento adequado durante a implementação da Reforma Tributária. Também defende a criação de mecanismos de blended finance, modelo que combina recursos públicos, privados e de instituições financeiras para viabilizar projetos com diferentes níveis de risco.
Projeções incluem empregos e corte de emissões
Além dos R$ 216 bilhões em investimentos privados, a ABiogás estima que a execução coordenada das medidas poderá gerar R$ 57 bilhões por ano em receitas adicionais para o setor. O plano calcula ainda a possibilidade de substituir R$ 42 bilhões anuais em importações.
Na área climática, a projeção é evitar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano. Segundo o documento, esse volume corresponde a aproximadamente 10% das atuais emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil.
As cifras são projeções condicionadas à implementação das dez iniciativas e não representam resultados já alcançados. A efetividade das medidas dependerá de decisões regulatórias, disponibilidade de crédito, infraestrutura de distribuição e adesão de consumidores industriais, transportadores e produtores rurais.
Nas próximas semanas, a ABiogás deverá apresentar o plano a representantes do setor produtivo e do poder público, iniciando a articulação para discutir as propostas e acelerar o desenvolvimento do biogás e do biometano no país.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre biogás e biometano?
O biogás é formado pela decomposição de matéria orgânica. O biometano é obtido após a purificação do biogás e pode substituir o gás natural e outros combustíveis em determinadas aplicações.
Quanto o plano prevê em investimentos?
A ABiogás estima R$ 216 bilhões em investimentos privados até 2035, caso as medidas propostas sejam implementadas de forma coordenada.
O plano já garante esses resultados?
Não. Os valores de investimentos, empregos, receitas, substituição de importações e redução de emissões são projeções da entidade e dependem de regulamentação, financiamento e execução das iniciativas.
Com informações de ABiogás.
Nunca perca uma notícia da AmazôniaControle o que você vê no Google
O Google lançou as Fontes Preferenciais: escolha os veículos que aparecem com prioridade. Adicione a Revista Amazônia e garanta cobertura exclusiva sempre em destaque.
Adicionar Revista Amazônia como Fonte Preferencial1. Pesquise qualquer assunto no Google
2. Toque no ⭐ ao lado de "Principais Notícias"
3. Busque Revista Amazônia e marque a caixa — pronto!













