
Documento divulgado em outubro reúne observações da tripulação sobre a cor da superfície lunar e pode ajudar a escolher onde pousar nas próximas missões.
Para quem olha da Terra, a Lua é cinza ou branca. Para os quatro astronautas da missão Artemis II, da NASA, que passaram quase sete horas contornando o satélite a cerca de 6.400 quilômetros da superfície, ela tinha amarelo, marrom, verde, azul e bege. Essas impressões estão no Relatório Científico Lunar Preliminar da Artemis II, divulgado pela agência espacial americana na semana de 8 de outubro de 2026.
O documento tem 130 páginas e reúne o que Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen viram no sobrevoo de 6 de abril. O material se apoia em 814 gigabytes de fotos, vídeos e gravações de áudio feitos de dentro da cápsula Orion.
Um planalto que lembrava neve amarelada
Um dos lugares que mais chamaram a atenção da tripulação foi o Planalto de Aristarchus, uma região elevada na borda noroeste da face visível da Lua. A área concentra uma das maiores coleções de feições vulcânicas antigas do satélite, com depósitos de lava escura e vidros vulcânicos coloridos.
Christina Koch, especialista de missão, estranhou o amarelo da região e a comparou a “a yellow snow-capped mountain”, em que as crateras que refletem a luz do Sol fariam o papel da neve. Ela também chamou o local de “a jaundiced cheek of the Moon”.
O piloto Victor Glover descreveu o mesmo cenário enquanto fotografava. “There are so many colors now”, disse. Ele acrescentou: “There’s also a green. I see brown, especially Aristarchus and north toward the north pole. … It kind of flows down from the north in brown streaks.”
O que as cores podem indicar
Segundo o relatório da NASA, as tonalidades observadas “could be associated with orange (titanium-rich) and green (magnesium-rich) glass beads respectively”. Em português, os autores sugerem que o laranja e o verde podem estar ligados a pequenas esferas de vidro vulcânico, ricas em titânio e em magnésio, respectivamente.
É uma associação levantada como possibilidade, não uma confirmação. As observações foram feitas a olho e por câmeras a bordo, e a composição exata só pode ser verificada com análises mais detalhadas dos dados ou com amostras.
Esse tipo de leitura importa porque cada cor sugere um tipo de material e um processo geológico diferente. O catálogo pode orientar escolhas sobre onde pousar e onde explorar, num momento em que várias agências espaciais disputam a presença permanente na Lua.
Por que a Lua parece tão pouco colorida daqui
A diferença entre o relato dos astronautas e o que se vê do chão tem a ver com distância e atmosfera. A Terra enxerga o satélite de longe, através do ar, e o olho humano percebe pouco contraste de cor numa superfície de tons discretos. De perto, e com a luz do Sol em ângulos variados, as sutilezas ficam mais evidentes.
O que isso significa para quem está na Amazônia
A Lua pode ser vista com nitidez dos céus da região, longe da poluição luminosa de grandes cidades, e a Artemis II reacende o interesse por observação astronômica em estados como Pará, Amazonas e Amapá. Mas a conexão é de curiosidade e divulgação científica: o relatório não trata do Brasil nem da Amazônia.
Segundo a NASA, a tripulação da Artemis II realizou o sobrevoo lunar em 6 de abril de 2026 e registrou suas observações em um relatório preliminar de 130 páginas, publicado em outubro. O próprio título indica que o trabalho ainda é inicial: a agência deve seguir analisando as imagens e gravações, e novos resultados podem refinar o que foi descrito agora. O relatório completo está disponível no site científico da NASA.
Com informações de NASA.
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