
Visita técnica apresentou um modelo que combina restauração do solo, biodiversidade, produção agrícola e geração de renda no Amazonas.
Em vez de conhecer a restauração amazônica apenas em apresentações, cerca de 30 participantes da V Conferência Impact Minds acompanharam uma operação em campo no município do Careiro, no Amazonas, em 9 de setembro de 2026. Na Fazenda REMATA Agrofloresta, o grupo viu como áreas desmatadas e degradadas podem ser reorganizadas para receber sistemas agroflorestais com produção, recuperação do solo e conexão com o mercado consumidor de Manaus.
A visita integrou a programação externa da conferência realizada em Manaus pela Latimpacto. O encontro reúne profissionais, lideranças e investidores ligados a negócios de impacto socioambiental, conservação e transição ecológica na América Latina. A propriedade visitada fica a cerca de 120 quilômetros da capital amazonense e funciona como Centro de Referência Agroflorestal da REMATA.
Uma fazenda usada como laboratório de produção
Conduzida por Eric Brosler, CEO da REMATA Agroflorestal, a atividade apresentou as áreas produtivas, os equipamentos empregados no campo e as etapas que estruturam a operação. A proposta da empresa é transformar terrenos degradados em florestas produtivas, combinando pesquisa, inovação tecnológica e conhecimentos tradicionais associados ao território amazônico.
Segundo a REMATA Agroflorestal, o trabalho não se limita ao plantio. A atuação envolve planejamento estratégico, fomento, implantação dos sistemas, assistência técnica continuada, integração das comunidades, comercialização da produção e preparação para o acesso a créditos de carbono. Esse conjunto de etapas procura aproximar a restauração ambiental das decisões econômicas tomadas por produtores e parceiros.
Segundo a REMATA Agroflorestal, a visita ocorreu em 9 de setembro de 2026, na Fazenda REMATA Agrofloresta, no município do Careiro, durante a programação da V Conferência Impact Minds, realizada em Manaus.
O mercado de Manaus orienta a escolha das espécies
Um dos pontos observados pelos visitantes foi a estratégia de iniciar o modelo com espécies frutíferas ligadas diretamente à demanda de Manaus. A escolha cria uma relação entre o que é cultivado no campo e o destino comercial da produção, antes da ampliação para cadeias como cacau e essências florestais.
Essa organização foi destacada por Liz Lacerda, do Fundo Vale. “De todas as áreas de sistemas agroflorestais que já visitei na Amazônia, fiquei muito impressionada com o nível de organização da REMATA. A escolha de focar primeiro nas espécies frutíferas conectadas diretamente ao mercado consumidor de Manaus, para depois avançar no cacau e nas essências florestais, mostra um planejamento muito bem estruturado e com metas claras”, afirmou.
A lógica apresentada na fazenda oferece uma camada prática para o debate sobre restauração na Amazônia: recuperar uma área também exige definir o que será produzido, quem prestará assistência, como a colheita chegará ao comprador e quais mecanismos financeiros poderão sustentar o processo. No caso da REMATA, essas funções estão reunidas em uma mesma estratégia operacional.
Restauração com renda e biodiversidade
Para Eric Brosler, a visita serviu para mostrar que a atividade agroflorestal pode ser estruturada como negócio sem abandonar os objetivos ambientais e sociais. “A oportunidade de receber profissionais, lideranças e investidores do ecossistema de impacto é fundamental para demonstrar que o negócio agroflorestal na Amazônia vem sendo uma realidade concreta, que considera a parte econômica, além das questões socioambientais, com viabilidade nos diferentes aspectos. A visita permitiu compartilharmos nossas práticas sobre como aliar restauração, regeneração do solo e geração de valor econômico e social na região”, declarou.
A combinação entre árvores, espécies agrícolas e planejamento de mercado é central aos Sistemas Agroflorestais apresentados durante a visita. A fazenda própria serve como espaço de pesquisa e inovação, mas também como referência para a disseminação de conhecimento prático e para a estruturação de futuras parcerias com produtores locais.
Laís Rocha, gerente de impacto da Vox Capital, avaliou que a experiência demonstrou a possibilidade de unir recuperação ambiental e retorno financeiro. “A visita foi extremamente inspiradora. É muito bom ver negócios demonstrando inovação para reflorestar e, ao mesmo tempo, gerar um retorno econômico significativo”, disse.
Do maquinário ao plantio de pau-rosa
A programação também colocou os participantes em contato com a rotina operacional de um SAF. Marissa Renaud, gerente de portfólio da NESsT, relatou que o grupo conheceu os equipamentos utilizados e observou os efeitos esperados da agrofloresta sobre o ambiente e a renda dos produtores.
“Foi um dia muito rico e gratificante, no qual vimos na prática como funciona um sistema de SAF eficiente, além de aprender sobre os maquinários utilizados e o impacto da agrofloresta para o meio ambiente e para a geração de renda dos produtores”, afirmou Marissa.
O contato com a biodiversidade apareceu de forma concreta durante a atividade. A visitante também participou do plantio de uma muda de pau-rosa, espécie mencionada como ameaçada de extinção nos últimos anos. O gesto aproximou a discussão sobre conservação da experiência de campo, mostrando que a restauração envolve tanto processos produtivos quanto a escolha de espécies associadas à floresta.
O que o modelo representa para a Amazônia
Para o Amazonas, a experiência no Careiro coloca em evidência uma questão presente em diferentes territórios amazônicos: como recuperar áreas alteradas sem afastar a atividade econômica das comunidades e dos produtores. A resposta apresentada pela REMATA combina assistência técnica, planejamento de mercado e diversidade produtiva, em vez de tratar a recuperação ambiental como uma etapa isolada.
Esse ponto também torna o modelo relevante para o debate regional nos demais estados da Amazônia. Embora a visita tenha ocorrido no Amazonas, a estrutura descrita, com produção, conservação, parcerias locais e comercialização, oferece elementos para discussões sobre agricultura regenerativa, restauração e geração de renda em outros territórios. A aplicação, contudo, depende das espécies escolhidas, das condições de cada área e da organização das cadeias de mercado locais.
A V Conferência Impact Minds 2026 usou a visita como uma imersão prática em um negócio de impacto socioambiental. Na fazenda, os participantes puderam observar como a recuperação de áreas degradadas é planejada desde a implantação até a comercialização e a possível estruturação de créditos de carbono.
A REMATA Agroflorestal deverá avançar na formação de parcerias com produtores locais e na expansão de sistemas que começam pelas espécies frutíferas destinadas ao mercado de Manaus, com previsão estratégica de ampliar a atuação para o cacau e as essências florestais.
Com informações de REMATA Agroflorestal.
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