
Reconhecimentos na ABM Week 2026 destacaram soluções aplicadas à pelotização e à análise de misturas industriais.
Uma tecnologia criada para atuar diretamente nos fornos de pelotização e outra baseada na combinação entre análise hiperespectral e inteligência artificial colocaram a Samarco entre os destaques da ABM Week 2026. A empresa recebeu dois prêmios durante a 10ª edição do evento, realizado em São Paulo entre 8 e 10 de setembro, e apresentou 41 trabalhos técnicos desenvolvidos por seus empregados.
Os reconhecimentos ocorreram em áreas que estão no centro da transformação da indústria mineral: a redução de emissões e o uso de dados para aprimorar processos produtivos. A premiação também levou para o debate a necessidade de formar profissionais capazes de acompanhar a incorporação de novas tecnologias às operações.
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Na categoria Sustentabilidade, a Samarco recebeu o Prêmio Aço Verde do Brasil pelo desenvolvimento do queimador Low NOx. A solução foi criada para reduzir a emissão de óxidos de nitrogênio nos fornos de pelotização da unidade de Ubu, no Espírito Santo.
O projeto foi liderado pelo engenheiro de Processos Raphael de Medeiros, com participação da empresa de engenharia ATS4i e validação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, o IPT. Atualmente, 16 queimadores com a nova tecnologia estão em operação nas Usinas 3 e 4 da Samarco.
Segundo a Samarco, 16 queimadores Low NOx já operam nas Usinas 3 e 4 da companhia, na unidade de Ubu, no Espírito Santo. O dado mostra que a solução deixou a etapa de desenvolvimento e passou a fazer parte da operação industrial.
“Foi um trabalho das equipes de engenharia, operação, instrumentação, automação e manutenção da Samarco e nossos parceiros ATS4i e IPT. Não existe solução pronta: é preciso ter várias peças para a engrenagem funcionar”, afirma Raphael de Medeiros.
A declaração resume uma característica importante de projetos industriais desse tipo. A eficiência de uma tecnologia não depende apenas do equipamento criado, mas da integração entre áreas responsáveis pelo processo, pela manutenção, pelos instrumentos e pelos sistemas de controle. A validação externa pelo IPT também fez parte do caminho de desenvolvimento apresentado pela empresa.
Inteligência artificial aplicada à mistura de materiais
O segundo prêmio veio na categoria Automação e TI. O Prêmio Vesuvius reconheceu um projeto que combina análise hiperespectral e inteligência artificial para avaliar a homogeneidade de misturas industriais.
A análise hiperespectral permite observar informações associadas a diferentes faixas do espectro. Quando integrada a ferramentas de inteligência artificial, pode apoiar a identificação de padrões e a avaliação de características do material. No caso apresentado pela Samarco, a aplicação está relacionada ao controle da uniformidade das misturas utilizadas no processo industrial.
O reconhecimento sinaliza uma mudança na forma de acompanhar operações de mineração e metalurgia. Em vez de depender somente de verificações pontuais, a indústria passa a usar mais dados para interpretar o comportamento dos materiais e apoiar decisões de processo. A aplicação prática, contudo, continua vinculada à qualidade dos dados, à validação dos modelos e à capacidade das equipes de transformar análises em ações operacionais.
O que os 41 trabalhos mostram sobre a estratégia da empresa
Além dos dois projetos premiados, a Samarco levou 41 trabalhos técnicos à ABM Week 2026. O conjunto reúne iniciativas desenvolvidas por empregados e indica que a inovação, para a companhia, não está restrita a uma única frente ou a um laboratório específico.
A empresa também realizou uma premiação interna para o projeto “Assistente virtual utilizando IA generativa aplicada à concentração de minério de ferro”. A iniciativa foi reconhecida pelo diretor de Operações, Sérgio Mileipe, e amplia o uso de inteligência artificial para uma etapa ligada ao beneficiamento do minério.
Há uma diferença entre demonstrar uma tecnologia e incorporá-la à rotina. Projetos como o queimador Low NOx já aparecem associados a equipamentos em operação, enquanto soluções de inteligência artificial exigem acompanhamento contínuo, atualização de modelos e avaliação dos resultados ao longo do tempo. Essa distinção ajuda a dimensionar os diferentes estágios de maturidade das iniciativas apresentadas no evento.
Formação profissional entra no centro da discussão
A agenda da Samarco na ABM Week não ficou limitada às soluções técnicas. No primeiro dia do evento, o presidente da empresa, Rodrigo Vilela, participou do Fórum de Líderes, ao lado de representantes da Usiminas, Gerdau, CBMM e Fundação Dom Cabral.
O debate tratou da escassez de força de trabalho qualificada e de seus efeitos sobre a competitividade da indústria brasileira. Para uma operação que depende de engenharia, automação, manutenção, instrumentação e análise de dados, a disponibilidade de profissionais preparados influencia tanto a adoção de equipamentos quanto a continuidade dos resultados.
“A empresa decidiu retomar as operações com as pessoas que permaneceram nela. Hoje, o desafio é levar esse propósito para a nova geração de profissionais”, afirmou Rodrigo Vilela.
O presidente também relacionou a formação de talentos ao planejamento estratégico da companhia. “Investir em educação, desenvolvimento e formação de talentos não é uma agenda paralela ao negócio, é uma agenda estratégica. Tecnologias podem ser adquiridas, mas o verdadeiro diferencial competitivo é formar equipes que saibam evoluir junto com elas”, completou.
Por que o tema interessa à mineração amazônica
Embora os projetos premiados tenham sido aplicados na unidade de Ubu, no Espírito Santo, os temas discutidos alcançam toda a cadeia mineral brasileira. Redução de emissões, automação, inteligência artificial e formação profissional também fazem parte dos desafios enfrentados por empresas que atuam na Amazônia, especialmente em territórios com forte presença da mineração e da transformação mineral.
Para estados como Pará e Amapá, onde a atividade mineral tem peso econômico, o debate sobre tecnologia não se resume à compra de equipamentos. A adoção de soluções digitais depende de infraestrutura, equipes qualificadas, manutenção especializada e capacidade de validar os resultados no ambiente real de produção. O mesmo vale para iniciativas voltadas à eficiência ambiental, que precisam ser medidas e acompanhadas durante a operação.
Os dois prêmios recebidos em São Paulo, portanto, combinam duas dimensões do setor: a busca por processos industriais menos emissores e o avanço de ferramentas capazes de interpretar grandes volumes de informação. A próxima etapa será manter essas soluções integradas às rotinas da empresa e ampliar a formação das equipes que irão operar e aperfeiçoá-las.
Com informações de Samarco.
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