
Projeto piloto em Jacarepaguá e Foz do Iguaçu recebeu investimento previsto de R$ 28 milhões.
Uma inspeção de subestação que antes exigia a presença de equipes em campo passou a ser realizada à distância pela Axia Energia. A companhia iniciou o uso de drones nas unidades de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e de Foz do Iguaçu, no Paraná, em um projeto piloto que prevê investimento de R$ 28 milhões e expansão para outros 150 ativos nos próximos quatro anos.
A mudança altera principalmente a rotina de segurança operacional. Em vez de depender apenas de rondas presenciais, profissionais habilitados podem acompanhar a aeronave remotamente, registrar imagens detalhadas e apoiar decisões de manutenção com dados obtidos em menos tempo.
O que muda na rotina das subestações
Os drones utilizados pela empresa operam com autonomia de até 50 minutos e são equipados com câmeras térmicas, recursos de aproximação por zoom e sistemas de armazenamento de imagens. Depois do pouso, os arquivos são transferidos automaticamente para a base de operação.
Esse conjunto permite observar componentes e estruturas sem que o trabalhador precise permanecer próximo de áreas potencialmente perigosas durante toda a inspeção. As imagens também podem ajudar a identificar alterações térmicas, registrar condições físicas dos equipamentos e comparar diferentes momentos da operação.
Segundo a Axia Energia, as inspeções remotas foram iniciadas em 8 de outubro de 2026, nas subestações de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e Foz do Iguaçu, no Paraná, como parte de um projeto piloto voltado à segurança e à eficiência da manutenção.
Como funciona o voo além da linha de visão
A tecnologia empregada é conhecida pela sigla BVLOS, de Beyond Visual Line of Sight, ou operação além da linha visual do piloto. Nesse formato, o drone não precisa permanecer necessariamente no campo de visão direto do operador durante todo o trajeto, desde que a atividade siga os requisitos técnicos e regulatórios aplicáveis.
O voo é realizado a partir de uma base automatizada. A aeronave pode gerar modelos tridimensionais de alta precisão das subestações, criando uma representação digital do espaço monitorado. Esse material é conectado aos Modelos Digitais das Subestações, conhecidos como BIM, que funcionam como uma versão virtual dos empreendimentos.
Na prática, o modelo digital reúne informações que podem ser consultadas durante a operação e a manutenção. A proposta da Axia é acompanhar os ativos desde os estudos e a construção até o funcionamento cotidiano, preservando dados que podem apoiar análises futuras.
Por que Jacarepaguá e Foz do Iguaçu foram escolhidas
As duas unidades têm funções diferentes dentro do sistema elétrico. A subestação de Foz do Iguaçu participa do intercâmbio de energia entre as regiões Sudeste e Sul. Já Jacarepaguá contribui para o abastecimento de parte do município do Rio de Janeiro.
Além da relevância operacional, as unidades foram selecionadas por estarem em áreas consideradas estratégicas e por apresentarem condições logísticas favoráveis para o acompanhamento dos testes. A escolha permitiu avaliar a solução em estruturas com características e responsabilidades distintas.

Para Lucas Pinz, diretor do Centro de Excelência Digitais da Axia Energia, o projeto integra uma estratégia que conecta inovação, segurança e gestão de ativos. “Essa iniciativa demonstra como a inovação e a tecnologia podem ser usadas para melhorar a eficiência e a segurança em atividades essenciais”, afirmou.
Autorização exigiu preparação técnica e regulatória
A implantação não dependeu apenas da aquisição das aeronaves. A empresa conduziu um processo técnico e regulatório junto à Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, e ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo, o Decea.
Como resultado desse processo, seis operadores de drones BVLOS foram capacitados na companhia. A formação é necessária para que os voos remotos sejam planejados e executados de acordo com as exigências aplicáveis ao espaço aéreo e ao tipo de atividade realizada.
O treinamento também é parte do esforço para transformar o drone em ferramenta permanente de inspeção, e não apenas em equipamento usado de maneira pontual. A expectativa é adaptar a frequência e o formato das operações às necessidades de cada subestação.
Uma possibilidade para áreas extensas da Amazônia
A experiência também ajuda a ilustrar como a inspeção remota pode ser aplicada em regiões onde distância, logística e acesso tornam as atividades presenciais mais complexas. No contexto amazônico, esse debate interessa a operações instaladas ou planejadas no Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Isso não significa que o projeto piloto da Axia esteja sendo realizado nesses estados. A conexão está no tipo de desafio enfrentado por empreendimentos de infraestrutura em territórios extensos: reduzir deslocamentos, ampliar a frequência de acompanhamento e levar informações visuais para equipes que nem sempre estão próximas do ativo.
Em áreas de floresta, rios e longas distâncias rodoviárias, uma solução automatizada pode representar uma alternativa de apoio à manutenção, desde que sejam avaliados o sinal de comunicação, as condições meteorológicas, a autorização de voo e a capacitação dos operadores. Esses fatores continuam determinantes para definir onde o uso de drones é tecnicamente viável.
O próximo passo é ampliar a escala
Mario Ellis, diretor de Segurança Operacional da Axia Energia, afirma que a prioridade é tornar as atividades de campo mais seguras. “Nosso objetivo é utilizar os drones telecomandados para tornar a operação mais segura aos nossos profissionais em campo”, declarou.
A companhia pretende levar o método de inspeção à distância a outros 150 ativos nos próximos quatro anos. A expansão deverá considerar as características de cada subestação, o tipo de equipamento monitorado e as condições necessárias para realizar voos automatizados com segurança.
Com a ampliação, a empresa também terá de consolidar procedimentos para interpretar imagens, integrar os registros aos modelos digitais e transformar os dados em ordens de manutenção. O cronograma dos próximos quatro anos será a etapa que mostrará como a tecnologia se comporta fora das duas unidades escolhidas para o piloto.
Com informações da Axia Energia.
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