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19 organizações testam plataforma que conecta desafios da Amazônia a soluções para projetos sustentáveis

19 organizações testam plataforma que conecta desafios da Amazônia a soluções para projetos sustentáveis
Foto: Divulgação

Ferramenta criada por CERTI, CERTI Amazônia e Siemens aproxima demandas do território de parceiros tecnológicos.

Uma demanda regional pode deixar de ser apenas um problema administrativo e virar ponto de partida para um projeto tecnológico. Essa é a proposta da Loopi, plataforma de inovação aberta lançada pelo Instituto CERTI Amazônia, pela Fundação CERTI e pelo Grupo Siemens para aproximar empresas, instituições públicas e organizações amazônicas de startups, pesquisadores e institutos de ciência e tecnologia.

A ferramenta foi apresentada em Macapá, no Amapá, durante o nexBio Amazônia, programa suíço-brasileiro voltado à inovação sustentável. Na ocasião, 19 organizações, entre startups e pesquisadores, analisaram a aderência de suas soluções a dois desafios apresentados pela Unifique, empresa que adquiriu os direitos de exploração da faixa de 700 MHz nos estados amazônicos.

De uma demanda local a uma rede de parceiros

O funcionamento da Loopi parte de uma inversão na lógica tradicional de pesquisa e desenvolvimento. Em vez de uma solução pronta procurar um problema genérico, a organização interessada registra uma necessidade concreta na plataforma. A partir daí, parceiros com capacidade técnica podem apresentar propostas, formar consórcios e colaborar na construção de respostas aplicáveis.

O ambiente digital foi estruturado para reunir os desafios, organizar conexões entre proponentes e possíveis parceiros e acompanhar a evolução das iniciativas. A proposta também prevê curadoria técnica, governança e transparência, elementos importantes em projetos que envolvem empresas, instituições científicas, poder público e comunidades de diferentes localidades.

19 organizações testam plataforma que conecta desafios da Amazônia a soluções para projetos sustentáveis
Foto: Divulgação

Segundo o Instituto CERTI Amazônia, a Loopi conecta desafios tecnológicos da Amazônia a startups, pesquisadores, institutos de ciência e tecnologia e empresas de base tecnológica para transformar demandas estratégicas em projetos colaborativos de desenvolvimento sustentável.

Macapá foi o primeiro teste público da ferramenta

A apresentação ocorreu dentro do nexBio Amazônia, iniciativa promovida pela Swissnex no Brasil em conjunto com a Embaixada da Suíça no Brasil e a Universidade de St Gallen. A programação colocou organizações inovadoras diante de necessidades ligadas à conectividade e permitiu observar como a plataforma pode ser usada para selecionar parceiros com maior aderência a cada desafio.

Os dois desafios apresentados pela Unifique deram uma dimensão prática ao lançamento. Em vez de funcionar apenas como um catálogo de empresas inovadoras, a Loopi foi utilizada como instrumento de aproximação entre demandas empresariais e soluções em desenvolvimento. A experiência também mostrou que a inovação aberta depende de critérios para avaliar a capacidade técnica, o potencial de aplicação e a compatibilidade das propostas com o território.

Para Daniel Penz, desenvolvedor de novos negócios do Instituto CERTI Amazônia, a principal contribuição está em criar uma ponte entre diferentes competências. “O objetivo é criar uma conexão entre quem tem um desafio e quem possui capacidade tecnológica para contribuir com uma solução. A inovação aberta permite unir diferentes conhecimentos e acelerar projetos que tenham impacto direto na região amazônica”, afirmou.

19 organizações testam plataforma que conecta desafios da Amazônia a soluções para projetos sustentáveis
Foto: Divulgação

O que muda para empresas e pesquisadores

Na prática, empresas e instituições podem usar a ferramenta para apresentar demandas que exigem conhecimento especializado. Startups, pesquisadores e organizações tecnológicas, por sua vez, passam a ter um canal para identificar oportunidades de colaboração ligadas a problemas reais da região.

Essa aproximação pode reduzir uma dificuldade frequente em projetos de inovação: a distância entre quem conhece o problema e quem domina a tecnologia necessária para enfrentá-lo. No contexto amazônico, essa distância pode ser ampliada pelas dimensões territoriais, pela diversidade social e ambiental e pelas condições distintas de infraestrutura entre municípios.

A plataforma também pretende acompanhar o desenvolvimento das iniciativas, e não apenas promover o primeiro contato. Esse acompanhamento é relevante porque uma proposta tecnológica precisa ser adaptada às condições econômicas, ambientais e sociais do local onde será aplicada. Uma solução concebida para grandes centros urbanos, por exemplo, pode exigir mudanças para funcionar em áreas de baixa conectividade ou com logística complexa.

Conexão com a realidade dos estados amazônicos

O alcance regional da proposta está relacionado à necessidade de desenvolver tecnologias ajustadas aos diferentes contextos da Amazônia. Os desafios de conectividade, geração de renda, conservação ambiental e acesso a serviços não aparecem da mesma forma no Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

19 organizações testam plataforma que conecta desafios da Amazônia a soluções para projetos sustentáveis
Foto: Divulgação

Por isso, uma plataforma voltada ao território precisa considerar que uma solução validada em Macapá pode demandar adaptações antes de ser aplicada em comunidades ribeirinhas, áreas de floresta, zonas de fronteira ou cidades de crescimento acelerado. A curadoria técnica anunciada pela Loopi pretende levar em conta justamente as características sociais, ambientais e econômicas da região.

A conexão com a bioeconomia também amplia o campo de aplicação da ferramenta. Tecnologias para cadeias produtivas sustentáveis, monitoramento ambiental, conectividade, rastreabilidade e melhoria de serviços podem beneficiar empreendedores locais quando combinadas com conhecimento científico e capacidade de implementação. O resultado esperado é transformar necessidades regionais em oportunidades de inovação e geração de renda, sem separar desenvolvimento econômico da conservação ambiental.

O que ainda precisa ser demonstrado

O lançamento da Loopi não significa que os desafios já tenham sido resolvidos. A plataforma é uma infraestrutura de articulação, e os resultados dependerão da qualidade das demandas cadastradas, da participação de parceiros e da capacidade de transformar propostas em projetos executáveis.

Também será necessário verificar como as soluções serão testadas em campo, quais instituições assumirão a implementação e de que maneira os impactos serão medidos. Em projetos amazônicos, indicadores de sucesso precisam incluir não apenas desempenho técnico, mas também custos de operação, geração de renda, benefícios para as comunidades e efeitos sobre o ambiente.

Para Daniel Penz, a escala regional depende de conectar conhecimento e empreendedorismo às necessidades locais. “A Amazônia tem desafios que podem ser transformados em oportunidades quando conectamos conhecimento, tecnologia e capacidade empreendedora. Queremos contribuir para que soluções desenvolvidas a partir das necessidades locais ganhem escala e gerem benefícios concretos para a sociedade”, disse.

Como acessar a Loopi

A plataforma está disponível em ambiente digital e pode ser consultada por organizações interessadas em apresentar desafios ou buscar oportunidades de colaboração. O acesso à Loopi pode ser feito pelo endereço loopi.tech4amazonia.publicvm.com. Informações institucionais sobre o Instituto CERTI Amazônia estão disponíveis em certiamazonia.org.br.

A experiência iniciada em Macapá deverá servir como referência para novas conexões entre empresas, pesquisadores e empreendedores, com a evolução dos projetos como próximo passo da iniciativa.

Com informações do Instituto CERTI Amazônia, da Fundação CERTI e do Grupo Siemens.

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