COP17 reúne mais de 200 países em Yerevan para a primeira revisão das 23 metas de 2030, e a conta de proteção ainda não fecha

COP17 reúne mais de 200 países em Yerevan para a primeira revisão das 23 metas de 2030, e a conta de proteção ainda não fecha
Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil Brasil Representantes da

Conferência na Armênia expõe o intervalo entre promessas de preservação e o ritmo real de proteção de ecossistemas terrestres e marinhos.

Se o ritmo atual for mantido, apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos ecossistemas marinhos do planeta estarão protegidos em 2030. A projeção, apresentada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, é o pano de fundo da 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que reúne representantes de mais de 200 países em Yerevan, capital da Armênia, até o dia 30.

É a primeira vez que os países revisam o Marco Global de Kunming-Montreal (GBF, na sigla em inglês), acordo assinado por 196 nações e que reúne 23 metas a serem cumpridas até 2030. A conferência acontece a cada dois anos e serve para debater estratégias e firmar acordos contra a perda de biodiversidade.

Um balanço com avanços e um alerta

Em discurso sobre o relatório que avalia o progresso coletivo na implementação do GBF, documento que servirá de base para a revisão, Guterres afirmou que os compromissos para travar a perda de biodiversidade continuam longe de ser cumpridos.

O secretário-geral também registrou resultados. Quase todos os países signatários definiram metas nacionais, e houve proteção legal de mais 1,3 milhão de km² de território terrestre e de 6 milhões de km² de áreas marinhas.

A distância entre o que foi feito e o que falta, porém, é o centro do debate. “Yerevan é o nosso momento de prestação de contas”, disse Guterres.

A conta que não fecha

Uma análise do Global Cooperation Institute (GCI), encomendada pelo WWF, aponta que a implementação está atrasada em relação a metas importantes e que o nível de ambição segue insuficiente em muitos países.

Os autores concluem que os modelos econômicos atuais contribuem não apenas para a perda de biodiversidade, mas também para as mudanças climáticas, a escassez de água, a insegurança alimentar e os riscos à saúde. Os custos não contabilizados desses impactos são estimados em pelo menos US$ 10 trilhões a US$ 25 trilhões ao ano.

COP17 reúne mais de 200 países em Yerevan para a primeira revisão das 23 metas de 2030, e a conta de proteção ainda não fecha
Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil Brasil Representantes da

O estudo ainda destaca uma assimetria: países de alta biodiversidade frequentemente arcam com custos significativos para conservar ecossistemas cujos benefícios são globais. Por isso, defende mais acesso a financiamento, capacitação e cooperação internacional.

“A COP17 precisa levar os países a agir e implementar seus compromissos. Os benefícios da ação coletiva em favor da natureza são claros: maior resiliência ecológica, sistemas alimentares e hídricos mais seguros e menor vulnerabilidade econômica”, afirma a diretora-geral do WWF Internacional, Kirsten Schuijt.

O papel do Brasil e o que isso significa para a Amazônia

A delegação brasileira considera que o país tem papel estratégico na implementação do marco, tanto pela vasta biodiversidade quanto por modelos de conservação que podem ser adotados em escala global. Um exemplo citado é o avanço da conectividade entre áreas de conservação terrestres, de água doce e marinhas, por meio de corredores verdes e azuis.

Para a Amazônia, a discussão é direta. A região combina floresta, grandes rios e litoral, ambientes que dependem de ligação entre si para manter a integridade ecológica, e pode servir de referência para a ideia de tratar áreas protegidas como partes de um mesmo sistema.

O WWF-Brasil levará o tema à conferência e quer o reconhecimento da conectividade como elemento fundamental para sustentar sistemas de áreas protegidas e garantir a sobrevivência das espécies. A organização pretende reforçar a proposta brasileira de incorporar a conectividade ecológica ao Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas, adotado em 2004, na COP7, para criar e acompanhar redes globais dessas áreas.

“A conservação da biodiversidade exige olhar para além dos limites de áreas protegidas individuais e considerar os ecossistemas como sistemas interligados”, diz o diretor técnico de Biodiversidade do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira.

Segundo a Agência Brasil, a COP17 da CDB ocorre em Yerevan, na Armênia, até 30 de outubro de 2026.

O que observar até o fim da conferência

Os dias de negociação dirão se a revisão resultará em compromissos mais ambiciosos e em mecanismos de financiamento capazes de aproximar as projeções de 2030 das 23 metas do marco. A proposta brasileira sobre conectividade ecológica será um dos pontos a acompanhar até o encerramento, em 30 de outubro.

Com informações de Agência Brasil.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA